Li­be­rais de­mo­cra­tas ame­a­çam can­ce­lar o Brexit ca­so elei­tos

Partido co­me­çou a fa­zer cam­pa­nha por no­vas elei­ções com pro­mes­sa de can­ce­lar o Ar­ti­go 50, que re­ge a saí­da da UE

O Estado de S. Paulo - - Internacio­nal - LON­DRES

O partido bri­tâ­ni­co Li­be­ral De­mo­cra­ta de­ci­diu ado­tar for­mal­men­te uma po­lí­ti­ca pa­ra in­ter­rom­per a saí­da do Reino Unido da União Europeia ca­so ven­ça a elei­ção ge­ral. O partido de­tém ape­nas 18 ca­dei­ras no Parlamento bri­tâ­ni­co, de um to­tal de 650 lu­ga­res, mas com a di­vi­são po­lí­ti­ca no país seu po­si­ci­o­na­men­to po­de ser de­ci­si­vo.

Se­gun­do o pla­no apro­va­do on­tem, os Li­be­rais De­mo­cra­tas ain­da apoi­a­ri­am um se­gun­do referendo do Brexit com uma op­ção de per­ma­nên­cia. Mas, se hou­ver uma elei­ção an­te­ci­pa­da, vão fa­zer cam­pa­nha pe­la re­vo­ga­ção do Ar­ti­go 50, que foi aci­o­na­do após o pri­mei­ro referendo e de­fi­ne os ter­mos da saí­da do Reino Unido da União Europeia.

Ape­sar de ser um partido mi­no­ri­tá­rio, os Lib Dems, como são co­nhe­ci­dos, ga­nha­ram vi­si­bi­li­da­de nas úl­ti­mas se­ma­nas porque cin­co dos 21 de­pu­ta­dos ex­pul­sos do Partido Conservado­r (por se re­be­la­rem e não apoi­a­rem as me­di­das do pre­miê Bo­ris John­son) se fi­li­a­ram ao partido. Os li­be­rais de­mo­cra­tas dizem que são o úni­co partido que de­fen­de a in­ter­rup­ção do Brexit, es­pe­ran­do con­se­guir vo­tos en­tre as 16 mi­lhões de pes­so­as que vo­ta­ram pe­la manutenção da In­gla­ter­ra no blo­co de paí­ses, em 2016.

“Va­mos pôr um fim ao pe­sa­de­lo do Brexit, que es­tá afun­dan­do o país e nos di­vi­din­do, e co­me­ça­re­mos a li­dar com as ques­tões pe­las quais as pes­so­as de­ci­di­ram vo­tar pe­la saí­da do país do blo­co”, dis­se o por­ta­voz do partido pa­ra as ques­tões do Brexit, Tom Bra­ke.

Hulk. On­tem, Bo­ris John­son ga­ran­tiu, em en­tre­vis­ta, que hou­ve “enor­mes avan­ços” pa­ra se che­gar a um acor­do com a União Europeia e com­pa­rou o Reino Unido ao In­crí­vel Hulk. “Quan­to mais o Hulk se ir­ri­ta, mais for­te fi­ca e sem­pre escapa, em­bo­ra pa­re­ça es­tar for­te­men­te pre­so, como é o ca­so des­te país. Sai­re­mos em 31 de ou­tu­bro, acre­di­tem em

mim”, dis­se John­son.

O pre­miê bri­tâ­ni­co vol­tou a afir­mar que vai re­ti­rar o Reino Unido da União Europeia no

pra­zo pre­vis­to. “Quan­do che­guei a es­te car­go, to­do mun­do di­zia que não era pos­sí­vel ne­nhu­ma mu­dan­ça no acor­do de saí­da”, dis­se o pri­mei­ro-mi­nis­tro ao jor­nal The Mail on Sun­day.

“Mas os di­ri­gen­tes da UE mu­da­ram de pa­re­cer e há uma con­ver­sa mui­to boa em cur­so so­bre como abor­dar as ques­tões da fron­tei­ra norte-ir­lan­de­sa.”

A fron­tei­ra en­tre a pro­vín­cia bri­tâ­ni­ca da Ir­lan­da do Norte e a Re­pú­bli­ca da Ir­lan­da é o prin­ci­pal en­tra­ve nos diá­lo­gos so­bre o Brexit. Pen­sa­da pa­ra evi­tar a reins­tau­ra­ção de uma fron­tei­ra fí­si­ca en­tre os dois ter­ri­tó­ri­os, a cha­ma­da “sal­va­guar­da ir­lan­de­sa” le­van­ta po­lê­mi­ca porque po­de me­xer com os acor­dos de paz que pu­se­ram fim à guer­ra ci­vil en­tre as Ir­lan­das.

CH­RIS­TOPHER FURLONG/AFP-13/9/2019

For­ça. Pa­ra John­son, Reino Unido é como o In­crí­vel Hulk

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