FGTS e PIS in­je­ta­rão R$ 13 bi em va­re­jo e ser­vi­ços

Li­be­ra­ção de re­cur­sos ex­tras de­ve am­pli­ar em 50% a ta­xa de ex­pan­são do con­su­mo das fa­mí­li­as no 4º tri­mes­tre, diz CNC

O Estado de S. Paulo - - Economia - Da­ni­e­la Amo­rim / RIO

Os tra­ba­lha­do­res bra­si­lei­ros gas­ta­rão R$ 9,6 bi­lhões dos sa­ques li­be­ra­dos do Fun­do de Ga­ran­tia do Tem­po de Ser­vi­ço (FGTS) e do PIS/Pa­sep em com­pras no co­mér­cio va­re­jis­ta, além de ou­tros R$ 3,5 bi­lhões no con­su­mo de ser­vi­ços pres­ta­dos às fa­mí­li­as, co­mo ali­men­ta­ção fo­ra de ca­sa e hos­pe­da­gem. Os cál­cu­los são da Con­fe­de­ra­ção Na­ci­o­nal do Co­mér­cio de Bens, Ser­vi­ços e Tu­ris­mo (CNC), ob­ti­dos com ex­clu­si­vi­da­de pe­lo Es­ta­dão/Bro­ad­cast.

A li­be­ra­ção dos re­cur­sos ex­tra­or­di­ná­ri­os – os sa­ques do FGTS co­me­çam na se­ma­na que vem – au­men­ta­rá em 50% a ta­xa de cres­ci­men­to do Con­su­mo das Fa­mí­li­as no Pro­du­to In­ter­no Bru­to (PIB) do quar­to tri­mes­tre, em com­pa­ra­ção ao tri­mes­tre ime­di­a­ta­men­te an­te­ri­or. Sem os re­cur­sos ex­tra­or­di­ná­ri­os li­be­ra­dos pe­lo go­ver­no, a es­ti­ma­ti­va da CNC pa­ra o con­su­mo era de al­ta de 0,6%. Com a ren­da ex­tra, a CNC pre­vê ago­ra um avan­ço de 0,9% no con­su­mo das fa­mí­li­as no úl­ti­mo tri­mes­tre do ano.

“Cer­ca de 70% dos re­cur­sos se­rão li­be­ra­dos no úl­ti­mo tri­mes­tre do ano. São mais re­cur­sos dis­po­ní­veis pa­ra con­su­mo num am­bi­en­te de in­fla­ção bai­xa”, jus­ti­fi­cou o eco­no­mis­ta Fa­bio Ben­tes, da Di­vi­são Econô­mi­ca da CNC, res­pon­sá­vel pe­lo es­tu­do.

O im­pac­to no PIB bra­si­lei­ro só não se­rá mai­or por cau­sa do ce­ná­rio in­ter­na­ci­o­nal tur­bu­len­to, que de­ve­rá fa­zer o se­tor ex­ter­no con­tri­buir ne­ga­ti­va­men­te pa­ra as con­tas na­ci­o­nais. “As ven­das pa­ra a Ar­gen­ti­na caí­ram 40% em agos­to. Is­so vai ba­ter no PIB e vai amor­te­cer um pou­co des­se efei­to. Não dá pa­ra es­pe­rar ain­da um PIB mai­or de 1% (em 2019) com o ce­ná­rio que ve­mos à fren­te”, ex­pli­cou Ben­tes.

A equi­pe econô­mi­ca do go­ver­no cal­cu­la que os sa­ques do FGTS e PIS/Pa­sep so­mem apro­xi­ma­da­men­te R$ 30 bi­lhões en­tre agos­to e de­zem­bro de 2019: R$ 28 bi­lhões do FGTS e R$ 2 bi­lhões do PIS/Pa­sep.

Do to­tal de re­cur­sos, R$ 12,2 bi­lhões, ou 40% do to­tal pre­vis­to pa­ra es­te ano, se­rão uti­li­za­dos pa­ra a qui­ta­ção ou aba­ti­men­to de dí­vi­das, e mais R$ 4,7 bi­lhões se­rão pou­pa­dos ou con­su­mi­dos so­men­te em 2020, diz a CNC.

Pou­pan­ça. “Uma par­ce­la não

des­pre­zí­vel se­rá des­ti­na­da a con­su­mo em ja­nei­ro e fe­ve­rei­ro (de 2020), mas é con­su­mo fu­tu­ro, é pou­pan­ça”, acres­cen­tou.

O aba­ti­men­to de dí­vi­das ain­da ab­sor­ve­rá a par­ce­la mais re­pre­sen­ta­ti­va dos re­cur­sos, mas o por­cen­tu­al é me­nor do que o ob­ser­va­do na li­be­ra­ção de con­tas ina­ti­vas do FGTS fei­ta pe­lo go­ver­no do ex-pre­si­den­te Mi­chel Te­mer, em 2017. À épo­ca, 46% dos sa­ques fo­ram des­ti­na­dos a re­du­zir o en­di­vi­da­men­to. Des­de en­tão, o com­pro­me­ti­men­to mé­dio da ren­da fa­mi­li­ar do bra­si­lei­ro re­gre­diu.

“Uma par­ce­la não des­pre­zí­vel se­rá des­ti­na­da a con­su­mo em ja­nei­ro e fe­ve­rei­ro (de 2020), mas é con­su­mo fu­tu­ro, é pou­pan­ça”, acres­cen­tou Ben­tes. “O FGTS (li­be­ra­do em 2017) con­tri­buiu pa­ra a di­mi­nui­ção do com­pro­me­ti­men­to da ren­da. Co­mo a si­tu­a­ção es­tá um pou­co me­lhor do que em 2017, es­se por­cen­tu­al des­ti­na­do ao aba­ti­men­to de dí­vi­das ten­de a ser me­nor”, dis­se.

Os seg­men­tos do va­re­jo que mais se­rão be­ne­fi­ci­a­dos pe­los sa­ques es­te ano se­rão ves­tuá­rio e cal­ça­dos (R$ 3,3 bi­lhões), hi­per­mer­ca­do e su­per­mer­ca­dos (R$ 2,5 bi­lhão), mó­veis e ele­tro­do­més­ti­cos (R$ 1,7 bi­lhões) e uti­li­da­des do­més­ti­cas e ele­tro­e­le­trô­ni­cos (R$ 0,9 bi­lhão). O tra­ba­lha­dor pri­o­ri­za­rá a com­pra de bens du­rá­veis e se­mi­du­rá­veis em de­tri­men­to de bens es­sen­ci­ais, mes­mo no se­tor de su­per­mer­ca­dos, que di­ver­si­fi­ca­ram a ces­ta de pro­du­tos es­pe­ci­al­men­te via co­mér­cio ele­trô­ni­co.

“Ge­ral­men­te quan­do se per­ce­be R$ 500 a mais no bol­so ines­pe­ra­dos, o con­su­mi­dor não vai cor­rer pa­ra o su­per­mer­ca­do, ele vai a uma lo­ja com­prar um item que ele não po­de­ria com­prar num mês nor­mal”, con­cluiu Ben­tes.

CNC INFOGRÁFIC­O/ES­TA­DÃO

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