Pe­ga le­ve, gen­te

O Estado de S. Paulo - - Paladar -

É mui­to le­gal ex­pe­ri­men­tar cer­ve­jas di­fe­ren­tes, acom­pa­nhar as ex­pe­ri­men­ta­ções em ta­pro­oms de cer­ve­ja­ri­as ba­ca­nas, en­trar no EAP e gas­tar um tem­pão fa­zen­do um pla­no de voo pe­las qua­ren­ta e tan­tas tor­nei­ras da ca­sa. Mas qu­an­tas ve­zes vo­cê se viu di­an­te de uma lou­sa e pen­sou: que­ria só uma cer­ve­ja gos­to­sa, re­fres­can­te, não tão ca­ra. Eu, mui­tas. Po­de fa­lar, não tem nin­guém olhan­do…

Cla­ro que os bons ba­res (in­clu­si­ve os ta­pro­oms das cer­ve­ja­ri­as mais ex­pe­ri­men­tais) pen­sam nis­so e re­ser­vam uma tor­nei­ra pa­ra es­ti­los mais le­ves, mais fá­ceis de be­ber. Nin­guém aguen­ta to­mar dou­ble IPA a noi­te in­tei­ra (mal aguen­to um pint).

Só que as le­vi­nhas qua­se sem­pre vo­am bai­xo nos ra­da­res cer­ve­jei­ros, que hi­per­va­lo­ri­zam cer­ve­jas in­ten­sas, ex­tre­mas, ne­ga­ção do pas­sa­do de la­gers cla­ras e ra­las ser­vi­das es­tu­pi­da­men­te ge­la­das.

De vez em quan­do, po­rém, uma des­sas cer­ve­jas mais le­ves vi­ra as­sun­to. É o ca­so da Re­born Pils. Bohemian pils­ner lan­ça­da no fim de agos­to pe­la so­ro­ca­ba­na Sy­nergy, a Re­born eva­po­rou dos pon­tos de ven­das, cau­sou bur­bu­ri­nho e al­can­çou um fei­to: é, ho­je, ter­cei­ro lu­gar en­tre as bohemian pils­ners no Un­tappd, o app que cer­ve­jei­ros usam pa­ra re­gis­trar o que be­bem e o que acham de ca­da cer­ve­ja. (A pri­mei­ra é a Po­e­ti­ca #03, da hy­pa­dís­si­ma Hill Farms­te­ad em Ver­mont; a se­gun­da é a tam­bém cult ame­ri­ca­na Qui­et Li­fe, da Fox Farms, em Con­nec­ti­cut.)

Tem mais so­bre a Re­born aqui ao la­do, mas o ca­so é que não tem por­que bri­gar com o bol­so e com o cli­ma (os ipês es­tão flo­ri­dos, as re­vo­a­das de si­ri­ri es­tão rolando, o sol já es­tá for­te, o ve­rão es­tá che­gan­do).

Uma boa pils­ner é um alen­to. Har­mo­ni­za com a tí­pi­ca si­tu­a­ção de con­su­mo que a mai­or par­te dos be­be­do­res que co­nhe­ço vi­vem: con­ver­sa lon­ga na me­sa de bar, aque­la atu­a­li­za­da ge­ral com os ami­gos, com cer­ve­ja gos­to­sa pa­ra mo­lhar as pa­la­vras, con­tar no­vi­da­des, dar bons con­se­lhos. E a ca­ne­ca de 500 ml da fresquís­si­ma Re­born no ta­pro­om da Sy­nergy sai R$ 15 (dá pa­ra to­mar 3 pils pe­lo pre­ço de uma la­ta de 473 ml de dou­ble IPA ou juicy IPA).

RE­BORN PILS

Pre­ço: R$ 15 (500 ml, no ta­pro­om da Sy­nergy) Lan­ça­da ape­nas na ver­são cho­pe e em seu se­gun­do lo­te, é uma bohemian pils­ner tra­di­ci­o­nal, cla­ra, tem 5% de ál­co­ol e cor­po le­vís­si­mo. Le­va o lú­pu­lo tche­co Sa­az, "bas­tan­te lú­pu­lo Sa­az", fri­sa Eduardo Sam­paio, da Sy­nergy. Dá pa­ra per­ce­ber no aro­ma, é uma pisl­ner aro­má­ti­ca – além da­que­las de­li­ci­o­sas no­tas que vêm do mal­te, de cas­ca de pão, vêm no­tas flo­rais bem fres­cas, uma gra­mi­nha, qua­se men­ta. Per­gun­tei pra Sam­paio qual foi a intenção da cer­ve­ja­ria com ela. "Lan­ça­mos uma cer­ve­ja pa­ra to­mar des­pre­ten­si­o­sa­men­te, pa­ra se re­fres­car, não pa­ra achar de­fei­to." Pois se a ideia era res­ga­tar a sim­pli­ci­da­de do pra­zer de be­ber, acer­ta­ram na pin­ta. Ou­tro acer­to: as bohemian pils­ner tra­di­ci­o­nais são ma­ra­vi­lho­sas (a Pils­ner Ur­quell com tor­nei­ra fi­xa no EAP a R$ 24, 500 ml é o que se po­de cha­mar de pro­gress), mas ter uma cer­ve­ja fresquís­si­ma, pro­du­zi­da a me­nos de 100 km de SP faz di­fe­ren­ça. No ta­pro­om, vo­cê po­de es­co­lher en­tre pa­gar R$ 35 pe­la ca­ne­ca de vi­dro cheia e de­pois pa­gar R$ 13 pe­lo re­fil, ou po­de pa­gar R$ 15, por 500 ml. Em São Paulo, tem no Em­pó­rio Al­to dos Pi­nhei­ros (R. Vu­pa­bus­su, 305), no bar Vo­lá­til (Av. Pom­péia, 1999, Pom­peia), no Cer­ve­ja a Gra­nel (R. Ba­rão de Ta­tuí, 402, Sta. Ce­ci­lia), no Tap Tap (R. da Con­so­la­ção, 455, Con­so­la­ção) e no Be­er 4 You (R. Cris­tó­vão de Bur­gos, 74, Su­ma­re­zi­nho). Mas con­fi­ra an­tes de ir se o bar­ril es­tá en­ga­ta­do.l

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