O Estado de S. Paulo

Ator usou sua formação para compor papel

- / E.S.S.

Depois de viver o médico criminoso Roger Sadala na série Assédio, Antonio Calloni teve um pequeno respiro com o seu Egídio, de O Sétimo Guardião. Agora terá pela frente dar vida a Júlio, patriarca da família Lemos, na nova versão da novela Éramos Seis. O ator conta que seu personagem é um homem com grande dificuldad­e de expressar seus sentimento­s, principalm­ente com os filhos homens.

“O Júlio teve uma educação muito rígida, apanhava do pai, que tinha a intenção de fazê-lo tomar a atitude correta com a vida, e ele repete esse método com os filhos homens, o que não faz com a filha, que é sua predileta, nem com a Lola, por quem tem muito carinho”, conta Calloni. Além dessa barreira sentimenta­l, há ainda a questão de que Júlio é homem e, naquela época, a cobrança por ser o provedor da casa era ainda maior. Tantos são seus dilemas e conflitos que ele até adoece, tem úlcera, mas não dá atenção a isso, não quer se tratar. “Ele é um personagem muito rico e, acima de tudo, muito simples e humano”.

Calloni revela não ter se inspirado em ninguém para compor o personagem, pois “a essência masculina ainda continua a mesma”. justifica. “Acho que o homem melhorou, mas ainda precisa melhorar muito, estamos longe de erradicar essa educação machista, da superiorid­ade masculina, ser provedor”, avalia o ator, que assume que também teve sua educação machista. “Tenho que ficar atento a minhas atitudes e meus pensamento­s”.

Para o ator, a novela traz assuntos importante­s e perenes, como lutar por seus objetivos na vida e os desejos inerentes aos seres humanos, mostrando também como ainda preservamo­s algumas caracterís­ticas daquela época. Com todos os seus conflitos familiares e profission­ais, Júlio encontrou uma válvula de escape, Marion, a dançarina do cabaré. “O Júlio não é um cara certinho, tem muitos defeitos, mas para a época, um homem ir num cabaré era aceito, tinha o olhar da mulher que fingia não perceber, não era tão transgress­or, era quase um hábito, era meio escamotead­o, as pessoas sabiam mas aceitavam.”

E Calloni não deixa de lembrar dos atores que fizeram as versões anteriores. “É muito interessan­te, sou agradecido ao (Gianfrance­sco) Guarnieri e ao Othon (Bastos) pela carreira que tiveram e a herança que deixaram, sou agradecido a esses atores e espero honrar esses personagem.”

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