Au­to­ri­za­ção de ven­da de pré-sal pe­la Pe­tro­brás ame­a­ça me­ga­lei­lão

Há ava­li­a­ções de que as reservas de­ve­ri­am ser lei­lo­a­das pe­la União, e não sim­ples­men­te re­ven­di­das pe­la estatal

O Estado de S. Paulo - - Economia - Adri­a­na Fer­nan­des An­ne Warth / BRASÍLIA / AN­DRÉ ÍTA­LO RO­CHA E PEDRO VEN­CES­LAU

A con­tro­vér­sia em torno da au­to­ri­za­ção pa­ra a Pe­tro­brás ven­der até 70% de seus di­rei­tos de ex­plo­ra­ção do pré-sal am­plia os ris­cos atre­la­dos à apro­va­ção do pro­je­to de lei que tra­mi­ta no Se­na­do e abre ca­mi­nho pa­ra o me­ga­lei­lão de pe­tró­leo. Es­pe­ci­a­lis­tas ve­em com re­ser­va es­se item po­lê­mi­co da pro­pos­ta, en­quan­to mem­bros do go­ver­no a con­si­de­ram in­cons­ti­tu­ci­o­nal. Pa­ra fontes con­sul­ta­das pe­lo Estadão/Bro­ad­cast, ha­ve­rá uma en­xur­ra­da de re­pre­sen­ta­ções e ações ju­di­ci­ais.

O cha­ma­do re­gi­me de ces­são one­ro­sa foi cri­a­do co­mo uma ex­clu­si­vi­da­de pa­ra a Pe­tro­brás, du­ran­te a ca­pi­ta­li­za­ção da em­pre­sa, em 2010. Por es­sa mo­da­li­da­de, a estatal pô­de com­prar o di­rei­to de ex­plo­ra­ção 5 bi­lhões de bar­ris da Ba­cia de San­tos por um pre­ço fi­xo, sem dis­pu­ta com con­cor­ren­tes. Ou­tra van­ta­gem é a alí­quo­ta de royal­ti­es re­du­zi­da, de ape­nas 10%.

Téc­ni­cos do go­ver­no con­sul­ta­dos pe­lo Estadão/Bro­ad­cast con­si­de­ram que a Pe­tro­brás não po­de re­pas­sar es­ses bar­ris pe­las mes­mas con­di­ções. No re­gi­me de par­ti­lha, em que há obri­ga­to­ri­e­da­de de li­ci­ta­ção, os royal­ti­es são de 15%, por exem­plo. Co­brar um royalty me­nor re­sul­ta­ria em mais lu­cro pa­ra as em­pre­sas e me­nos ar­re­ca­da­ção pa­ra União, Es­ta­dos e mu­ni­cí­pi­os.

Há ava­li­a­ções de que as reservas de­ve­ri­am ser lei­lo­a­das pe­la União, e não sim­ples­men­te re­ven­di­das pe­la Pe­tro­brás, pois não se tra­ta de um sim­ples de­sin­ves­ti­men­to da com­pa­nhia – co­mo usi­nas ter­mo­e­lé­tri­cas, re­fi­na­ri­as e ga­so­du­tos. Pa­ra com­ple­tar, o pla­no de ven­da de ati­vos

da estatal foi sus­pen­so pe­lo Su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral.

De­pois de tan­ta po­lê­mi­ca pe­la divisão dos re­cur­sos do me­ga­lei­lão do pré-sal, téc­ni­cos do go­ver­no e do Le­gis­la­ti­vo che­ga­ram à conclusão de que o pro­je­to de lei que des­tra­va o lei­lão não ape­nas é des­ne­ces­sá­rio, co­mo tam­bém in­su­fi­ci­en­te e in­se­gu­ro pa­ra a re­vi­são do con­tra­to en­tre União e Pe­tro­brás.

So­lu­ção. O pro­je­to de lei, já apro­va­do pe­la Câ­ma­ra e em tra­mi­ta­ção no Se­na­do, traz uma so­lu­ção pa­ra a ques­tão da in­cons­ti­tu­ci­o­na­li­da­de. Uma emen­da pro­pos­ta pe­lo se­na­dor José Ser­ra (PSDB-SP) es­ta­be­le­ce que a ven­da dos bar­ris se da­rá por uma li­ci­ta­ção con­jun­ta en­tre União e Pe­tro­brás, em que a ou­tor­ga fi­ca­ria com o Te­sou­ro e o ágio se­ria di­vi­di­do en­tre as du­as par­tes. É um mo­de­lo se­me­lhan­te ao pro­pos­to na pri­va­ti­za­ção da Cesp pe­lo go­ver­no de São Pau­lo. Sem a li­ci­ta­ção, a in­ter­pre­ta­ção é que ha­ve­ria trans­fe­rên­cia in­de­vi­da de re­cur­sos da União pa­ra aci­o­nis­tas pri­va­dos da com­pa­nhia.

Ori­gi­nal­men­te, a ven­da dos bar­ris da Pe­tro­brás na ces­são one­ro­sa era o úni­co te­ma do pro­je­to de lei em tra­mi­ta­ção no Se­na­do, cu­ja au­to­ria é do de­pu­ta­do José Car­los Ale­luia (DEMBA). A pro­pos­ta foi apre­sen­ta­da em 2017 e foi vis­ta co­mo uma al­ter­na­ti­va pa­ra a Pe­tro­brás re­du­zir seu en­di­vi­da­men­to.

O por­cen­tu­al de 30% foi pro­pos­to pa­ra equa­li­zar e man­ter a mes­ma fa­tia mí­ni­ma pre­vis­ta no re­gi­me de par­ti­lha pa­ra a com­pa­nhia. Ago­ra, téc­ni­cos con­si­de­ram in­com­pre­en­sí­vel que a com­pa­nhia quei­ra ven­der al­go que ho­je é con­si­de­ra­do seu prin­ci­pal ati­vo.

Ao tra­mi­tar na Câ­ma­ra, o pro­je­to re­ce­beu uma emen­da apre­sen­ta­da pe­lo de­pu­ta­do e ex-mi­nis­tro de Mi­nas e Ener­gia Fer­nan­do Co­e­lho Fi­lho (DEMPE). Foi es­se tex­to que trou­xe cri­té­ri­os mais cla­ros pa­ra a re­vi­são do con­tra­to fir­ma­do em 2010 en­tre União e Pe­tro­brás, já que ha­via re­sis­tên­cia dos téc­ni­cos em as­si­nar o adi­ti­vo sem que as ba­ses es­ti­ves­sem cla­ra­men­te de­fi­ni­das. Pro­cu­ra­da, a Pe­tro­brás não se pro­nun­ci­ou

WILTON JU­NI­OR/ESTADÃO - 28/10/2010

Re­gi­me. Pe­tro­brás po­de ex­plo­rar 5 bi­lhões de bar­ris

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