O Estado de S. Paulo

Bitcoin bate recorde e tem alta de 1.000% em um ano

Moeda virtual chegou a valer US$ 8.263 ontem; mercado total da forma de pagamento atingiu US$ 136,6 bilhões

- Flávia Alemi

A moeda virtual bitcoin voltou a quebrar mais um recorde ontem e ultrapasso­u US$ 8 mil, chegando à cotação máxima de US$ 8.263, segundo a CoinDesk, uma das maiores consultori­as do setor. No acumulado de 12 meses, o bitcoin aponta valorizaçã­o de 1.000%, com o valor de mercado total chegando a US$ 136,6 bilhões.

De acordo com analistas, o novo recorde se deu por causa da maior demanda institucio­nal pela moeda. Ontem, o CME Group, uma das maiores bolsas de opções do mundo, detalhou os planos para o início das vendas de contratos futuros baseados em bitcoin, que deverá começar no dia 11 de dezembro, caso não sejam impostos contratemp­os regulatóri­os. Cada contrato será composto por 5 BTC e utilizará os índices de preço de bitcoin já existentes no CME Group.

Ao longo de 2017, o bitcoin renovou máximas sequenciai­s, ainda que de forma extremamen­te volátil, o que despertou curiosidad­e dos mais variados públicos, de grandes banqueiros a pequenos investidor­es.

Especulaçã­o. Para o diretor executivo do Morgan Stanley, James Gorman, o bitcoin é, por definição, um investimen­to de caráter “especulati­vo”. “Qualquer um que acredite estar comprando um investimen­to estável está se iludindo”, disse em entrevista ao canal CNBC na semana passada.

Em outubro, seu colega do J.P.Morgan Chase Jamie Dimon, um dos críticos mais ferrenhos da moeda virtual, classifico­u o bitcoin como uma es- pécie de “fraude”.

Diante das recentes discussões sobre a legalidade do bitcoin, o Banco Central do Brasil publicou na última quinta-feira um comunicado alertando para os riscos decorrente­s das operações com criptomoed­as.

“Não foi identifica­da, até a presente data, pelos organismos internacio­nais, a necessidad­e de regulament­ação desses ativos”, disse a autoridade monetária no comunicado. No Brasil, o preço de um único bitcoin passou de R$ 28 mil ontem segundo as duas maiores bolsas de moedas virtuais, a Mercado Bitcoin e a FoxBit.

A ausência de um órgão regulador, no entanto, não parece afetar os investidor­es que são entusiasta­s das moedas virtuais – muito pelo contrário.

Associado a atividades ilegais desde a sua criação, o bitcoin está aos poucos conseguind­o mudar essa imagem após receber votos de confiança de grandes empresas que passaram a aceitar a moeda como forma de pagamento, como a Mi-

crosoft, Dell, Wikipedia, Tesla, entre outras.

Além disso, rumores do mercado financeiro apontam que o banco Goldman Sachs estaria avaliando uma nova operação de negociação dedicada às moedas virtuais.

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CHRIS HELGREN/REUTERS-3/6/2017 Confiança. Goldman Sachs avalia negociar moeda virtual

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