Cor­po­ra­ção in­ves­ti­ga se­te po­li­ci­ais por con­du­ta ir­re­gu­lar

O Estado de S. Paulo - - Política - / F.L.

A Po­lí­cia Mi­li­tar de São Pau­lo ins­tau­rou pro­ce­di­men­to dis­ci­pli­nar pa­ra in­ves­ti­gar a con­du­ta de se­te po­li­ci­ais que ad­mi­ti­ram à Po­lí­cia Fe­de­ral te­rem tra­ba­lha­do na trans­por­ta­do­ra de va­lo­res usa­da pe­la Ode­bre­cht pa­ra en­tre­gar di­nhei­ro de pro­pi­na e cai­xa 2 a po­lí­ti­cos na ca­pi­tal pau­lis­ta. Seis de­les es­ta­vam na ati­va em 2014, quan­do foi fei­ta a mai­or par­te dos pa­ga­men­tos in­ves­ti­ga­dos pe­la La­va Ja­to.

A Lei Or­gâ­ni­ca da po­lí­cia, san­ci­o­na­da em 1979, proí­be que os po­li­ci­ais exer­cem uma ati­vi­da­de pa­ra­le­la, o cha­ma­do bi­co. Em­bo­ra se­jam con­si­de­ra­dos ape­nas tes­te­mu­nhas co­la­bo­ra­do­ras pe­la PF, os agen­tes po­dem so­frer san­ções ad­mi­nis­tra­ti­vas que vão de ad­ver­tên­cia à de­mis­são ca­so a Cor­re­ge­do­ria da PM con­clua que eles des­cum­pri­ram o có­di­go dis­ci­pli­nar.

Três po­li­ci­ais se apo­sen­ta­ram en­tre 2016 e 2017 e ou­tros três per­ma­ne­cem na ati­va, com sa­lá­ri­os que va­ri­am de R$ 5,4 mil a R$ 7,5 mil. É o ca­so do ca­bo Abel de Qu­ei­roz, que fez en­tre­gas de di­nhei­ro no es­cri­tó­rio de Jo­sé Yu­nes, ami­go do ex-pre­si­den­te Mi­chel Te­mer, e Ed­nal­do Ro­cha Silva, que es­te­ve ao me­nos uma vez no pré­dio de um as­ses­sor do se­na­dor Ci­ro No­guei­ra (PP-PI). Am­bos es­tão lo­ta­dos no 14.º Ba­ta­lhão. Silva não quis fa­lar com a re­por­ta­gem e Qu­ei­roz não foi lo­ca­li­za­do na se­ma­na pas­sa­da.

Se­gun­do vi­zi­nhos da Trans­na­ci­o­nal, os po­li­ci­ais do 14.º e 49.º ba­ta­lhões co­me­ça­ram a ser re­cru­ta­dos pe­la Trans­na­ci­o­nal de­pois que a em­pre­sa foi al­vo de um as­sal­to, em 2009. Na oca­sião, ban­di­dos alu­ga­ram uma ca­sa a 100 me­tros da em­pre­sa, es­ca­va­ram um tú­nel e rou­ba­ram cer­ca de R$ 20 mi­lhões. A trans­por­ta­do­ra, con­tu­do, só fe­chou as por­tas em 2016, de­pois que a PF des­co­briu sua par­ti­ci­pa­ção no es­que­ma da Ode­bre­cht.

Em 2015, o 14.º Ba­ta­lhão che­gou a ser in­ves­ti­ga­do pe­lo su­pos­to en­vol­vi­men­to de po­li­ci­ais em uma cha­ci­na ocor­ri­da em agos­to da­que­le ano, quan­do 23 pes­so­as fo­ram mor­tas em Osas­co e Ba­ru­e­ri. Três PMs de ou­tras uni­da­des fo­ram con­de­na­dos pe­lo cri­me.

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