Sur­ge a in­dús­tria do com­ba­te a fa­ke news

O Estado de S. Paulo - - Economia - ca­mi­la­fa­ra­ni CON­TA­[email protected]­MI­LA­FA­RA­NI.COM.BR É INVESTIDOR­A AN­JO E PRE­SI­DEN­TE DA BOUTIQUE DE IN­VES­TI­MEN­TOS G2 CA­PI­TAL

Des­de a elei­ção pre­si­den­ci­al dos EUA em 2016, o ter­mo “fa­ke news” se tornou parte do di­ci­o­ná­rio. As no­tí­ci­as falsas se tor­na­ram uma es­pé­cie de epi­de­mia con­ta­gi­o­sa – tudo que le­mos já é as­so­ci­a­do a uma pos­sí­vel notícia fal­sa. Com a cres­cen­te in­ges­tão de con­teú­do pe­la internet, as re­des so­ci­ais se tor­na­ram a prin­ci­pal fon­te de informação e pro­pa­gan­da em pro­li­fe­ra­ção. Pa­ra o Fórum Econô­mi­co Mundial, a dis­se­mi­na­ção das fa­ke news é um dos prin­ci­pais ris­cos glo­bais, no mes­mo pa­ta­mar de mu­dan­ças cli­má­ti­cas, cri­me or­ga­ni­za­do e es­cas­sez de ali­men­tos.

É um pro­ble­ma que in­ter­fe­re di­re­ta­men­te em ne­gó­ci­os e na reputação de grandes em­pre­sas, com per­da de anun­ci­an­tes e frau­des com pu­bli­ci­da­de di­gi­tal – a prin­ci­pal fon­te de receita de Fa­ce­bo­ok e Go­o­gle. Em 2018, se­gun­do in­for­ma­ções da con­sul­to­ria eMar­ke­ter, a Uni­le­ver – segunda mai­or anun­ci­an­te glo­bal – ame­a­çou can­ce­lar pro­pa­gan­das nas du­as em­pre­sas se não hou­ves­se uma po­lí­ti­ca cla­ra no com­ba­te às fa­ke news. Da mes­ma for­ma, a Proc­ter & Gam­ble, cam­peã mundial em anún­ci­os, cor­tou US$ 100 mi­lhões em or­ça­men­to de mar­ke­ting di­gi­tal. O si­nal ver­me­lho se acen­deu, mas há opor­tu­ni­da­de pa­ra no­vos ne­gó­ci­os, de­di­ca­dos a com­ba­ter as fa­ke news. E os gi­gan­tes es­tão dis­pos­tos a in­ves­tir ne­las.

O Fa­ce­bo­ok uniu for­ças com a star­tup Fac­tly, de in­te­li­gên­cia ar­ti­fi­ci­al e apren­di­za­do pro­fun­do, pa­ra re­a­li­zar as operações de ve­ri­fi­ca­ção de fa­tos. O mes­mo va­le pa­ra o WhatsApp: o app de mensagens fez uma parceria re­cen­te na Ín­dia com uma star­tup lo­cal, Pro­to, pa­ra aju­dar na classifica­ção de mensagens en­vi­a­das ao ser­vi­ço pe­los usuá­ri­os como ver­da­dei­ras, falsas, en­ga­no­sas ou con­tes­ta­das.

A ques­tão é que a tec­no­lo­gia pre­ci­sa se apoi­ar em em­pre­sas de mí­dia pa­ra co­di­fi­car in­for­ma­ções e au­men­tar o im­pac­to do com­ba­te. Na semana pas­sa­da, Go­o­gle, Twit­ter, Fa­ce­bo­ok e a bri­tâ­ni­ca BBC anun­ci­a­ram aliança pa­ra ações de com­ba­te à de­sin­for­ma­ção. As medidas in­clu­em um sis­te­ma de aler­ta pre­co­ce pa­ra elei­ções, educação online e me­lhor acesso a re­cur­sos imparciais pa­ra os lei­to­res.

No Bra­sil, a in­dús­tria das fa­ke news tam­bém en­con­trou ter­re­no fér­til – hoje, es­ti­ma-se que 20% do or­ça­men­to de mar­ke­ting di­gi­tal se­ja per­di­do com cli­ques fal­sos. Como é um te­ma no­vo, não existe re­gu­la­ção ou cons­ci­ên­cia so­bre o te­ma. No fu­tu­ro, a pers­pec­ti­va é que es­se te­ma se­ja tra­ta­do com no­vas soluções pa­ra o mercado de mí­dia, jun­ta­men­te com ino­va­ções em segurança ci­ber­né­ti­ca. É preciso re­pen­sar a dis­tri­bui­ção dos con­teú­dos, com tec­no­lo­gi­as que im­pe­çam a dis­se­mi­na­ção de no­tí­ci­as falsas. É um papel tam­bém das grandes em­pre­sas, pa­ra construir soluções em con­jun­to. É uma gran­de opor­tu­ni­da­de pa­ra as star­tups que já pos­su­em no seu DNA uma abor­da­gem mais mul­ti­dis­ci­pli­nar. De grandes pro­ble­mas, sur­gem grandes soluções.

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