Con­fir­ma-se o re­cor­de da sa­fra de grãos

O Estado de S. Paulo - - Economia -

O úl­ti­mo le­van­ta­men­to da Com­pa­nhia Na­ci­o­nal de Abas­te­ci­men­to (Co­nab) aca­ba de con­fir­mar o que se pre­via nos úl­ti­mos me­ses: a sa­fra de grãos 2018/2019 de­ve­rá atin­gir o re­cor­de de 242,1 mi­lhões de to­ne­la­das, su­pe­ran­do em 1,4 mi­lhão de to­ne­la­das o re­cor­de an­te­ri­or ob­ser­va­do em 2017, de 237,6 mi­lhões. É no­tí­cia im­por­tan­te pa­ra os con­su­mi­do­res bra­si­lei­ros que de­man­dam ali­men­tos a cus­tos mó­di­cos e pa­ra as ne­ces­si­da­des de ex­por­ta­ção do País, que nes­te ano de­pen­de mais das ven­das ao ex­te­ri­or de pro­du­tos agro­pe­cuá­ri­os pa­ra as­se­gu­rar um su­pe­rá­vit ele­va­do na ba­lan­ça co­mer­ci­al (di­fe­ren­ça en­tre ex­por­ta­ções e im­por­ta­ções). É da se­gu­ran­ça ali­men­tar e da se­gu­ran­ça do ba­lan­ço de pa­ga­men­tos, por­tan­to, que se tra­ta.

O plan­tio de 63,2 mi­lhões de hec­ta­res, 2,4% mais do que na sa­fra 2017/2018, per­mi­tiu for­te aumento na se­gun­da sa­fra de mi­lho e na sa­fra de al­go­dão, ao mes­mo tem­po que ha­via uma re­cu­pe­ra­ção da so­ja. Os re­sul­ta­dos fo­ram pi­o­res no plan­tio de fei­jão e de ar­roz, mas a pro­du­ção bas­ta pa­ra man­ter a ofer­ta no mer­ca­do in­ter­no, a pre­ços mó­di­cos. A pro­du­ção de grãos e ole­a­gi­no­sas aju­da a man­ter in­fla­ção bai­xa.

O gran­de des­ta­que é o mi­lho, cu­ja pro­du­ção de 80,7 mi­lhões de to­ne­la­das na sa­fra 2017/2018 de­ve­rá cres­cer 23,9% pa­ra qua­se 100 mi­lhões de to­ne­la­das na sa­fra 2018/2019. A se­gun­da sa­fra de mi­lho de­ve­rá cres­cer 36,9%.

Tam­bém a sa­fra de al­go­dão traz bo­as no­tí­ci­as, com al­ta em re­la­ção à an­te­ri­or de 35,9%, tan­to no pro­du­to em ca­ro­ço co­mo em plu­ma.

Com que­da da pro­du­ção de 3,6% en­tre as sa­fras de 2017/2018 e de 2018/2019, a so­ja, prin­ci­pal item agrí­co­la do País, te­ve pi­or re­sul­ta­do, em de­cor­rên­cia da fal­ta de chu­vas e me­nor pro­du­ti­vi­da­de.

Sal­vo exceções, é ex­pres­si­vo o aumento da pro­du­ti­vi­da­de. Es­ta de­cor­re não só de téc­ni­cas de cul­ti­vo, mas da qua­li­fi­ca­ção da mão de obra e dos pe­sa­dos in­ves­ti­men­tos em má­qui­nas mo­der­nas, além do cli­ma.

A for­ça do agro­ne­gó­cio as­se­gu­ra aces­so cres­cen­te do País aos mer­ca­dos glo­bais. Is­so de­cor­re da ação dos em­pre­sá­ri­os lo­cais e não de­ve ser di­fi­cul­ta­do por tra­pa­lha­das do go­ver­no Bol­so­na­ro, co­mo nas ques­tões re­la­ci­o­na­das ao meio am­bi­en­te. Es­tas ques­tões têm de ser tra­ta­das com pru­dên­cia, pa­ra que pro­du­to­res bra­si­lei­ros não so­fram re­ta­li­a­ção, co­mo se te­me da­do o im­pac­to do aumento de áre­as de­vas­ta­das na Re­gião Amazô­ni­ca.

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