Es­tri­to cum­pri­men­to da lei

O Estado de S. Paulo - - Espaço aberto -

Em 1974, a Fa­cul­da­de de Di­rei­to da USP, no Lar­go de São Francisco, in­tro­du­ziu mu­dan­ça cur­ri­cu­lar cri­an­do no 5.º ano do cur­so de ba­cha­re­la­do áre­as de sa­ber por es­pe­ci­a­li­za­ção – Di­rei­to Ci­vil, Co­mer­ci­al, Tri­bu­tá­rio e Po­lí­ti­co. Es­ta úl­ti­ma en­fo­ca­va, en­tre outros tó­pi­cos de igual im­por­tân­cia, li­ber­da­des pú­bli­cas e di­rei­tos hu­ma­nos. Sob di­ta­du­ra mi­li­tar, pou­cos por ela op­ta­ram. To­da­via os que a es­co­lhe­mos pu­de­mos des­fru­tar a in­te­li­gên­cia rara do pro­fes­sor e ago­ra ex-mi­nis­tro do STF Eros Ro­ber­to Grau. A mu­dan­ça do mun­do bra­si­lei­ro nos pre­mi­ou. O es­cor­ço de Eros Grau no Es­ta­do de sá­ba­do põe em de­ba­te: o Su­pre­mo Tribunal deve ser es­cra­vo da lei ou de ima­gi­na­ções já exaus­ti­va­men­te exa­cer­ba­das pe­los sóis tro­pi­cais? O ar­ti­cu­lis­ta de­mons­trou que como minimalist­a, e não como pro­ta­go­nis­ta, cons­truiu melhor Di­rei­to que outros ao vo­tar pe­lo cum­pri­men­to ri­go­ro­so da Lei da Anis­tia, em de­tri­men­to de su­as tris­tes me­mó­ri­as do cár­ce­re. Avan­ça­re­mos no mun­do ju­rí­di­co quan­do a lei – prin­ci­pal­men­te a Cons­ti­tui­ção – for senhora e rai­nha e fi­lhos de Cer­van­tes en­ten­de­rem que o STF não são ter­ras es­par­sas e im­pre­vis­tas de Espanha.

AMA­DEU R. GAR­RI­DO DE PAU­LA ama­deu­gar­ri­do­[email protected] São Paulo

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