Syn­gen­ta en­fren­ta ri­vais com par­ce­ria e lo­ja pró­pria

O Estado de S. Paulo - - Economia -

ASyn­gen­ta estreia no va­re­jo pa­ra fa­zer fren­te a fun­dos e em­pre­sas que têm as­su­mi­do o con­tro­le de gran­des dis­tri­bui­do­ras de in­su­mos agrí­co­las no País. Es­tá abrin­do lo­jas pró­pri­as e se une à co­o­pe­ra­ti­va Co­ca­mar, de Ma­rin­gá (PR), pa­ra não per­der es­pa­ço no se­tor – um ris­co após grande nú­me­ro de re­ven­das tro­ca­rem de co­man­do. Até en­tão, o mo­de­lo era re­cor­rer ex­clu­si­va­men­te a uma quan­ti­da­de en­xu­ta de dis­tri­bui­do­res, que ga­ran­ti­am pri­o­ri­da­de aos pro­du­tos da mar­ca. A es­tra­té­gia também aju­da­rá a ex­pan­dir a atu­a­ção. Com a Co­ca­mar, a Syn­gen­ta abri­rá três lo­jas, to­das em São Paulo: em Bu­ri, Ita­pe­va e Ita­be­rá. “Pri­mei­ro ten­ta­mos le­var um dis­tri­bui­dor nos­so pa­ra uma no­va re­gião. Quan­do is­so não é pos­sí­vel, bus­ca­mos uma re­ven­da na área ou al­guém in­te­res­sa­do em atu­ar como tal. Foi o ca­so da Co­ca­mar”, conta An­dré Sa­vi­no, di­re­tor de mar­ke­ting da Syn­gen­ta. “Ou­tra al­ter­na­ti­va é abrir lo­ja pró­pria.”

» Ban­dei­ra pró­pria. No iní­cio de setembro, a Syn­gen­ta abriu em Ijuí, no no­ro­es­te gaú­cho, sua pri­mei­ra lo­ja pró­pria de in­su­mos, com a ban­dei­ra Atua Agro. Lá, ofe­re­ce de­fen­si­vos e se­men­tes, fer­ti­li­zan­tes e ser­vi­ços. No mês que vem, vai inau­gu­rar uma se­gun­da lo­ja, em San­ta Maria (RS). Ou­tras uni­da­des pró­pri­as não ne­ces­sa­ri­a­men­te vi­rão. “Se os dis­tri­bui­do­res fi­ca­rem co­nos­co, não há por que abrir mais”, diz. O fo­co é a “re­ci­pro­ci­da­de”: a re­ven­da ga­ran­te mais es­pa­ço a pro­du­tos Syn­gen­ta e, em tro­ca, a com­pa­nhia se li­mi­ta a pou­cas re­ven­das na re­gião, res­trin­gin­do as­sim a con­cor­rên­cia.

» No­vo pa­ra­dig­ma. Um con­sul­tor re­for­ça que pe­la pri­mei­ra vez em 25 anos a mu­dan­ça no mer­ca­do de in­su­mos não é di­re­ci­o­na­da ape­nas pe­la in­dús­tria. Outros ato­res sur­gi­ram. Gran­des fun­dos ad­qui­ri­ram dis­tri­bui­do­ras e já co­mer­ci­a­li­zam mais de R$ 1 bi­lhão em pro­du­tos por ano. A in­dús­tria os vê como con­cor­ren­tes e re­a­ge, com a aber­tu­ra de re­des pró­pri­as ou so­ci­e­da­des, como no ca­so da Syn­gen­ta. Há ain­da as fi­nan­cei­ras de tec­no­lo­gia, as fin­te­chs, que ofe­re­cem cus­tos de crédito mais bai­xos pa­ra os ca­nais de dis­tri­bui­ção in­de­pen­den­tes e subs­ti­tu­em os apor­tes fei­tos até ago­ra pe­las in­dús­tri­as.

» Apos­ta cer­ta. O de­sen­vol­vi­men­to de se­men­tes de mi­lho hí­bri­do pa­ra a se­gun­da sa­fra do ce­re­al, hoje a prin­ci­pal colheita do grão no País, al­çou a mar­ca Mor­gan, do grupo chi­nês LongPing High-Te­ch, à se­gun­da po­si­ção no ran­king na­ci­o­nal na sa­fra 2018/19. Ela des­ban­cou a De­kalb, da Bayer, mas se­gue atrás da Pi­o­ne­er, da Cor­te­va (ex-di­vi­são agrí­co­la da DowDuPont). Ape­nas em 2019, a Mor­gan es­tá lan­çan­do qua­tro ti­pos de se­men­tes de mi­lho sa­fri­nha, re­sul­ta­do de pes­qui­sas nos úl­ti­mos seis anos. “Há grande de­man­da por so­lu­ções pa­ra no­vas pra­gas e do­en­ças”, conta Di­o­gê­nes Pan­chi­o­ni, lí­der da mar­ca Mor­gan.

» Digital. Lan­ça­da há qua­tro me­ses, a pla­ta­for­ma de cor­re­ta­gem digital de in­su­mos agrí­co­las AGD já aten­de cli­en­tes que so­mam 250 mil hec­ta­res, grande par­te de­les so­ji­cul­to­res, e es­pe­ra al­can­çar 500 mil hec­ta­res até o fim do ano. Mar­cos Bo­te­lho, di­re­tor de Ope­ra­ções e só­cio da em­pre­sa, ex­pli­ca que AGD fa­ci­li­ta a re­a­li­za­ção de or­ça­men­tos e a che­gar a pre­ços mais ba­ra­tos. Ne­la, o pro­du­tor es­co­lhe pa­ra qual pro­du­to quer co­ta­ção, de qual em­pre­sa e o sis­te­ma aponta a melhor op­ção. O pro­du­tor po­de pa­gar à vis­ta, na época da colheita, ou par­ce­la­do.

» Na gran­ja. É gra­ças à pe­cuá­ria que o Va­lor Bru­to de Pro­du­ção (VBP) agro­pe­cuá­ria do País deve ficar es­tá­vel em 2019. Con­for­me a Con­fe­de­ra­ção da Agri­cul­tu­ra e Pe­cuá­ria do Brasil (CNA) an­te­ci­pa à co­lu­na, o VBP deve ser de R$ 605,46 bi­lhões, leve al­ta de 0,1% an­te 2018. Com ba­se nos pre­ços re­ce­bi­dos pe­lo se­tor até agos­to, o VBP da pe­cuá­ria sobe 7,6%, de R$ 213,94 bi­lhões pa­ra R$ 230,18 bi­lhões. Já o va­lor da pro­du­ção agrí­co­la deve re­cu­ar 4%, de R$ 391,10 bi­lhões pa­ra R$ 371,28 bi­lhões.

» Me­nos... A Fren­te Par­la­men­tar da Agro­pe­cuá­ria (FPA) es­tá su­ge­rin­do uma sé­rie de emen­das à Pro­pos­ta de Emen­da à Cons­ti­tui­ção (PEC) da Re­for­ma Tri­bu­tá­ria, que tra­mi­ta na Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos. En­tre as de­man­das dos ru­ra­lis­tas es­tão a sim­pli­fi­ca­ção na apu­ra­ção e re­co­lhi­men­to de tri­bu­tos, prin­ci­pal­men­te ao pro­du­tor pes­soa fí­si­ca, a de­so­ne­ra­ção to­tal das ex­por­ta­ções e me­nos car­ga tri­bu­tá­ria in­ci­den­te so­bre a ca­deia pro­du­ti­va.

» ...tri­bu­tos. A FPA de­fen­de também que o Im­pos­to so­bre Bens e Ser­vi­ços (IBS), pre­vis­to na PEC pa­ra subs­ti­tuir outros cin­co tri­bu­tos, te­nha apli­ca­ção li­mi­ta­da e se­le­ti­va so­bre o pro­du­tor ru­ral e não in­ci­da, por exem­plo, em ar­ren­da­men­tos de ter­ras. Nas emen­das, os ru­ra­lis­tas pe­dem também a manutenção da car­ga tri­bu­tá­ria e um tratamento di­fe­ren­ci­a­do e fa­vo­re­ci­do ao se­tor, como já ocor­re pa­ra mi­cro­em­pre­sas e co­o­pe­ra­ti­vas.

» Ace­le­ra. Luís Edu­ar­do Ma­ga­lhães, no oes­te bai­a­no, vai ga­nhar, no dia 21, sua pri­mei­ra ace­le­ra­do­ra de star­tups, de­di­ca­da ex­clu­si­va­men­te ao agro­ne­gó­cio: a Cy­klo Ace­le­ra­do­ra Agri­te­ch. Por trás da ini­ci­a­ti­va es­tão 20 pro­du­to­res e em­pre­sá­ri­os que apor­ta­ram um to­tal de R$ 5 mi­lhões, além do CEO e só­cio Pom­peo Sco­la. A par­tir de ou­tu­bro, conta ele, se­rão es­co­lhi­das dez star­tups com tec­no­lo­gi­as pa­ra as de­man­das re­gi­o­nais. Ca­da uma re­ce­be­rá R$ 200 mil, além de orientação de em­pre­sas e trei­na­men­to por no­ve me­ses.

DIVULGAÇÃO SYN­GEN­TA

Per­to do con­su­mi­dor. Lo­ja em Ijuí (RS) foi a pri­mei­ra a ser inau­gu­ra­da

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