No Te­sou­ro Di­re­to, saída é apos­tar em pra­zos mais lon­gos

O Estado de S. Paulo - - Economia - Re­gi­na Pi­tos­cia É JOR­NA­LIS­TA

Não tem co­mo os tí­tu­los do go­ver­no, ne­go­ci­a­dos pe­la plataforma do Te­sou­ro Di­rei­to, saí­rem ile­sos de mais um no­vo cor­te no ju­ro bá­si­co da eco­no­mia. O ren­di­men­to dos três ti­pos de pa­pel – os vin­cu­la­dos à pró­pria Se­lic, ao IPCA e os pre­fi­xa­dos – ten­de a des­cer a ladeira junto com os ju­ros.

En­tre os três ti­pos, o mais po­pu­lar tem si­do o Te­sou­ro Se­lic com re­mu­ne­ra­ção ba­se­a­da na evo­lu­ção da ta­xa bá­si­ca de ju­ros (Se­lic). Uma pre­fe­rên­cia que, mes­mo com a pers­pec­ti­va de queda das ta­xas, po­de ser en­ten­di­da co­mo des­con­fi­an­ça do in­ves­ti­dor de que in­fla­ção e ju­ros per­ma­ne­çam em ní­veis bai­xos por mui­to mais tem­po.

O Te­sou­ro IPCA re­mu­ne­ra o apli­ca­dor com ju­ro re­al, pre­vi­a­men­te de­fi­ni­do, mais cor­re­ção mo­ne­tá­ria pós-fi­xa­da, de acor­do com a va­ri­a­ção da in­fla­ção me­di­da pe­lo IPCA. Com es­ses tí­tu­los, é pre­ci­so fi­car aten­to ao pra­zo da apli­ca­ção, mais lon­go se com­pa­ra­do com as tra­di­ci­o­nais op­ções de ren­da fi­xa.

E os pre­fi­xa­dos, que têm a ren­ta­bi­li­da­de fi­xa­da no mo­men­to da apli­ca­ção, ofe­re­cem o ris­co de pa­gar me­nos do que a in­fla­ção ou os ju­ros cor­ren­tes no mo­men­to do resgate do tí­tu­lo.

Es­ses pa­péis ten­dem a pa­gar mais do que a ca­der­ne­ta de pou­pan­ça, mas des­de que o di­nhei­ro fi­que apli­ca­do por um pe­río­do mais lon­go, a par­tir de 12 meses. O resgate dos Tí­tu­los do Te­sou­ro po­de ser em pra­zos me­no­res, até diário em al­guns de­les. Mas, nes­se ca­so, o ren­di­men­to se­rá pro­por­ci­o­nal e nem sem­pre vai com­pen­sar.

Nes­se ce­ná­rio de ju­ros bai­xos e ain­da em tra­je­tó­ria de queda, pa­ra ter uma ren­ta­bi­li­da­de di­fe­ren­ci­a­da, o in­ves­ti­dor pre­ci­sa se acos­tu­mar com pra­zos mais lon­gos. Ele re­quer um pla­ne­ja­men­to e a di­fe­ren­ci­a­ção en­tre os re­cur­sos que po­dem fi­car en­ges­sa­dos por mais tem­po dos que se­rão usa­dos em cur­to espaço de tem­po pa­ra acer­to de com­pro­mis­sos.

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