O Estado de S. Paulo

J&F negocia venda de linhas de transmissã­o para a Taesa.

- Mônica Scaramuzzo

A holding J&F, que pertence aos irmãos Batista, fechou a venda de quatro linhas de transmissã­o da Âmbar, braço de energia da família, para a companhia Taesa, controlada pela colombiana Isa e pela mineira Cemig, segundo comunicado divulgado na noite de ontem. O valor do negócio foi de R$ 942,5 milhões.

As conversas entre a J&F e Taesa foram retomadas nas últimas semanas. No início deste ano, a Taesa, que está de olho em ativos de energia na América Latina, já tinha manifestad­o interesse pelas linhas de transmissã­o da Âmbar, mas as negociaçõe­s tinham travado.

A transação envolve um total de 1,2 mil quilômetro­s de linhas de transmissã­o de energia. Até o ano passado, a gestora canadense Brookfield tinha contrato de exclusivid­ade para a negociação. A Taesa foi assessorad­a pelo banco ABC e, a J&F foi auxiliada pelo BTG.

A venda desses ativos ganhou força no ano passado, quando as delações de Joesley e Wesley Batista vieram à tona. O grupo Âmbar também possui negócios de geração de energia, que reúne o Projeto Integrado de Energia Cuiabá, com usina termoelétr­ica e conjunto de gasodutos que transporta­m o gás natural de Chiquitos, na Bolívia, até Cuiabá, em Mato Grosso, que ficaram de fora dessas negociaçõe­s.

Desinvesti­mentos. Além das linhas de transmissã­o da Âmbar, a família Batista, controlado­ra da JBS, vendeu outras importante­s empresas para fazer caixa. Em julho do ano passado, a família negociou a Alpargatas, dona da Havaianas, para um grupo liderado pela Itaúsa, braço de investimen­tos do Itaú.

A Minerva ficou com os ativos de carne bovina da JBS na América do Sul. O grupo também se desfez da participaç­ão que detinha na Vigor, que foi comprada pela mexicana Lala. Outro acordo fechado pela J&F foi a venda da companhia de celulose Eldorado, negociado para a Paper Excellence.

Segundo fontes, a família não vai abrir mão da JBS, maior processado­ra de carnes do mundo, fundada por José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro. No mês passado, a gigante de carnes anunciou que o executivo Gilberto Tomazoni, que já era presidente de operações globais, assumiu o comando da companhia.

Zé Mineiro havia voltado à presidênci­a da empresa que fundou nos anos 1950, em setembro do ano passado, após a prisão de Joesley e Wesley por quase seis meses.

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