Pe­tro­brás ele­va pre­ço do di­e­sel e da ga­so­li­na

Nas re­fi­na­ri­as, pre­ço da ga­so­li­na vai subir 3,5% e o do óleo di­e­sel, 4,2%; al­ta re­fle­te au­men­to do pe­tró­leo após ata­que à Arábia Saudita

O Estado de S. Paulo - - Primeira Página - Fer­nan­da Nu­nes / RIO

A al­ta do pre­ço do pe­tró­leo cau­sa­da por ata­que na Arábia Saudita che­ga­rá aos con­su­mi­do­res bra­si­lei­ros. A Pe­tro­brás re­a­jus­tou a ga­so­li­na em 3,5% e o óleo di­e­sel em 4,2% em su­as re­fi­na­ri­as.

A al­ta do pre­ço do pe­tró­leo no mer­ca­do in­ter­na­ci­o­nal che­gou ao Brasil e de­ve ser re­pas­sa­da aos con­su­mi­do­res já nes­ta semana. A Pe­tro­brás re­a­jus­tou os va­lo­res da ga­so­li­na em 3,5% e o óleo di­e­sel em 4,2% em su­as re­fi­na­ri­as.

A re­vi­são, que va­le­rá a par­tir da ze­ro ho­ra des­ta quin­ta-fei­ra, é uma re­a­ção ao aten­ta­do a re­fi­na­ri­as na Arábia Saudita, que fez com que a com­mo­dity os­ci­las­se até 20% na se­gun­da-fei­ra, quan­do o bar­ril do pe­tró­leo ti­po Brent, ne­go­ci­a­do em Londres, fe­chou a US$ 69,02, al­ta de qua­se 15%.

A pe­tro­lei­ra en­tão anun­ci­ou que aguar­da­ria mais tem­po pa­ra ob­ser­var o com­por­ta­men­to da com­mo­dity. Em co­mu­ni­ca­do, afir­mou ter de­ci­di­do “acom­pa­nhar a va­ri­a­ção do mer­ca­do nos pró­xi­mos di­as e não fa­zer um ajus­te de for­ma ime­di­a­ta”.

Ain­da na se­gun­da-fei­ra, o pre­si­den­te Jair Bol­so­na­ro afir­mou ter con­ver­sa­do com o pre­si­den­te da es­ta­tal, Ro­ber­to Cas­tel­lo Bran­co, e ter re­ce­bi­do a informação de que a em­pre­sa con­ti­nu­a­ria ob­ser­van­do a mo­vi­men­ta­ção ex­ter­na.

A Pe­tro­brás tem es­pe­ci­al in­te­res­se em de­mons­trar que é in­de­pen­den­te do go­ver­no e que sua política de pre­ços de com­bus­tí­veis não es­tá sub­me­ti­da a in­te­res­ses po­lí­ti­cos. Ca­so con­trá­rio, não vai con­se­guir atrair in­ves­ti­do­res pa­ra com­prar su­as re­fi­na­ri­as. A ven­da es­tá pre­vis­ta no pro­gra­ma de de­sin­ves­ti­men­to da Pe­tro­brás e, se­gun­do a di­re­to­ria, te­rá con­tri­bui­ção es­pe­ci­al na re­to­ma­da da saú­de fi­nan­cei­ra da pe­tro­lei­ra.

Nos úl­ti­mos dois di­as, o pe­tró­leo ti­po Brent, re­fe­rên­cia in­ter­na­ci­o­nal, até caiu, mas não na mes­ma pro­por­ção da al­ta. A Pe­tro­brás, que man­tém seus pre­ços ali­nha­dos ao mer­ca­do in­ter­na­ci­o­nal, man­te­ve os va­lo­res inal­te­ra­dos num pri­mei­ro mo­men­to, mas ce­deu on­tem à pres­são.

“A Pe­tro­brás es­tá ple­na­men­te cons­ci­en­te das im­pli­ca­ções de au­men­tar seus pre­ços, prin­ci­pal­men­te do di­e­sel. Se au­men­tou, foi por­que a pres­são so­bre os seus cus­tos es­ta­va mui­to gran­de. Não foi só uma res­pos­ta ao mer­ca­do pa­ra de­mons­trar que não es­tá su­jei­ta a in­ge­rên­ci­as po­lí­ti­cas”, ava­li­ou o es­pe­ci­a­lis­ta Jo­sé Ro­ber­to Fa­ve­ret, só­cio do Fa­ve­ret Lam­pert Ad­vo­ga­dos.

Pa­ra o con­su­mi­dor, a al­ta de pre­ço nas re­fi­na­ri­as de­ve chegar em bre­ve. A ex­pec­ta­ti­va é de que as dis­tri­bui­do­ras, que fa­zem a intermedia­ção en­tre as re­fi­na­ri­as e os postos de ga­so­li­na, en­tre­guem com­bus­tí­veis com pre­ços re­a­jus­ta­dos a par­tir de ama­nhã, dis­se o pre­si­den­te do Sin­co­pe­tro-SP, Jo­sé Al­ber­to Gouveia, que re­pre­sen­ta os re­ven­de­do­res de com­bus­tí­veis no Es­ta­do de São Paulo.

A de­ci­são de re­pas­sar ou não a al­ta pa­ra os mo­to­ris­tas nos pró­xi­mos di­as é de ca­da do­no de pos­to, que vai con­si­de­rar ou­tros fa­to­res, co­mo de­man­da e con­cor­rên­cia. “O re­a­jus­te vai chegar num dia em que a procura au­men­ta, nu­ma quin­ta-fei­ra, quan­do os mo­to­ris­tas en­chem o tan­que pa­ra o fim de semana”, com­ple­men­tou Gouveia.

No fim de semana, du­as ins­ta­la­ções da es­ta­tal Sau­di Aram­co foram ata­ca­das. Os ata­ques fizeram cair pe­la me­ta­de a pro­du­ção de pe­tró­leo do país, equi­va­len­te a 5,7 mi­lhões de bar­ris diá­ri­os, apro­xi­ma­da­men­te 6% da pro­du­ção mun­di­al. Na ter­ça-fei­ra, o mi­nis­tro saudita da Ener­gia, príncipe Ab­del Aziz bin Sal­man, anun­ci­ou que a pro­du­ção de pe­tró­leo do país se­ria res­ta­be­le­ci­da até o fim de se­tem­bro.

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