O êxi­to da re­for­ma trabalhist­a

O Estado de S. Paulo - - Primeira página -

Ino­va­ções sen­sa­tas re­du­zi­ram ações ju­di­ci­ais e coi­bi­ram a in­dús­tria das re­cla­ma­ções.

Àme­di­da que as no­vas re­gras tra­ba­lhis­tas in­tro­du­zi­das pe­la Lei 13.467 vão sen­do apli­ca­das pe­lo Ju­di­ciá­rio, vai fi­can­do evi­den­te o su­ces­so da re­for­ma da ana­crô­ni­ca Con­so­li­da­ção das Leis do Tra­ba­lho (CLT) pro­mo­vi­da pe­lo go­ver­no Mi­chel Te­mer. San­ci­o­na­da em ju­lho de 2017, en­trou em vi­gor em no­vem­bro. Em me­nos de dois anos, ino­va­ções sen­sa­tas não só pro­pi­ci­a­ram uma sig­ni­fi­ca­ti­va re­du­ção do nú­me­ro de no­vas ações ju­di­ci­ais e do es­to­que de pro­ces­sos, mas, igual­men­te, coi­bi­ram a cha­ma­da in­dús­tria das re­cla­ma­ções, da­da a ten­dên­cia dos em­pre­ga­dos de pro­ces­sar os em­pre­ga­do­res por qual­quer pre­tex­to e com ba­se em acu­sa­ções mui­tas ve­zes des­ca­bi­das.

Co­mo, pe­las re­gras an­te­ri­o­res, o em­pre­ga­do que per­des­se a cau­sa não ti­nha a obri­ga­ção de ar­car com os cus­tos dos lau­dos pe­ri­ci­ais e dos ho­no­rá­ri­os das par­tes ven­ce­do­ras, is­so o es­ti­mu­la­va a fa­zer rei­vin­di­ca­ções ab­sur­das. E, em vez de dis­cu­tir ques­tões ju­rí­di­cas con­cre­tas e apre­sen­tar pro­vas e do­cu­men­tos, o li­ti­gan­te apro­vei­ta­va a au­di­ên­cia de con­ci­li­a­ção pa­rar fa­zer um acor­do com o em­pre­ga­dor, ga­nhan­do as­sim um di­nhei­ro fá­cil.

As no­vas re­gras cri­a­ram exi­gên­ci­as pa­ra os tra­ba­lha­do­res, obri­gan­do-os, no ca­so de der­ro­ta na dis­pu­ta ju­di­ci­al, a pa­gar os ho­no­rá­ri­os de su­cum­bên­cia aos ad­vo­ga­dos da par­te ven­ce­do­ra. Es­sa ino­va­ção tor­nou o

pro­ces­so trabalhist­a mais res­pon­sá­vel e fe­chou a por­ta pa­ra os cha­ma­dos aven­tu­rei­ros ju­di­ci­ais. Is­so por­que, pa­ra afas­ta­rem o ris­co de ser der­ro­ta­dos, os tra­ba­lha­do­res pas­sa­ram a pen­sar me­lhor an­tes de fa­zer uma re­cla­ma­ção e a to­mar ain­da mais cui­da­do an­tes de fa­zer uma acu­sa­ção.

Com a re­du­ção do nú­me­ro de pe­di­dos fei­tos nu­ma ação, o ta­ma­nho das pe­ti­ções ini­ci­ais di­mi­nuiu, uma vez que os tra­ba­lha­do­res pas­sa­ram a rei­vin­di­car so­men­te aqui­lo que re­al­men­te con­se­guem pro­var. Is­so tam­bém fa­ci­li­tou o tra­ba­lho dos juí­zes tra­ba­lhis­tas, pois pe­ti­ções en­xu­tas e pro­vas bem do­cu­men­ta­das po­dem ser jul­ga­das mais ra­pi­da­men­te e com fun­da­men­tos ju­rí­di­cos mais con­sis­ten­tes.

Por con­sequên­cia, no pri­mei­ro ano de vi­gên­cia das no­vas re­gras, en­tre de­zem­bro de 2017 e de­zem­bro de 2018, as va­ras tra­ba­lhis­tas re­gis­tra­ram uma que­da de 36% no nú­me­ro de no­vos pro­ces­sos ju­di­ci­ais. Além dis­so, em de­zem­bro de 2017, 2,4 mi­lhões de pro­ces­sos aguar­da­vam jul­ga­men­to nas va­ras e nos Tri­bu­nais Re­gi­o­nais do Tra­ba­lho. Em agos­to de 2018, o nú­me­ro caiu pa­ra 1,9 mi­lhão de pro­ces­sos e, em de­zem­bro do mes­mo ano, pa­ra cer­ca de 1,4 mi­lhão.

A re­du­ção mais sig­ni­fi­ca­ti­va se deu nas ações por da­nos mo­rais, em vis­ta de sua ba­na­li­za­ção an­tes da en­tra­da em vi­gor da Lei 13.467. Em seu pri­mei­ro ano de vi­gên­cia, elas caí­ram 80%. Os da­dos são do Tri­bu­nal Su­pe­ri­or do Tra­ba­lho. Pe­las es­ti­ma­ti­vas da Con­fe­de­ra­ção do Comércio, a re­du­ção de gas­tos com in­de­ni­za­ções tra­ba­lhis­tas foi de R$ 1 bi­lhão.

Com­pu­ta­dos os nú­me­ros do pri­mei­ro se­mes­tre de 2019, o nú­me­ro de ações à es­pe­ra de jul­ga­men­to caiu pa­ra 959 mil. É a pri­mei­ra vez, em 12 anos, que o es­to­que de ações da Jus­ti­ça do Tra­ba­lho fi­cou abai­xo de 1 mi­lhão. Em 2007, o es­to­que foi de 946 mil re­cla­ma­ções em tra­mi­ta­ção. Com me­nos ações sen­do pro­to­co­la­das, os juí­zes tra­ba­lhis­tas fi­nal­men­te ti­ve­ram o tem­po de que ne­ces­si­ta­vam pa­ra dar an­da­men­to a pro­ces­sos an­ti­gos com pau­tas e jul­ga­men­tos atra­sa­dos, au­men­tan­do, as­sim, os ín­di­ces de pro­du­ti­vi­da­de da Jus­ti­ça Trabalhist­a.

To­dos es­ses ga­nhos, con­tu­do, ain­da não são de­fi­ni­ti­vos. Sin­di­ca­tos tra­ba­lhis­tas ques­ti­o­na­ram no Su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral a su­pres­são do aces­so gra­tui­to dos tra­ba­lha­do­res à Jus­ti­ça do Tra­ba­lho e a imposição do pa­ga­men­to de ho­no­rá­ri­os de su­cum­bên­cia aos tra­ba­lha­do­res. Se a Cor­te aco­lher es­se re­cur­so e anu­lar re­gras que es­tão em vi­gor há qua­se dois anos, as va­ras tra­ba­lhis­tas po­de­rão vol­tar a so­frer uma ava­lan­che de ações im­pe­tra­das por aven­tu­rei­ros ju­di­ci­ais e li­ti­gan­tes de má-fé. Co­mo o sal­do da re­for­ma trabalhist­a é po­si­ti­vo e o re­cur­so im­pe­tra­do no Su­pre­mo tem fun­da­men­ta­ção mais po­lí­ti­ca do que ju­rí­di­ca, é de es­pe­rar que a Cor­te te­nha bom sen­so e o re­jei­te.

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