Ten­ta­ti­va de as­sal­to a ban­cos dei­xa 14 mor­tos no in­te­ri­or do Ce­a­rá

Se­gu­ran­ça. Oi­to ban­di­dos mor­re­ram após tro­car ti­ros com PMs du­ran­te ata­ques a du­as agên­ci­as da ci­da­de de 28 mil ha­bi­tan­tes; de­mais ví­ti­mas – cin­co da mes­ma fa­mí­lia – fo­ram se­ques­tra­das pe­la qua­dri­lha em ro­do­via pró­xi­ma. Dois cri­mi­no­sos fo­ram pre­sos

O Estado de S. Paulo - - Primeira Página - FOR­TA­LE­ZA /PRIS­CI­LA MENGUE, GA­BRI­E­LA RAMOS e FER­NAN­DA LI­MA, ES­PE­CI­AIS PA­RA O ES­TA­DO, COM AGÊN­CI­AS

Pe­lo me­nos 14 pes­so­as mor­re­ram em uma ten­ta­ti­va de as­sal­to a dois ban­cos, na ma­dru­ga­da de on­tem, na ci­da­de de Mi­la­gres (CE), de 28 mil ha­bi­tan­tes, a 485 quilô­me­tros de For­ta­le­za. Seis das ví­ti­mas eram reféns, sen­do que cin­co pes­so­as vi­a­ja­vam nu­ma estrada da re­gião qu­an­do fo­ram abor­da­das. Elas te­ri­am si­do mor­tas pe­los ban­di­dos. Se­gun­do a Se­cre­ta­ria da Se­gu­ran­ça Pú­bli­ca do Es­ta­do, oi­to in­te­gran­tes da qua­dri­lha mor­re­ram em con­fron­to com po­li­ci­ais.

Pe­lo me­nos 14 pes­so­as fo­ram mor­tas em uma ten­ta­ti­va de as­sal­to a dois ban­cos, na ma­dru­ga­da de on­tem, na ci­da­de de Mi­la­gres, re­gião do Ca­ri­ri, no Ce­a­rá. Se­gun­do a Se­cre­ta­ria da Se­gu­ran­ça Pú­bli­ca do Es­ta­do, após con­fron­to com po­li­ci­ais, oi­to mem­bros da qua­dri­lha mor­re­ram. As ou­tras ví­ti­mas eram reféns – cin­co da mes­ma fa­mí­lia – e in­for­ma­ções pre­li­mi­na­res in­di­cam que hou­ve exe­cu­ção por par­te dos ban­di­dos.

Mi­la­gres, a 487 quilô­me­tros de For­ta­le­za, tem cerca de 28 mil ha­bi­tan­tes. A ten­ta­ti­va de rou­bo às agên­ci­as do Ban­co do Brasil e do Bra­des­co foi por vol­ta das 2h30. A qua­dri­lha es­ta­va com os reféns qu­an­do a PM che­gou e, di­zem tes­te­mu­nhas, hou­ve in­ten­so ti­ro­teio.

Cin­co cri­mi­no­sos mor­re­ram no lo­cal e dois após se­rem atendidos em pos­tos de saú­de da re­gião. Ou­tro ban­di­do foi mor­to por PM em Bar­ro, a cerca de 100 quilô­me­tros de Mi­la­gres. Três ban­di­dos fo­ram de­ti­dos de­pois – um de­les che­gou a se es­con­der na ca­sa de uma mo­ra­do­ra – e ne­nhum di­nhei­ro foi le­va­do.

Pri­mei­ra­men­te, os ban­di­dos as­sal­ta­ram um ca­mi­nhão na ro­do­via BR-116, en­tre Mi­la­gres e Bre­jo San­to. Após do­mi­na­rem os seis reféns na estrada, os obri­ga­ram a en­trar com eles na ci­da­de. O gru­po usou um ca­mi­nhão pa­ra blo­que­ar o aces­so de veí­cu­los na via. A po­lí­cia, que tinha in­for­ma­ção de que a qua­dri­lha pla­ne­ja­va rou­bo em Mi­la­gres ou em Mis­são Ve­lha, na mes­ma re­gião, en­con­trou o gru­po per­to das agên­ci­as ban­cá­ri­as.

A fa­mí­lia se­ques­tra­da era do em­pre­sá­rio João Ba­tis­ta Ma­ga­lhães, de 46 anos, que vol­ta­va com o fi­lho Vi­ní­cius, de 14, do Ae­ro­por­to de Ju­a­zei­ro do Nor­te (CE), on­de ha­vi­am bus­ca­do pa­ren­tes vin­dos de São Pau­lo pa­ra pas­sar o Na­tal.

Além de­les, mor­re­ram a cu­nha­da Clau­di­nei­de Sou­za, de 42 anos; o ma­ri­do de­la, Cí­ce­ro San­tos, de 60; e o fi­lho do ca­sal, Gustavo, de 13. “Uma tra­gé­dia. To­da a fa­mí­lia e a ci­da­de es­tão aos pran­tos”, diz Ta­deu Ga­ma, cu­nha­do do em­pre­sá­rio, que era de Ser­ra Ta­lha­da (PE). O ve­ló­rio se­rá ho­je. A sex­ta re­fém era Fran­cis­ca Cruz, de 49 anos.

A in­ves­ti­ga­ção que le­vou à qua­dri­lha en­vol­veu as in­te­li­gên­ci­as das po­lí­ci­as de Ser­gi­pe, Ala­go­as, Bahia e Ce­a­rá. Se­gun­do o se­cre­tá­rio da Se­gu­ran­ça ce­a­ren­se, An­dré Cos­ta, a qua­dri­lha tem atu­a­ção in­te­res­ta­du­al, com fo­co no Nor­des­te. O go­ver­na­dor Camilo San­ta­na (PT) con­si­de­rou “es­tra­nha” a pre­sen­ça de reféns no lo­cal e dis­se que é ne­ces­sá­ria uma in­ves­ti­ga­ção. Des­ta­cou, po­rém, que “o tra­ba­lho dos po­li­ci­ais foi cum­pri­do”.

Em Mi­la­gres, a pre­fei­tu­ra fe­chou ór­gãos pú­bli­cos e re­co­men­dou aos mo­ra­do­res não sair de ca­sa “até que a or­dem se­ja res­ta­be­le­ci­da”. No co­mér­cio, mui­tos tam­bém fe­cha­ram as por­tas. “O car­ro pa­rou na fren­te do ban­co, mas a po­lí­cia vi­nha atrás. Qu­an­do per­ce­be­mos, fo­mos nos es­con­der, com medo das ba­las” con­ta Ni­ed­ja Al­ves, de 32 anos, do­na da fu­ne­rá­ria em fren­te à agência. Ela, a ir­mã e a mãe, que vi­vem so­bre a lo­ja, não abri­ram o es­ta­be­le­ci­men­to on­tem. “Fo­ram 20 mi­nu­tos de dis­pa­ros. Nun­ca acon­te­ceu na­da dis­so aqui. Só via na TV”, diz um em­pre­sá­rio da ci­da­de, que pe­diu ano­ni­ma­to.

Uma pis­to­la 9 mm, um re­vól­ver ca­li­bre 38, uma ar­ma ca­li­bre

12 e ex­plo­si­vos, além de seis veí­cu­los, fo­ram apre­en­di­dos.

Al­ta. O mi­nis­tro da Se­gu­ran­ça Pú­bli­ca, Raul Jung­mann, cha­mou o ca­so de “tra­gé­dia”. Ba­lan­ço do Fó­rum Bra­si­lei­ro de Se­gu­ran­ça Pú­bli­ca apon­ta au­men­to nos rou­bos a ins­ti­tui­ções fi­nan­cei­ras no País (co­mo ban­cos e cai­xas-for­tes): fo­ram de 627 ca­sos em 2007 pa­ra 1.478 em 2016.

“Ocor­re no in­te­ri­or de vá­ri­os Es­ta­dos há ao me­nos uma dé­ca­da. São qua­dri­lhas es­pe­ci­a­li­za­das. A téc­ni­ca não é di­fe­ren­te da usa­da no Su­des­te. As qua­dri­lhas tran­si­tam en­tre Es­ta­dos”, afir­ma Luís Flá­vio Sa­po­ri, es­pe­ci­a­lis­ta em se­gu­ran­ça da Pon­ti­fí­cia Uni­ver­si­da­de Ca­tó­li­ca de Mi­nas (PUC-MG). O cres­ci­men­to econô­mi­co na dé­ca­da pas­sa­da e o me­nor efe­ti­vo po­li­ci­al, diz, atra­em os cri­mes pa­ra a re­gião.

Em no­ta, a Fe­de­ra­ção Bra­si­lei­ra de Ban­cos (Fe­bra­ban) in­for­ma que o se­tor in­ves­te R$ 9 bi­lhões anu­ais em se­gu­ran­ça, o tri­plo em re­la­ção à dé­ca­da pas­sa­da.

FOTOS: NOR­MAN­DO SRACLES/REUTERS

Mi­la­gres. Ci­da­de a 487 km de For­ta­le­za fe­chou ór­gãos pú­bli­cos e lo­jas após ten­ta­ti­va de ata­que a agên­ci­as na ma­dru­ga­da

In­ves­ti­ga­ção. Po­lí­cia apu­ra co­mo mor­re­ram os seis reféns

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