Co­per­su­car, o Fór­mu­la 1 na­ci­o­nal (par­te I)

Motorshow - - Emerson Fittipaldi -

Co­mo vo­cês sa­bem, aca­bei dei­xan­do a McLa­ren no in­ver­no de 1975-1976, e me jun­tan­do à equi­pe do meu ir­mão Wil­son, a Co­per­su­car-Fit­ti­pal­di, pe­la qual pi­lo­tei na Fór­mu­la 1 até 1980. Con­ta­rei mais sua his­tó­ria na pró­xi­ma edi­ção, mas an­tes que­ro dei­xar cla­ro que mui­tas das ra­zões ci­ta­das na épo­ca pe­la im­pren­sa pa­ra mi­nha de­ci­são re­pen­ti­na de dei­xar a McLa­ren e me jun­tar à Co­per­su­car-Fit­ti­pal­di eram im­pre­ci­sas. Cer­ta­men­te não foi pe­lo di­nhei­ro, co­mo al­guns de meus de­tra­to­res er­ro­ne­a­men­te as­su­mi­ram. Não, a de­ci­são veio do sim­ples amor pe­la mi­nha fa­mí­lia e pe­lo meu país, um de­se­jo apai­xo­na­do de aju­dar os dois a al­can­çar a gló­ria na Fór­mu­la 1. Não con­se­gui­mos, co­mo ex­pli­ca­rei, mas ain­da ho­je es­tou fe­liz por ter­mos ten­ta­do.

Cla­ro que dei­xar a McLa­ren foi uma de­ci­são bas­tan­te di­fí­cil. No ou­to­no de 1975, pas­sei mui­to tem­po tes­tan­do o McLa­ren M23, prin­ci­pal­men­te em Paul Ri­card, on­de pro­gre­di­mos mui­to. Tí­nha­mos “acha­do” o tem­po de vol­ta. Es­tá­va­mos mui­to, mui­to rá­pi­dos. En­tão, quan­do to­mei a de­ci­são de dei­xar a McLa­ren já sa­bia que o M23 se­ria ain­da mais rá­pi­do em 1976 do que ha­via si­do em 1975, e ti­nha tam­bém cer­te­za de que te­ria uma chan­ce fan­tás­ti­ca de ven­cer o cam­pe­o­na­to mun­di­al mais uma vez.

A his­tó­ria mos­tra que eu es­ta­va cer­to – quan­do dei­xei a McLa­ren, meu subs­ti­tu­to pa­ra a tem­po­ra­da de 1976 foi Ja­mes Hunt. E em 1976 Ja­mes ven­ceu seis GPs no McLa­ren M23 que de­sen­vol­vi tão me­ti­cu­lo­sa­men­te, con­quis­tan­do o Mun­di­al de Pi­lo­tos com ele. Não me res­sin­to do su­ces­so de Ja­mes, por­que ele me­re­ceu; pi­lo­tou so­ber­ba­men­te. Além dis­so, eu ti­nha de­ci­di­do vo­lun­ta­ri­a­men­te dei­xar a McLa­ren. En­tão não, não é es­se meu pon­to. Meu pon­to é que, em ter­mos de su­ces­so, cus­tou mui­to ca­ro me jun­tar à Co­per­su­carFit­ti­pal­di – mas eu o fiz por al­truís­mo pa­trió­ti­co, e as­sim ti­ve que re­nun­ci­ar à opor­tu­ni­da­de de ga­nhar meu ter­cei­ro tí­tu­lo de Fór­mu­la 1.

En­tão, quan­do a F1 dei­xa­va Fu­ji no fim de 1976 ( leia na edi­ção 423), eu olha­va pa­ra a fren­te, e não pa­ra trás. A Co­per­su­car-Fit­ti­pal­di ha­via pe­na­do um tan­to na­que­le ano, mas Wil­son e eu es­tá­va­mos se­guin­do nos­so so­nho de cri­ar uma equi­pe na­ci­o­nal bem-su­ce­di­da, e eu es­ta­va to­tal­men­te fo­ca­do em tor­nar es­se so­nho re­a­li­da­de.

Não ti­ve­mos su­ces­so. Uma pe­na. Mas, em nos­sa de­fe­sa, sai­ba que equi­pes de F1 de­mo­ram a se de­sen­vol­ver. Frank Wil­li­ams fun­dou a Frank Wil­li­ams Ra­cing Cars em 1966, mas só ven­ceu um GP em 1979. Es­sa equi­pe que fun­dou tem ago­ra in­crí­veis 114 vi­tó­ri­as em GPs, mas seus pri­mei­ros 13 anos fo­ram di­fí­ceis e pou­co pro­mis­so­res. Da mes­ma for­ma, a Co­per­su­car-Fit­ti­pal­di sem­pre foi um pro­je­to de­sa­fi­a­dor.

“ Quan­do de­ci­di dei­xar a McLa­ren já sa­bia que o M23 se­ria ain­da mais rá­pi­do em 1976, e que te­ria uma chan­ce fan­tás­ti­ca de ven­cer o cam­pe­o­na­to vez.” mun­di­al mais uma

A úni­ca equi­pe na­ci­o­nal de Fór­mu­la 1 foi pro­je­to co­ra­jo­so dos ir­mão Fit­ti­pal­di

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