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* SÓ CIR­CU­LA NA GRAN­DE SP

O Estado de S. Paulo - - Primeira página - Lu­ci­néia Nu­nes

No ba­laio gas­tronô­mi­co da ca­pi­tal pau­lis­ta, cu­li­ná­ri­as de di­fe­ren­tes re­giões do Bra­sil têm, cer­ta­men­te, um en­de­re­ço que as re­pre­sen­te – se­ja um bo­te­co com co­mi­da bem-fei­ta ou ca­sas con­sa­gra­das, co­mo Mo­co­tó e Tor­de­si­lhas, por exem­plo. Pa­ra se jun­tar a eles, che­ga à ci­da­de o acla­ma­do Ban­zei­ro, fi­li­al do res­tau­ran­te homô­ni­mo de Ma­naus (leia abai­xo).

Na sequên­cia, uma se­le­ção de res­tau­ran­tes re­gi­o­nais, aber­tos nos úl­ti­mos anos, que têm em co­mum o jei­tão sim­ples, com co­mi­da ca­sei­ra e re­con­for­tan­te, e, o me­lhor, por um pre­ço mais ami­gá­vel que a mé­dia pau­lis­ta­na.

➨ O chef Fe­li­pe Scha­e­dler ou­viu tan­tos pe­di­dos pa­ra abrir uma fi­li­al do Ban­zei­ro em São Pau­lo que aqui está. O en­de­re­ço mo­der­no no Itaim Bi­bi, com ca­noa pen­du­ra­da na pa­re­de e fo­to­gra­fi­as be­lís­si­mas de Sér­gio Coimbra, faz re­fe­rên­ci­as à ca­sa de Ma­naus, to­ca­da pela fa­mí­lia des­de 2009. Mas é a co­zi­nha que es­ban­ja as ri­que­zas da re­gião amazô­ni­ca, co­mo os co­gu­me­los co­le­ta­dos por ín­di­os Ia­no­mâ­mis, que en­tram no pre­pa­ro da ‘Mu­je­ca de Pei­xe Mo­que­a­do’ (R$ 34); a for­mi­ga saú­va, que dá um to­que cí­tri­co à de­li­ca­da es­pu­ma de man­di­o­qui­nha (R$ 18); e, cla­ro, pei­xes

co­mo pi­ra­ru­cu e tam­ba­qui. Es­te úl­ti­mo tam­bém nu­ma ver­são em que é as­sa­do na bra­sa e ser­vi­do com baião de dois cre­mo­so, fa­ro­fa de ovo es­ta­la­do, vi­na­gre­te de pi­cles e tar­tar de ba­na­na (R$ 159, pa­ra até três pes­so­as). O chef tam­bém acer­ta em cheio no clás­si­co pa­to no tu­cu­pi (R$ 62), um pra­to aro­má­ti­co e sa­bo­ro­so. Ado­ce com o ‘#des­cu­bra­ma­naus’ (R$ 24), que mis­tu­ra cu­pu­a­çu e bri­ga­dei­ro.

R. Ta­ba­puã, 830, Itaim Bi­bi, 2501-4777. 11h30/15h30 e 19h/23h30 (sáb., 12h/16h e 19h/0h; dom., 12h30/17h).

➨ Um sim­pá­ti­co so­bra­do, com re­de na en­tra­da e decoração co­lo­ri­da, abri­ga o no­vo Do­na

Canô, res­tau­ran­te de co­mi­da nor­des­ti­na de Bru­no Gal­li­na, que di­vi­de a re­cep­ção com a mãe, Eli­a­na. Ele tam­bém cui­da da car­ta de drin­ques e da sa­la de ar­te­sa­na­to no pi­so su­pe­ri­or. Já a co­zi­nha está a car­go do ser­gi­pa­no Má­rio Fer­rei­ra da Con­cei­ção, que tra­ba­lhou no Je­suí­no Brilhante (leia na pág. 8), e de sua mu­lher, Joicy Zur­lo. Além dos pra­tos do dia, o cli­en­te mon­ta sua ver­são com uma pro­teí­na ou uma op­ção ve­ge­ta­ri­a­na e acres­cen­ta dois acom­pa­nha­men­tos. Um exem­plo é a car­ne de sol na cha­pa (R$ 31), com ma­ca­xei­ra ➨ Com pé di­rei­to al­to, pa­re­des com ilus­tra­ções que re­me­tem à xi­lo­gra­vu­ra e cer­to cli­ma de bar – com boa va­ri­e­da­de de ca­cha­ças e pe­tis­cos –, o Ca­ju­ei­ro é um agra­dá­vel re­du­to nor­des­ti­no na zo­na nor­te. Por trás da co­zi­nha de por­ções far­tas está o chef Re­na­to Amân­cio Arau­jo, que faz ques­tão de usar o me­la­do de ca­na da Serra da Ibi­a­pa­ba, no Ce­a­rá, e a fa­ri­nha de co­pi­o­ba do Recôn­ca­vo Bai­a­no. Já as ce­râ­mi­cas vêm da Serra da fri­ta e ri­so­to do sertão (ar­roz ro­sa pre­pa­ra­do no lei­te, com na­ta fres­ca e quei­jo co­a­lho). Há ain­da car­ne de sol na na­ta (R$ 42) e a ve­ga­na ‘Ma­xi­xa­da’ (R$ 36). No úl­ti­mo sá­ba­do do mês, a ca­sa abre à noi­te com for­ró ao vi­vo, drin­ques e pe­tis­cos. R. Pa­dre Chico, 275, Per­di­zes, 3862-1307. 11h30/ 15h30 (sáb. e dom., 11h30/16h30; fecha 2ª). Ca­pi­va­ra, no Pi­auí. O me­nu abre com sa­la­das e por­ções, co­mo tor­res­mi­nhos (R$ 18,50) e pas­téis de car­ne­se­ca e re­quei­jão (R$ 9,50, 2 unid.). Mas os car­ros-che­fes são o baião de dois cre­mo­so (R$ 27,50, pe­que­no) e a cos­te­li­nha de por­co com goi­a­ba­da (R$ 93,90, pa­ra dois). Pa­ra fe­char, cre­me bru­lée de do­ce de lei­te (R$ 17,90). R. Au­re­li­a­no Le­al, 516, Água Fria, 3360-2829. 12h/15h e 18h/22h30 (sáb., 12h/23h; dom., 12h/16h; fecha 2ª).

Aco­lhe­dor, o res­tau­ran­te A Bai­a­nei­ra é da­que­les lu­ga­res que têm o dom de nos ‘trans­por­tar’ pa­ra uma ci­da­de do in­te­ri­or, com co­mi­da tri­vi­al bem-fei­ta, sa­bo­ro­sa e que re­fle­te o cui­da­do da chef Ma­nu­el­le Fer­raz com o ofí­cio. Lo­go na en­tra­da, uma ven­di­nha exi­be do­ces, bo­los e pães de quei­jo. Aliás, tu­do co­me­çou com o óti­mo pão de quei­jo (re­cei­ta de fa­mí­lia), an­tes do lu­gar vi­rar res­tau­ran­te. Pa­ra abrir o al­mo­ço, o qui­tu­te po­de vir re­che­a­do com car­ne de pa­ne­la e ovo cai­pi­ra (R$ 15), uma de­lí­cia. Ou­tra de­li­ca­de­za é o nho­que de ba­ta­ta-do­ce com cre­me de re­quei­jão de cor­te (R$ 18). Na ala dos prin­ci­pais, está o bom baião de dois com car­ne de pa­ne­la (R$ 35; fo­to). Du­ran­te a se­ma­na, fi­gu­ram tam­bém os pra­tos do dia, co­mo a ga­li­nha­da (R$ 39), ser­vi­da às sex­tas-fei­ras. Aos sá­ba­dos e fe­ri­a­dos, tem ca­fé da ma­nhã (9h/12h) e me­nu es­pe­ci­al de al­mo­ço. Não dis­pen­se as so­bre­me­sas, a exem­plo do bru­lée de goi­a­ba (R$ 15) e do re­quei­jão de cor­te com man­ga­da (R$ 18). Em ou­tu­bro, o res­tau­ran­te ga­nha­rá uma uni­da­de no sub­so­lo do

Masp. R. Do­na Eli­sa, 117, Bar­ra Fun­da, 2538-0844. 9h/17h (fecha dom. e 2ª). ➨ Ce­a­ren­se cri­a­da no Pi­auí, a chef Ca­fi­ra serve no agra­dá­vel (e de­mo­crá­ti­co) Fi­tó o que cha­ma de co­zi­nha bra­si­lei­ra sem fronteiras, pri­vi­le­gi­an­do sa­bo­res do Nor­te e do Nordeste, com pi­ta­das de ou­tros can­tos. Al­guns pra­tos de su­ces­so per­ma­ne­cem no me­nu des­de que a ca­sa foi aber­ta, em 2017, a exem­plo da ‘Pa­ço­ca’ (R$ 39), car­ne de sol com fa­ri­nha de man­di­o­ca, ce­bo­la e man­tei­ga de gar­ra­fa, ser­vi­da com baião de dois, ba­na­na-da-ter­ra e quei­jo co­a­lho. En­tre as no­vas en­tra­das está o ‘Mun­gun­zá Sal­ga­do’ (R$ 18), que traz a can­ji­ca de mi­lho bran­co co­zi­da com lei­te de co­co da ca­sa, acom­pa­nha­da de re­quei­jão de cor­te, quei­jo da Ca­nas­tra e cro­can­te de car­ne de sol. Na se­ção de prin­ci­pais, es­trei­am a lin­gui­ça de car­ne de sol (R$ 42; fo­to), ser­vi­da com sa­la­da de fa­vas, co­a­lha­da e ovo co­zi­do, e o ‘Ar­roz de Vôn­go­le’ (R$ 32), fei­to com ar­roz in­te­gral e lei­te de co­co, mo­lus­co, ba­con, paio, pi­men­tões, es­pe­ci­a­ri­as e um “pu­nha­di­nho” de co­en­tro, co­mo res­sal­ta o car­dá­pio. Pa­ra acom­pa­nhar, o pra­to vem com uma ta­pi­o­ca ma­cia pa­ra pas­sar no mo­lho. Das re­cei­tas do dia, ter­ça-fei­ra é a vez das ‘Almôn­de­gas à la Abrahão’ (R$ 32), à ba­se de car­ne bo­vi­na e paio, pi­men­ta-de-chei­ro, chei­ro-ver­de, es­pe­ci­a­ri­as e quei­jo co­a­lho, acom­pa­nha­das de mun­gun­zá com re­quei­jão de cor­te e mo­lho de to­ma­te ca­sei­ro. Com dois an­da­res, in­cluin­do um ter­ra­ço, o Fi­tó ani­ma as noi­tes de 3ª com apre­sen­ta­ções de for­ró. R. Car­de­al Ar­co­ver­de, 2.773, Pi­nhei­ros, 3032-0963. 12h/15h e 18h/23h30 (6ª, 12h/ 16h e 18h/0h; sáb., 12h/0h; dom., 12h/18h; 2ª, 12h/15h).

A sim­pli­ci­da­de faz par­te do cli­ma do pe­que­ni­no

Ca­sa de Ie­da, com bal­cão e pou­cas me­sas no sa­lão e na cal­ça­da – assim co­mo a co­mi­da re­con­for­tan­te e re­ple­ta de sa­bo­res que sai da co­zi­nha de Ie­da de Ma­tos. O car­dá­pio pri­vi­le­gia o re­cei­tuá­rio da Cha­pa­da Di­a­man­ti­na e traz, a ca­da dia, ape­nas as su­ges­tões lis­ta­das na lou­sa. De­pen­den­do do ho­rá­rio, cor­re-se o ris­co de não ter um item ou ou­tro, ca­so dos dis­pu­ta­dos bo­li­nhos de es­tu­dan­te (R$ 20, 4 unid.). Tam­bém há sem­pre um ‘com­bo do dia’ (R$ 45), com en­tra­da, pra­to e so­bre­me­sa. Boa pe­di­da, o baião de dois com car­ne de sol, ar­roz, fei­jão de cor­da e quei­jo co­a­lho, vem com fa­ro­fi­nha e mo­lho lam­bão (R$ 32). Ou­tros des­ta­ques são o ‘Go­dó de Ba­na­na Ver­de’ (R$ 32) e o es­con­di­di­nho de cre­me de ma­ca­xei­ra com car­ne de por­co (R$ 42). Por fim, tor­ça pa­ra ter o cre­me de io­gur­te de quei­jo de ca­bra com ca­ra­me­lo de je­ni­pa­po (R$ 10). R. Fer­rei­ra de Araú­jo, 841, Pi­nhei­ros, 4323-9158. 12h/15h (sáb., 12h30/16h; fecha dom. e 2ª).

O Be­ne­di­ta Co­zi­nha nas­ceu dos al­mo­ços e jan­ta­res in­for­mais que os só­ci­os Fe­li­pe Mu­reb e Ro­dri­go Isai­as fa­zi­am pa­ra os ami­gos. Ro­dri­go é chef de co­zi­nha e apren­deu mui­to com as avós mi­nei­ra e pa­ra­en­se. Quan­do te­ve a ideia de abrir o res­tau­ran­te, a du­pla saiu em bus­ca de um imó­vel. Mas de­ci­diu fi­car na char­mo­sa ca­si­nha que se­di­a­va os en­con­tros e on­de tes­ta­ram vá­ri­as re­cei­tas – en­tre elas, o ‘Va­ta­pá da Vó Ze­nai­de’ (R$ 61), um dos hits, ao la­do da mo­que­ca ca­pi­xa­ba de ba­na­na com cre­me sal­ga­do de co­co (R$ 39) e do ar­roz de ga­li­nha­da com lin­gui­ça fres­ca (R$ 41; fo­to). “Fa­ze­mos co­mi­da bra­si­lei­ra de ca­sa, com um pou­co de to­das as re­giões e das in­fluên­ci­as que o Bra­sil re­ce­beu”, diz Fe­li­pe. Os pra­tos aci­ma es­tão no car­dá­pio do jan­tar. No al­mo­ço, são ser­vi­dos (com o mes­mo ca­pri­cho) pra­tos do dia e me­nu exe­cu­ti­vo (R$ 41). R. Ha­vaí, 258, Su­ma­ré, 3875-4764. 12h/15h e 19h/22h30 (sáb., 12h/16h e 19h/23h; dom., 12h30/16h30; 3ª, 12h/15h; fecha 2ª).

O atu­al en­de­re­ço do Je­suí­no Brilhante está com os di­as con­ta­dos. Em ou­tu­bro, o res­tau­ran­te mu­da­rá pa­ra um imó­vel do ou­tro la­do da rua e le­va­rá pa­ra lá to­do o char­me e a sim­pa­tia que con­quis­ta­ram cli­en­te­la fi­el nos úl­ti­mos anos. Além, é cla­ro, da boa co­mi­da ca­sei­ra do sertão po­ti­guar. O ne­gó­cio co­me­çou com o jor­na­lis­ta Ro­dri­go Le­vi­no, que trou­xe a fa­mí­lia do Rio Gran­de do Nor­te pa­ra aju­dá-lo. O pai, Seu Ba­tis­ta, é quem faz a car­ne de sol, car­ro-che­fe da ca­sa, que surge em cin­co ver­sões no car­dá­pio: na lin­gui­ça ar­te­sa­nal (R$ 36); na pa­ço­ca (R$ 31); co­mo bi­fe na cha­pa (R$ 34); co­mo ‘Por­co de Sol’ na cha­pa (R$ 34); e na de­li­ci­o­sa car­ne de sol na na­ta fres­ca (R$ 34). A es­co­lha de qual­quer um des­ses pra­tos dá di­rei­to a dois acom­pa­nha­men­tos. Pa­ra os pre­pa­ros e pa­ra abas­te­cer a lo­ji­nha com quei­jos e do­ces, a ca­sa re­ce­be dois ca­mi­nhões por mês com pro­du­tos de Cai­có (RN). O que­bra-quei­xo, po­rém, vem da Pa­raí­ba e a na­ta, do Rio Gran­de do Sul. R. Ar­ru­da Al­vim, 180, Pi­nhei­ros, 2649-3612. 11h30/15h (sáb., 11h30/16h; fecha dom.).

TÍ­PI­CO: ➨ pa­to no tu­cu­pi com ar­roz cre­mo­so (ao la­do) e saú­va com cre­me de man­di­o­qui­nha (abai­xo)

LU­CI­NÉIA NU­NES/ES­TA­DÃO

NAN­DO FO­TO­GRA­FIA

SERTÃO: ➨ car­ne de sol fei­ta na cha­pa e ser­vi­da com ri­so­to de ar­roz ver­me­lho, ma­ca­xei­ra fri­ta e quei­jo co­a­lho

PRIMOR: ca­sa serve pra­tos sa­bo­ro­sos, co­mo o baião de dois

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