Ser­vi­ço e va­re­jo ali­vi­am pres­são so­bre PIB

Al­ta de 0,8% do se­tor em ju­lho, ali­a­da ao avan­ço de 1% do va­re­jo, ti­ra do ce­ná­rio a es­ti­ma­ti­va de um cres­ci­men­to ze­ro da eco­no­mia

O Estado de S. Paulo - - Economia - Da­ni­e­la Amorim / RIO Már­cia De Chi­a­ra / SÃO PAU­LO / CO­LA­BO­RA­RAM CÍCERO COTRIM E THAÍS BARCELLOS

De­pois da sur­pre­sa po­si­ti­va com o de­sem­pe­nho do va­re­jo em ju­lho, ago­ra foi a vez de o se­tor de ser­vi­ços tam­bém ani­mar eco­no­mis­tas so­bre um pos­sí­vel aque­ci­men­to do con­su­mo das fa­mí­li­as. O vo­lu­me de ser­vi­ços pres­ta­dos no País su­biu 0,8% em re­la­ção a ju­nho, o me­lhor de­sem­pe­nho pa­ra o mês des­de 2011, se­gun­do da­dos do Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Ge­o­gra­fia e Es­ta­tís­ti­ca (IBGE).

A ex­pec­ta­ti­va de ana­lis­tas do mer­ca­do fi­nan­cei­ro ou­vi­dos pe­lo Pro­je­ções Bro­ad­cast era de um cres­ci­men­to me­di­a­no de 0,15%. O va­re­jo, por sua vez, cres­ceu 1% em ju­lho an­te ju­nho, en­quan­to o mer­ca­do es­pe­ra­va al­ta de ape­nas 0,1%.

O re­sul­ta­do traz uma pers­pec­ti­va mais fa­vo­rá­vel pa­ra o ce­ná­rio econô­mi­co do se­gun­do se­mes­tre, que ain­da de­ve ter o im­pul­so da li­be­ra­ção de R$ 30 bi­lhões de re­cur­sos ex­tras das con­tas ina­ti­vas do FGTS e do PIS/Pa­sep. Mes­mo as­sim, eco­no­mis­tas pre­fe­rem aguar­dar no­vos da­dos pa­ra ava­li­ar se es­sa po­de ser uma re­to­ma­da sus­ten­tá­vel da ati­vi­da­de econô­mi­ca.

Se­gun­do a eco­no­mis­ta-che­fe da con­sul­to­ria Ro­sen­berg As­so­ci­a­dos, Thaís Za­ra, no ca­so es­pe­cí­fi­co dos ser­vi­ços, es­tá evi­den­te que o se­tor pas­sa por um pro­ces­so de re­cu­pe­ra­ção econô­mi­ca. “No acu­mu­la­do dos úl­ti­mos 12 me­ses, é um se­tor que tem cres­ci­men­to de 0,9%.”

O bom de­sem­pe­nho dos ser­vi­ços e do va­re­jo em ju­lho não es­ta­va no ra­dar e dá um alí­vio pa­ra a pers­pec­ti­va do Pro­du­to In­ter­no Bru­to (PIB) do ter­cei­ro tri­mes­tre, mas não su­ge­re eu­fo­ria, opi­nou Da­ni­el Sil­va, eco­no­mis­ta da ges­to­ra de re­cur­sos No­vus Ca­pi­tal.

“Os da­dos de ju­lho afas­tam de for­ma mais de­fi­ni­ti­va a pos­si­bi­li­da­de de PIB ze­ro ou ne­ga­ti­vo no ter­cei­ro tri­mes­tre, mas ain­da é ce­do pa­ra re­ver pa­ra ci­ma pro­je­ção de 0,2% (no tri­mes­tre). Pa­ra ter PIB aci­ma dis­so e mais pró­xi­mo de 0,5% te­ría­mos de ver não só uma me­lho­ra do con­su­mo, mas uma aju­da da in­dús­tria, que de­ve con­ti­nu­ar fra­ca em agos­to”, dis­se Sil­va.

A in­dús­tria, um dos mo­to­res da ati­vi­da­de econô­mi­ca, ain­da es­tá no ver­me­lho, lem­brou Thi­a­go Xa­vi­er, eco­no­mis­ta da Ten­dên­ci­as Con­sul­to­ria In­te­gra­da. A pro­du­ção in­dus­tri­al en­co­lheu 0,3% em ju­lho an­te ju­nho. O se­tor sen­tiu os efei­tos da gu­er­ra co­mer­ci­al en­tre EUA e Chi­na, da cri­se ar­gen­ti­na e acu­mu­lou es­to­ques in­de­se­ja­dos nos úl­ti­mos me­ses.

Fa­bio Ben­tes, eco­no­mis­ta­che­fe da Con­fe­de­ra­ção Na­ci­o­nal do Comércio, tam­bém es­tá cau­te­lo­so. “Não dá pa­ra di­zer que se tra­ta de uma ten­dên­cia por con­ta dos fra­cos re­sul­ta­dos do mer­ca­do de tra­ba­lho.”

Ba­lan­ço. A ex­pan­são de 0,8% ob­ti­da pe­los ser­vi­ços ape­nas re­cu­pe­ra a per­da de 0,7% do mês an­te­ri­or, pon­de­rou o ge­ren­te da Pes­qui­sa Men­sal de Ser­vi­ços do IBGE, Ro­dri­go Lo­bo. Se­gun­do ele, mes­mo a al­ta de 0,8% acu­mu­la­da de ja­nei­ro a ju­lho de 2019 “es­tá mui­to mais li­ga­da à ba­se de­pre­ci­a­da do que a uma tra­je­tó­ria de re­cu­pe­ra­ção”.

De 2015 a 2017, o se­tor de ser­vi­ços acu­mu­lou uma per­da de 11,0%, se­gui­da por uma es­tag­na­ção em 2018. No ano de 2019, o se­tor fi­cou po­si­ti­vo em ape­nas três dos se­te me­ses já di­vul­ga­dos e es­tá 1,2% abai­xo do pa­ta­mar que en­cer­rou o ano pas­sa­do. “Con­ti­nua er­rá­ti­co o com­por­ta­men­to do se­tor de ser­vi­ços”, re­su­miu Ro­dri­go Lo­bo, do IBGE.

• Cau­te­la “Não dá pa­ra di­zer que se tra­ta de uma ten­dên­cia por con­ta dos fra­cos re­sul­ta­dos do mer­ca­do de tra­ba­lho.” Fa­bio Ben­tes ECO­NO­MIS­TA DA CNC

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