Ho­mi­cí­dio cai 10%; le­ta­li­da­de da po­lí­cia so­be 20%

Vi­o­lên­cia. Fo­ram 157 re­la­tos por dia, de acor­do com da­dos di­vul­ga­dos on­tem pe­lo Fó­rum Bra­si­lei­ro de Se­gu­ran­ça Pú­bli­ca; a que­da ocor­reu em 23 das 27 uni­da­des da Fe­de­ra­ção, com des­ta­que ne­ga­ti­vo pa­ra a Re­gião Nor­te. São Pau­lo man­tém o me­nor ín­di­ce de cri­mes

O Estado de S. Paulo - - Primeira página - Mar­co An­to­nio Car­va­lho / COLABORARA­M FAUS­TO MA­CE­DO e PE­PI­TA OR­TE­GA

Os ho­mi­cí­di­os caí­ram 10% em 2018, atin­gin­do o me­nor ní­vel des­de 2011, diz o Fó­rum Bra­si­lei­ro de Se­gu­ran­ça Pú­bli­ca. Hou­ve re­du­ção em 23 das 27 uni­da­des da Fe­de­ra­ção. A le­ta­li­da­de po­li­ci­al avan­çou 20%, res­pon­den­do por uma em ca­da dez mor­tes no País.

O Brasil re­gis­trou 57.341 ho­mi­cí­di­os em 2018, o equi­va­len­te a 157 ca­sos por dia, de acor­do com da­dos di­vul­ga­dos on­tem pe­lo Fó­rum Bra­si­lei­ro de Se­gu­ran­ça Pú­bli­ca. O nú­me­ro re­pre­sen­ta uma que­da de 10,4% em re­la­ção aos re­gis­tros de 2017, ano em que a briga en­tre fac­ções fez a vi­o­lên­cia no País ba­ter re­cor­de. A quan­ti­da­de de as­sas­si­na­tos é a me­nor des­de 2013 e a ta­xa de 27,5 por 100 mil ha­bi­tan­tes, a me­nor des­de 2011.

Os da­dos são com­pi­la­dos pe­lo Fó­rum com ba­se nos re­gis­tros po­li­ci­ais de ca­da Es­ta­do e le­vam em con­si­de­ra­ção ho­mi­cí­di­os do­lo­sos (qu­an­do há in­ten­ção de ma­tar), la­tro­cí­ni­os (rou­bo se­gui­do de mor­te), le­sões cor­po­rais se­gui­das de mor­te e óbi­tos de­cor­ren­tes de in­ter­ven­ção po­li­ci­al. A re­du­ção é a pri­mei­ra no­ta­da des­de 2015.

De acor­do com o re­la­tó­rio, a que­da ocor­reu em 23 das 27 uni­da­des da Fe­de­ra­ção, em to­das as re­giões do País. A re­du­ção foi pro­por­ci­o­nal­men­te mais acen­tu­a­da no Acre (-25%), mas foi em Per­nam­bu­co (-23,4%) que a que­da te­ve mai­or pe­so: en­tre 2017 e 2018, o Es­ta­do te­ve 1.257 ho­mi­cí­di­os a me­nos, qua­se 20% de to­da a re­du­ção na­ci­o­nal. Tam­bém ti­ve­ram re­du­ções sig­ni­fi­ca­ti­vas nas ta­xas os Es­ta­dos de Mi­nas (-21,4%), Rio Gran­de do Sul (-21%) e Ala­go­as (19,8%). A me­nor ta­xa ain­da per­ten­ce a São Pau­lo, 9,5. “A que­da re­to­ma o pa­ta­mar an­te­ri­or a 2014, que já era al­to. A re­du­ção, en­tão, não sig­ni­fi­ca que con­se­gui­mos mu­dar a si­tu­a­ção de for­ma sig­ni­fi­ca­ti­va, mas que a cri­se vis­ta em 2016 e 2017 foi em par­te su­pe­ra­da”, dis­se o di­re­tor­pre­si­den­te do Fó­rum, o sociólogo Re­na­to Sér­gio de Li­ma.

Na ou­tra pon­ta, qua­tro Es­ta­dos ti­ve­ram al­ta na vi­o­lên­cia, des­to­an­do do ce­ná­rio na­ci­o­nal. To­dos são da Re­gião Nor­te: Ro­rai­ma, To­can­tins, Ama­pá e Pa­rá. A ta­xa de as­sas­si­na­tos por 100 mil ha­bi­tan­tes te­ve al­ta de 65% em Ro­rai­ma. Mas ca­da vez mais Es­ta­dos avançam: en­tre 2015 e 2016, hou­ve que­da em cin­co; en­tre 2016 e 2017, em 15; e en­tre 2017 e 2018, em 23.

Os nú­me­ros con­tras­tam com o re­cor­de de 2017, qu­an­do mais de 64 mil as­sas­si­na­tos acon­te­ce­ram e a briga na­ci­o­nal en­tre fac­ções foi apon­ta­da co­mo ca­ta­li­sa­do­ra da vi­o­lên­cia. Aque­le foi o ano dos mas­sa­cres em pre­sí­di­os de Ma­naus, Boa Vis­ta e Na­tal. A briga co­or­de­na­da de den­tro de pre­sí­di­os tam­bém ga­nhou as ru­as e fez dis­pa­rar ín­di­ces no Ce­a­rá, por exem­plo, on­de os ho­mi­cí­di­os pas­sa­ram de 3,5 mil em 2016 pa­ra 5,3 mil.

Uma aco­mo­da­ção des­sas for­ças cri­mi­no­sas ali­a­da a po­lí­ti­cas es­ta­du­ais de se­gu­ran­ça pú­bli­ca mais efi­ca­zes são apon­ta­das co­mo res­pon­sá­veis pe­la que­da ob­ti­da em 2018 não só no Ce­a­rá, on­de os as­sas­si­na­tos caí­ram pa­ra 4,7 mil, mas em to­do o País. O ano pas­sa­do, lem­bram os es­pe­ci­a­lis­tas, foi de elei­ção e a dis­pu­ta te­ve co­mo pon­to cen­tral o te­ma da se­gu­ran­ça, le­van­do go­ver­na­do­res a aper­fei­ço­ar ou im­ple­men­tar pro­gra­mas vol­ta­dos pa­ra a área. “O gran­de te­mor é que os ga­nhos de 2018 se­jam com­pro­me­ti­dos na em­pol­ga­ção sem que se sai­ba o que fa­zer pa­ra tor­nar a que­da uma cons­tan­te”, diz Re­na­to Sér­gio de Li­ma.

Atu­al­men­te. Os da­dos pre­li­mi­na­res de 2019 di­vul­ga­dos pe­lo governo fe­de­ral apon­tam pa­ra a con­ti­nui­da­de da que­da nos ho­mi­cí­di­os. Pa­ra o Fó­rum, is­so ocor­re gra­ças a ações es­ta­du­ais. Já o ministro Sér­gio Mo­ro (Justiça e Se­gu­ran­ça Pú­bli­ca) dis­se que ig­no­rar as ações do governo fe­de­ral na área, so­bre­tu­do con­tra fac­ções, “é pro­du­to da ce­guei­ra ide­o­ló­gi­ca”.

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