Li­ber­da­de Econô­mi­ca é san­ci­o­na­da com ve­tos

Dis­po­si­ti­vos ve­ta­dos pe­lo pre­si­den­te Bol­so­na­ro não al­te­ram es­sên­cia da lei

O Estado de S. Paulo - - Economia - Ma­teus Var­gas / BRA­SÍ­LIA

Na pri­mei­ra ce­rimô­nia pú­bli­ca des­de a ci­rur­gia pa­ra cor­re­ção de uma hér­nia, o pre­si­den­te Jair Bol­so­na­ro san­ci­o­nou on­tem a MP da Li­ber­da­de Econô­mi­ca. A lei re­duz bu­ro­cra­ci­as pa­ra em­pre­sa, co­mo exi­gên­cia de al­va­rás e li­cen­ças pa­ra ati­vi­da­des de bai­xo risco e pe­que­nos ne­gó­ci­os, mas te­ve sua prin­ci­pal mu­dan­ça re­ti­ra­da: a au­to­ri­za­ção pa­ra tra­ba­lho aos do­min­gos e fe­ri­a­dos. Ago­ra, o go­ver­no es­tu­da pro­por ou­tro pro­je­to pa­ra tratar de te­mas que não fo­ram apro­va­dos pe­lo Con­gres­so, co­mo o in­cen­ti­vo a aber­tu­ra de em­pre­sas e a fle­xi­bi­li­za­ção das leis tra­ba­lhis­tas.

Em dis­cur­so, ao san­ci­o­nar a MP, Bol­so­na­ro dis­se que a no­va lei “vai mu­dar e mui­to a nos­sa economia”. “Te­nho fa­la­do com Pau­lo Gu­e­des (mi­nis­tro da Economia). De­ve­mos es­tu­dar um pro­je­to, não pa­ra ‘meu pri­mei­ro em­pre­go’, mas pa­ra a ‘mi­nha pri­mei­ra em­pre­sa”’, de­cla­rou. A ideia, se­gun­do Bol­so­na­ro, é dar se­gu­ran­ça ju­rí­di­ca pa­ra a aber­tu­ra de uma em­pre­sa e, se o ne­gó­cio não vin­gar, fe­chá-la sem que o em­pre­en­de­dor te­nha de “fu­gir pa­ra não ser pre­so”.

Com a no­va lei, o go­ver­no es­pe­ra cri­ar 3,7 milhões de em­pre­gos e aumentar o Pro­du­to In­ter­no Bru­to (PIB) em até 7% nos pró­xi­mos dez anos, dis­se o se­cre­tá­rio de Des­bu­ro­cra­ti­za­ção, Ges­tão e Go­ver­no Di­gi­tal do Mi­nis­té­rio da Economia, Pau­lo Ue­bel. “(A lei) Não re­sol­ve to­dos os pro­ble­mas, mas dá o nor­te cer­to que nós que­re­mos”, dis­se.

O Se­na­do ha­via apro­va­do a MP em 21 de se­tem­bro e man­te­ve os pon­tos ori­gi­nais da me­di­da. Der­ru­bou, po­rém, au­to­ri­za­ção pa­ra o tra­ba­lho aos do­min­gos e fe­ri­a­dos, que ha­via si­do apro­va­da na Câ­ma­ra dos De­pu­ta­dos e era de­fen­di­da pe­lo go­ver­no. A pro­pos­ta cau­sou po­lê­mi­ca nas dis­cus­sões en­tre se­na­do­res e, pa­ra evi­tar que a pro­pos­ta per­des­se a va­li­da­de, foi re­ti­ra­da do tex­to fi­nal.

Mu­dan­ças. En­tre as mu­dan­ças san­ci­o­na­das es­tá a pos­si­bi­li­da­de de aber­tu­ra de uma em­pre­sa com ape­nas um só­cio, sem re­qui­si­to de ca­pi­tal mí­ni­mo. Em re­la­ção ao con­tro­le do pon­to, ape­nas em­pre­sas com mais de 20 fun­ci­o­ná­ri­os de­ve­rão exi­gir a ano­ta­ção – ho­je, são 10. Ou­tra é que tra­ba­lha­do­res po­de­rão, após acor­do, ba­ter pon­to “por ex­ce­ção”, mar­can­do ape­nas ho­rá­ri­os de en­tra­da e saí­da fo­ra do ha­bi­tu­al.

O tex­to es­ta­be­le­ce ain­da a pre­vi­são de que o eSo­ci­al se­rá subs­ti­tuí­do por ou­tro pro­gra­ma mais sim­ples em até 120 di­as. Além dis­so, cria a car­tei­ra de tra­ba­lho ele­trô­ni­ca, a ser emi­ti­da pe­lo Mi­nis­té­rio da Economia. Em­pre­sas con­si­de­ra­das de bai­xo risco, co­mo star­tups, não vão pre­ci­sar emi­tir al­va­rás e li­cen­ças.

Bol­so­na­ro ve­tou cin­co dis­po­si­ti­vos, mas eles não afe­tam os prin­ci­pais pon­tos da lei. Um de­les pre­via que a lei en­tras­se em vi­gor em 90 di­as. Com o ve­to, ela en­tra em vi­gor ime­di­a­ta­men­te. Tam­bém por ve­to, ele proi­biu a emis­são au­to­má­ti­ca de li­cen­ças am­bi­en­tais. Um ou­tro tre­cho ve­ta­do im­pe­diu a cri­a­ção de um re­gi­me de tri­bu­ta­ção fo­ra do di­rei­to tri­bu­tá­rio.

“(A lei) Não re­sol­ve to­dos os pro­ble­mas, mas dá o nor­te cer­to que nós que­re­mos.”

Pau­lo Ue­bel

SE­CRE­TÁ­RIO DE DES­BU­RO­CRA­TI­ZA­ÇÃO, GES­TÃO E GO­VER­NO DI­GI­TAL DO MI­NIS­TÉ­RIO DA ECONOMIA

Newspapers in Portuguese

Newspapers from Brazil

© PressReader. All rights reserved.