‘PIB do BC’ tem que­da de 0,16% em ju­lho

In­di­ca­dor IBC-BR apon­ta no­va que­da no de­sem­pe­nho da eco­no­mia bra­si­lei­ra em ju­lho, após re­gis­trar avan­ço de 0,34% no mês an­te­ri­or

O Estado de S. Paulo - - Economia - Edu­ar­do Ro­dri­gues / BRA­SÍ­LIA / COLABORARA­M THAÍS BARCELLOS E CÍ­CE­RO COTRIM

O de­sem­pe­nho da eco­no­mia bra­si­lei­ra vol­tou a cair em ju­lho, de acor­do com o Ín­di­ce de Ati­vi­da­de Econô­mi­ca do Ban­co Cen­tral (IBC-Br). O in­di­ca­dor co­nhe­ci­do co­mo uma pré­via do de­sem­pe­nho do Pro­du­to In­ter­no Bru­to (PIB) e que ser­ve co­mo pa­râ­me­tro pa­ra ava­li­ar o rit­mo da ati­vi­da­de do­més­ti­ca ao lon­go dos me­ses. O ín­di­ce caiu 0,16% em ju­lho em com­pa­ra­ção a ju­nho, na sé­rie com ajus­te sa­zo­nal, após re­gis­trar avan­ço de 0,34% em ju­nho. Se­gun­do o BC, o in­di­ca­dor atin­giu o me­nor pa­ta­mar des­de maio des­te ano.

A con­tra­ção do IBC-Br foi mai­or do que a me­di­a­na das es­ti­ma­ti­vas dos ana­lis­tas do mer­ca­do fi­nan­cei­ro, cal­cu­la­da pe­lo Bro­ad­cast Pro­je­ções. O le­van­ta­men­to in­di­ca­va des­de uma que­da de 0,40% até uma al­ta de 0,60%, com me­di­a­na ne­ga­ti­va em 0,08%.

Na sé­rie sem ajus­te sa­zo­nal, o IBC-Br acu­mu­la al­ta de 0,78% nos se­te pri­mei­ros me­ses do ano e de 1,07% nos 12 me­ses en­cer­ra­dos em ju­lho. A pro­je­ção atual do Ban­co Cen­tral pa­ra o PIB é de um cres­ci­men­to de 0,8% em 2019.

O mer­ca­do fi­nan­cei­ro di­ver­giu so­bre o re­sul­ta­do do in­di­ca­dor. Pa­ra o eco­no­mis­ta Ju­lio Ce­sar Barros, da Mon­ge­ral Ae­gon In­ves­ti­men­tos, já não é mais pos­sí­vel des­car­tar uma re­du­ção da ati­vi­da­de econô­mi­ca no ter­cei­ro tri­mes­tre – mes­mo de­pois da di­vul­ga­ção de in­di­ca­do­res me­lho­res no co­mér­cio e nos ser­vi­ços.

“O IBC-Br amor­na a per­cep­ção so­bre ati­vi­da­de de­pois do co­mér­cio e dos ser­vi­ços. Trou­xe tu­do de vol­ta pa­ra o lu­gar, com a ava­li­a­ção de que a re­cu­pe­ra­ção é len­ta e gra­du­al. Vamos ve­ri­fi­car os da­dos de agos­to pa­ra ob­ser­var se vai ca­mi­nhar pa­ra PIB ne­ga­ti­vo ou não”, dis­se Barros, que, por ora, man­tém a es­ti­ma­ti­va pa­ra o PIB do ter­cei­ro tri­mes­tre de al­ta de 0,10%. Pa­ra o ano, a ex­pec­ta­ti­va é a mes­ma do Ban­co Cen­tral, cres­ci­men­to de 0,8%.

Já o eco­no­mis­ta-che­fe do Ban­co Hai­tong, Flávio Ser­ra­no, o re­sul­ta­do do IBC-Br ain­da não in­vi­a­bi­li­za um cres­ci­men­to do Pro­du­to In­ter­no Bru­to (PIB) no ter­cei­ro tri­mes­tre. “Is­so mos­tra co­mo es­tá a eco­no­mia ago­ra: cai um pou­co, vol­ta, mas, no ge­ral, tem es­sa tra­je­tó­ria de cres­ci­men­to”, ex­pli­ca Ser­ra­no. Pa­ra Ser­ra­no, re­sul­ta­dos mais ex­pres­si­vos só de­vem co­me­çar a apa­re­cer no quar­to tri­mes­tre do ano, com a li­be­ra­ção dos sa­ques do FGTS. “Por en­quan­to, to­dos os in­di­ca­do­res apon­tam pa­ra um cres­ci­men­to de 0,20% a 0,30% do PIB do ter­cei­ro tri­mes­tre e um avan­ço anu­al de 0,90%.” Na ava­li­a­ção de­le, um rit­mo mais con­sis­ten­te e ace­le­ra­do de cres­ci­men­to só de­ve ocor­rer a par­tir de 2020.

Pa­ra o eco­no­mis­ta Lu­ka Bar­bo­sa, do Itaú Uni­ban­co, por ou­tro la­do, os in­di­ca­do­res de va­re­jo e ser­vi­ços eli­mi­na­ram, por ora, o ris­co de PIB ne­ga­ti­vo no ter­cei­ro tri­mes­tre – ape­sar das indicações do IBC-Br. Com es­ses da­dos, o Itaú al­te­rou a pro­je­ção pre­li­mi­nar do PIB do ter­cei­ro tri­mes­tre de que­da de 0,20% pa­ra al­ta de 0,20%. “Não há si­nal de ace­le­ra­ção da eco­no­mia ain­da, mas re­du­ziu o ris­co de bai­xa da pro­je­ção pa­ra o PIB de 2019 de 0,8%”, dis­se Bar­bo­sa, ci­tan­do que os in­di­ca­do­res do ban­co mos­tram um rit­mo de cres­ci­men­to anu­a­li­za­do de 1,0%.

Ex­pec­ta­ti­va. Nes­ta se­ma­na, o se­cre­tá­rio de Po­lí­ti­ca Econô­mi­ca do Mi­nis­té­rio da Eco­no­mia, Adol­fo Sa­ch­si­da, dis­se que a eco­no­mia só de­ve co­me­çar a se re­cu­pe­rar de for­ma con­sis­ten­te em se­tem­bro. Se­gun­do ele, o fun­do do po­ço de­ve ser re­gis­tra­do em agos­to. “Co­mo o mi­nis­tro Pau­lo Gu­e­des (mi­nis­tro da Eco­no­mia) sem­pre fa­la, não tem voo de galinha. Te­mos de co­lo­car o Bra­sil em uma tra­je­tó­ria con­sis­ten­te de cres­ci­men­to de lon­go pra­zo. A par­tir de se­tem­bro, os in­di­ca­do­res vol­ta­rão a mos­trar re­sul­ta­dos po­si­ti­vos”, afir­mou.

TI­A­GO QU­EI­ROZ/ESTADÃO–27/3/2019

Ati­vi­da­de econô­mi­ca. Mer­ca­do fi­nan­cei­ro di­ver­ge so­bre re­sul­ta­do do in­di­ca­dor; no­va re­du­ção no 3º tri­mes­tre não é des­car­ta­da

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