Eu­ro­peus de­vem li­mi­tar com­pra de aço bra­si­lei­ro

On­da pro­te­ci­o­nis­ta. Co­mis­são Eu­ro­peia vo­ta­rá nes­ta se­ma­na pro­pos­ta de es­ta­be­le­cer co­tas pa­ra 26 pro­du­tos do se­tor si­de­rúr­gi­co e Bra­sil so­fre­rá res­tri­ções em se­te de­les; me­di­da é re­a­ção às bar­rei­ras cri­a­das pe­los EUA e à su­pe­ro­fer­ta glo­bal da ma­té­ria-pri­ma

O Estado de S. Paulo - - Primeira página - Ja­mil Cha­de / GENEBRA Mô­ni­ca Sca­ra­muz­zo / SÃO PAU­LO

A Co­mis­são Eu­ro­peia vai vo­tar nes­ta se­ma­na pro­pos­ta que es­ta­be­le­ce co­tas pa­ra a im­por­ta­ção de 26 pro­du­tos de aço – o Bra­sil te­rá res­tri­ções em se­te de­les. A me­di­da é uma res­pos­ta à su­pe­ro­fer­ta glo­bal, de­pois das bar­rei­ras im­pos­tas pe­los EUA. Se­gun­do os eu­ro­peus, en­tre 2013 e 2018 o aço im­por­ta­do pas­sou de uma fa­tia de 12% do mer­ca­do lo­cal pa­ra 18%. A Eu­ro­pa é des­ti­no de 25% das ex­por­ta­ções na­ci­o­nais da ma­té­ria-pri­ma.

As ex­por­ta­ções de aço do Bra­sil de­ve­rão ser al­vo de bar­rei­ras na Eu­ro­pa, apro­fun­dan­do ain­da mais a ten­são nos mer­ca­dos in­ter­na­ci­o­nais di­an­te da su­pe­ro­fer­ta glo­bal da ma­té­ria-pri­ma e da gu­er­ra co­mer­ci­al en­tre Chi­na e EUA.

No úl­ti­mo dia 4 de ja­nei­ro, a Co­mis­são Eu­ro­peia no­ti­fi­cou a Or­ga­ni­za­ção Mun­di­al do Co­mér­cio (OMC) de que in­ves­ti­ga­ções ini­ci­a­das em mar­ço de 2018 re­ve­la­ram que pro­du­tos im­por­ta­dos no se­tor do aço es­ta­vam afe­tan­do de for­ma ne­ga­ti­va o mer­ca­do do blo­co e a con­cor­rên­cia.

A pro­pos­ta da Co­mis­são Eu­ro­peia, que vai à vo­ta­ção es­ta se­ma­na, en­fren­ta re­sis­tên­cia de se­to­res que te­mem ver seus pro­du­tos fi­nais en­ca­re­ci­dos por con­ta da bar­rei­ra co­mer­ci­al. Ca­so apro­va­da, as ta­xas en­tram em vi­gor até o dia 4 de fe­ve­rei­ro. Até lá, go­ver­nos afe­ta­dos po­de­rão man­ter ne­go­ci­a­ções com Bru­xe­las, o que de­ve ser o ca­so do Bra­sil.

A in­ves­ti­ga­ção foi aber­ta de­pois que o go­ver­no de Do­nald Trump de­ci­diu er­guer bar­rei­ras ao aço mun­di­al, cri­an­do dis­tor­ções e inun­dan­do a Eu­ro­pa com a pro­du­ção que te­ria o mer­ca­do ame­ri­ca­no co­mo des­ti­no. O blo­co eu­ro­peu ale­ga que a im­por­ta­ção de aço pa­ra a Eu­ro­pa “au­men­tou de for­ma sig­ni­fi­ca­ti­va” e que a ten­dên­cia é de que es­se vo­lu­me cres­ça ain­da mais.

O blo­co in­for­mou, por meio de um co­mu­ni­ca­do, que 26 pro­du­tos do se­tor si­de­rúr­gi­co se­rão so­bre­ta­xa­dos. Pa­ra ca­da país, uma co­ta se­rá ofe­re­ci­da. Ca­so su­pe­re o vo­lu­me su­pe­re as co­tas, en­tra­rá em vi­gor uma ta­ri­fa ex­tra de 25%. A Chi­na, por exem­plo, so­fre­rá res­tri­ções em 16 pro­du­tos di­fe­ren­tes, con­tra 17 da Tur­quia e 15 da Ín­dia. No ca­so do Bra­sil, a no­ti­fi­ca­ção en­vi­a­da pe­la União Eu­ro­peia pa­ra a OMC ci­ta se­te pro­du­tos dos 26 pos­sí­veis. Mes­mo as­sim, di­plo­ma­tas con­fir­ma­ram ao Es­ta­do que a me­di­da é “pre­o­cu­pan­te”.

“Es­sas de­ci­sões mais re­cen­tes da União Eu­ro­peia ra­ti­fi­cam o efei­to do­mi­nó do ex­ces­so glo­bal de ca­pa­ci­da­de (em tor­no de 530 mi­lhões de to­ne­la­das de aço) e da gu­er­ra co­mer­ci­al en­tre Chi­na e Es­ta­dos Uni­dos”, dis­se Mar­co Po­lo de Mel­lo Lo­pes, pre­si­den­te do Ins­ti­tu­to Aço Bra­sil (IABr). Com o fe­cha­men­to de mer­ca­do de vá­ri­os paí­ses, o Bra­sil aca­ba sen­do afe­ta­do.

Im­pac­to. O Bra­sil ex­por­ta cer­ca de 15 mi­lhões de to­ne­la­das de aço por ano (US$ 9,5 bi­lhões), dos quais 25% vão pa­ra a Eu­ro­pa. Em 2017, fo­ram ex­por­ta­dos pa­ra o blo­co 3,9 mi­lhões de to­ne­la­das. Uma par­te des­se vo­lu­me é de pro­du­tos se­mi­a­ca­ba­dos, que não fo­ram in­cluí­dos na lis­ta de res­tri­ção.

O im­pac­to nas ex­por­ta­ções bra­si­lei­ras se­rá nas ven­das de la­mi­na­dos a frio (usa­do pe­las in­dús­tri­as au­to­mo­bi­lís­ti­ca, má­qui­nas e equi­pa­men­tos), cha­pas gros­sas (vol­ta­das pa­ra in­dús­tria na­val) e me­tá­li­cas (em­ba­la­gens) e ou­tros ti­pos de aço.

A co­ta ofe­re­ci­da pa­ra la­mi­na­dos, por exem­plo, co­me­ça­ria com 168 mil to­ne­la­das/ano e, em três anos, pas­sa­ria pa­ra 176 mil to­ne­la­das. No se­tor de fo­lhas me­tá­li­cas, a co­ta é de cer­ca de 50 mil to­ne­la­das – a Chi­na ga­nha­rá uma co­ta de mais de 400 mil to­ne­la­das. Per­fis de aço te­rão um te­to de 22 mil to­ne­la­das.

“O mai­or vo­lu­me ex­por­ta­do pe­lo Bra­sil à UE é de aço se­mi­a­ca­ba­do (2,4 mi­lhões de to­ne­la­das em 2017), que fi­cou de fo­ra. O País vai pas­sar a dis­pu­tar uma co­ta glo­bal de 1,2 mi­lhão de to­ne­la­das pa­ra ex­por­tar cha­pa gros­sa, por exem­plo”, afir­mou Lo­pes. Des­de 2015, o se­tor si­de­rúr­gi­co pas­sa por uma cri­se. “A in­dús­tria uti­li­za 69% da sua ca­pa­ci­da­de de pro­du­ção, en­quan­to o ide­al se­ria 80%. A im­po­si­ção de mais bar­rei­ras afe­ta a in­dús­tria.”

Pro­cu­ra­do, o Ita­ma­raty não se pro­nun­ci­ou.

TASSO MARCELO/ES­TA­DÃO-26/5/2011

Des­ti­no. Bra­sil ex­por­ta 15 mi­lhões de to­ne­la­das de aço por ano; 25% vão pa­ra Eu­ro­pa

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