CON­DE­NA­DO EX-CHE­FE DA CRIMINALÍSTICA

Da­ni­el Fe­li­pet­to te­ria usa­do a es­tru­tu­ra do ór­gão pa­ra aten­di­men­tos par­ti­cu­la­res e atra­sar lau­dos de inqué­ri­tos po­li­ci­ais

NOSSODIA - - Nossoplantão - (Rafael Machado/Gru­po Fo­lha)

O juiz subs­ti­tu­to da 1ª Va­ra da Fa­zen­da Pú­bli­ca, Le­o­nar­do Del­fi­no Cé­sar, con­de­nou na úl­ti­ma sex­ta-fei­ra (23) o ex-che­fe do Ins­ti­tu­to de Criminalística (IC) de Lon­dri­na, Da­ni­el Fe­li­pet­to, por usar a es­tru­tu­ra do ór­gão pa­ra aten­di­men­tos par­ti­cu­la­res e atra­sar lau­dos de inqué­ri­tos po­li­ci­ais. Na sen­ten­ça, o ma­gis­tra­do de­ter­mi­nou a per­da da fun­ção pú­bli­ca de pe­ri­to da Po­lí­cia Científica, sus­pen­são dos direitos po­lí­ti­cos por três anos e pa­ga­men­to de mul­ta ava­li­a­da em pou­co mais de R$ 200 mil. O va­lor cor­res­pon­de a 10 ve­zes o sa­lá­rio do réu. Se­gun­do o Por­tal da Trans­pa­rên­cia, Fe­li­pet­to re­ce­be R$ 22.647,15. Ain­da ca­be re­cur­so da de­ci­são de pri­mei­ro grau. Afastado desde o ano pas­sa­do, Fe­li­pet­to é al­vo de ou­tros dois pro­ces­sos que tra­mi­tam na 5ª Va­ra Cri­mi­nal de Lon­dri­na. Se­gun­do Del­fi­no Cé­sar, “ao trans­for­mar a se­de do IC em seu escritório pri­va­do, Fe­li­pet­to ob­te­ve van­ta­gem pa­tri­mo­ni­al in­de­vi­da na me­di­da em que dei­xou de des­pen­der re­cur­sos pes­so­ais pa­ra a ma­nu­ten­ção de lo­cal pró­prio à re­a­li­za­ção de perícias par­ti­cu­la­res, en­ri­que­cen­do-se ili­ci­ta­men­te às cus­tas do pa­trimô­nio pú­bli­co”. De acor­do com o MP, Fe­li­pet­to dei­xou de aten­der mais de 40 pe­di­dos de exa­mes pe­ri­ci­ais en­co­men­da­dos por delegados e juí­zes. Além da 10ª SDP, as so­li­ci­ta­ções vi­ri­am de outras ci­da­des do Es­ta­do, co­mo Ro­lân­dia, Ibai­ti, Cor­né­lio Pro­có­pio, e San­to Antô­nio da Pla­ti­na. Da­ni­el Fe­li­pet­to ocu­pou o car­go má­xi­mo da Criminalística em Lon­dri­na até 2013, quan­do foi trans­fe­ri­do pa­ra Cu­ri­ti­ba. Mes­mo tra­ba­lhan­do na ca­pi­tal, ele man­te­ve do­cu­men­tos e ma­te­ri­ais tran­ca­dos em uma sa­la da uni­da­de da rua Ohio, no jar­dim Qu­e­bec. “São graves e in­ques­ti­o­ná­veis os prejuízos cau­sa­dos à so­ci­e­da­de”, ava­li­ou a de­ci­são. A re­por­ta­gem ten­tou con­ta­to com Fe­li­pet­to e sua a de­fe­sa, mas am­bos não aten­de­ram as li­ga­ções. Ouvido em juízo, o pe­ri­to in­for­mou que “ao as­su­mir a Criminalística de Lon­dri­na, per­ce­beu a gran­de di­fi­cul­da­de em ter­mos de pes­so­al de apoio, bem co­mo a fra­gi­li­da­de da edi­fi­ca­ção, que não pos­suía se­gu­ran­ça al­gu­ma”. Por is­so, “or­de­nou que os ma­te­ri­ais que des­sem en­tra­da naquele ór­gão de­ve­ri­am ser en­ca­mi­nha­dos pa­ra a sua sa­la, que, além de ser a mai­or do pré­dio, ain­da pos­suía te­tra­cha­ve”. As ex­pli­ca­ções não con­ven­ce­ram o subs­ti­tu­to da 1ª Va­ra de Fa­zen­da Pú­bli­ca. “Te­nho co­mo cer­to que as de­fi­ci­ên­ci­as es­tru­tu­rais do Ins­ti­tuo de Criminalística e o ex­ces­so de trabalho a que es­tão sub­me­ti­dos os pe­ri­tos ofi­ci­ais do Es­ta­do - re­a­li­da­de ine­gá­vel -, não foram o re­al mo­ti­vo do não aten­di­men­to de de­ze­nas de re­qui­si­ções pe­lo réu ao lon­go de dez anos, cu­jas omis­sões fun­ci­o­nais, re­pi­to, re­ve­la­ram-se se­le­ti­vas e in­jus­ti­fi­ca­das.

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil

© PressReader. All rights reserved.