Úl­ti­ma vi­tó­ria bra­si­lei­ra na F-1 faz dez anos

Triunfo foi ob­ti­do por Ru­bens Bar­ri­chel­lo no GP da Itá­lia, em Mon­za, com um car­ro da Brawn

O Estado de S. Paulo - - Esportes - Ci­ro Cam­pos

A ban­dei­ra e o hi­no bra­si­lei­ros ti­ve­ram des­ta­que na Fór­mu­la 1 pe­la úl­ti­ma vez há exa­tos dez anos. Em 13 de se­tem­bro de 2009, no GP da Itá­lia, em Mon­za, Ru­bens Bar­ri­chel­lo cru­zou a li­nha de che­ga­da na fren­te e abriu lon­go hi­a­to pa­ra o au­to­mo­bi­lis­mo na­ci­o­nal. De­pois, ne­nhum pi­lo­to do País su­biu ao de­grau mais al­to do pó­dio e cer­ta­men­te es­sa es­pe­ra con­ti­nu­a­rá por mais al­guns anos.

O re­cor­dis­ta de GPs na ca­te­go­ria, com 323 pro­vas, vi­via em 2009 uma tem­po­ra­da es­pe­ci­al. De­pois de três anos na Hon­da, equi­pe de pou­co ren­di­men­to, Bar­ri­chel­lo des­fru­tou da boa performanc­e da sur­pre­en­den­te Brawn. A es­cu­de­ria in­gle­sa es­ta­va qua­se fa­li­da, mas con­se­guiu de­sen­vol­ver um óti­mo car­ro ao se apro­vei­tar de uma bre­cha no re­gu­la­men­to. A exis­tên­cia de uma es­tru­tu­ra cha­ma­da di­fu­sor du­plo deu aos mo­de­los mais ade­rên­cia e ren­di­men­to.

A Brawn do­mi­nou o ano e aju­dou o in­glês Jen­son But­ton a se sa­grar cam­peão. Mas até a de­fi­ni­ção do tí­tu­lo, o cam­pe­o­na­to foi emo­ci­o­nan­te.

Se em 2019 o Bra­sil não tem re­pre­sen­tan­tes na Fór­mu­la 1, há dez anos o País vi­via uma tem­po­ra­da in­ten­sa: Fe­li­pe Mas­sa era vi­ce-cam­peão mun­di­al, Bar­ri­chel­lo vol­ta­va a ser com­pe­ti­ti­vo e Nel­si­nho Pi­quet vi­nha de um bom ano de es­treia, quan­do ob­te­ve até o se­gun­do lu­gar no GP da Ale­ma­nha.

O cam­pe­o­na­to co­me­çou com vi­tó­ri­as de But­ton nas seis das se­te pri­mei­ras cor­ri­das. Bar­ri­chel­lo

101 vi­tó­ri­as con­quis­ta­ram ao lon­go da his­tó­ria os pi­lo­tos bra­si­lei­ros na Fór­mu­la 1. Ayr­ton Sen­na é o mai­or ven­ce­dor, com 41; Nel­son Pi­quet ga­nhou 23 cor­ri­das

re­a­giu mais adi­an­te, ven­ceu o GP da Eu­ro­pa, em Va­lên­cia, e se­ma­nas de­pois de­sem­bar­cou na Itá­lia co­mo vi­ce-lí­der. O bra­si­lei­ro lar­gou em quin­to lu­gar em Mon­za e se deu bem gra­ças à es­tra­té­gia de só fa­zer uma pa­ra­da nos bo­xes. Nas vol­tas fi­nais, ele ad­mi­nis­trou o des­gas­te dos pneus e a pres­são de But­ton pa­ra dar ao Bra­sil a sua 101.ª vi­tó­ria na Fór­mu­la 1.

O ano ter­mi­nou com o tí­tu­lo de But­ton e o ale­mão Se­bas­ti­an Vet­tel co­mo se­gun­do co­lo­ca­do. Bar­ri­chel­lo fi­cou em ter­cei­ro lu­gar. De­pois da pro­va na Itá­lia, Ru­bi­nho ja­mais vol­tou a su­bir no pó­dio na Fór­mu­la 1. E o País viu os re­pre­sen­tan­tes na ca­te­go­ria per­de­rem o pro­ta­go­nis­mo. As vi­tó­ri­as nun­ca mais vi­e­ram e so­men­te mais du­as ve­zes um bra­si­lei­ro fez a po­le po­si­ti­on na Fór­mu­la 1 – o pró­prio Bar­ri­chel­lo no Bra­sil, em 2009, e Fe­li­pe Mas­sa na Áus­tria, em 2014

O hi­a­to de dez anos sem vi­tó­ria na F-1 já é o mai­or pe­río­do do Bra­sil sem con­quis­tas na ca­te­go­ria. O País não co­me­mo­ra um tí­tu­lo des­de Ayr­ton Sen­na, em 1991, e te­ve pe­la úl­ti­ma vez um re­pre­sen­tan­te no cam­pe­o­na­to em 2017. E a ten­dên­cia, pe­lo me­nos até ago­ra, é não ter ne­nhum bra­si­lei­ro no grid em 2020.

MAX ROS­SI/REU­TERS - 13/9/2009

Bons tem­pos. Bar­ri­chel­lo co­me­mo­ra a vi­tó­ria em Mon­za

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