Fla­men­go dei­xa de la­do di­ta­do ‘cra­que se faz em ca­sa’

Zi­co apro­va ti­me ‘im­por­ta­do’ e diz que equi­pe po­de ga­nhar Bra­si­lei­rão, Li­ber­ta­do­res e, de­pois, o Mun­di­al

O Estado de S. Paulo - - Esportes - Wil­son Bal­di­ni Jr.

O Fla­men­go lí­der do Cam­pe­o­na­to Bra­si­lei­ro de 2019 con­tra­ria a his­tó­ria do pró­prio clu­be. Se o di­ta­do dos ru­bro-ne­gros sem­pre pre­gou que “cra­que se faz em ca­sa”, o ti­me atu­al e o seu trei­na­dor fo­ram to­dos com­pra­dos a pe­so de ou­ro e com o di­nhei­ro ob­ti­do na ven­da de cra­ques fei­tos na Gá­vea, nu­ma in­ver­são dos an­ti­gos va­lo­res.

Di­e­go Al­ves; Ra­fi­nha, Ro­dri­go Caio, Pa­blo Ma­rí e Fi­li­pe Luis; Wil­li­am Arão, Ger­son, Ever­ton Ri­bei­ro e Ar­ras­ca­e­ta; Ga­bri­el e Bru­no Hen­ri­que. Ne­nhum de­les co­me­çou a jo­gar na Gá­vea, na es­co­li­nha do Fla­men­go, ao con­trá­rio de no­mes que fi­ze­ram su­ces­so no pas­sa­do co­mo a ca­mi­sa ru­bro-ne­gra, co­mo Le­an­dro, Jú­ni­or, An­dra­de, Vi­tor, Adí­lio, Zi­co, Ti­ta, Ju­lio Ce­sar e Adri­a­no Im­pe­ra­dor: to­dos cres­ci­dos na Gá­vea e com um cur­rí­cu­lo re­ple­to de ta­ças. O Fla­men­go, que foi cam­peão bra­si­lei­ro em 1980, 1982, 1983, 1992 e 2009, li­de­ra o Na­ci­o­nal e tem bo­as chan­ces de che­gar à fi­nal da Li­ber­ta­do­res (dis­pu­ta­rá as se­mi­fi­nais con­tra o Grê­mio nos di­as 2 e 23 de ou­tu­bro).

Em 2018, o Fla­men­go ar­re­ca­dou R$ 536 mi­lhões e fi­cou atrás ape­nas do Pal­mei­ras, com re­cei­ta to­tal de R$ 654 mi­lhões. O clu­be tem as con­tas equi­li­bra­das. A dí­vi­da vem cain­do ano a ano. Fe­chou em R$ 418 mi­lhões no fim de 2018. O úl­ti­mo in­ves­ti­men­to foi com o meia Ger­son, com­pra­do por qua­se R$ 50 mi­lhões da Ro­ma (ITA). Ele foi for­ma­do em Xe­rém, ba­se do Flu­mi­nen­se.

Zi­co, o “eter­no Deus fla­men­guis­ta”, tor­ce pa­ra que a no­va po­lí­ti­ca do clu­be se­ja con­ver­ti­da em tí­tu­los. “A di­re­to­ria tem fei­to in­ves­ti­men­tos com a ven­da de jo­ga­do­res for­ma­dos em ca­sa, co­mo Vi­ní­cius Jr, Pa­que­tá e Léo Du­ar­te. To­ma­ra que te­nha su­ces­so. Vi­e­ram jo­ga­do­res ex­pe­ri­en­tes, ní­vel de se­le­ção e acos­tu­ma­dos a se­rem cam­peões”, diz Zi­co.

Di­re­ta­men­te do Ja­pão, on­de tra­ba­lha no Kashi­ma An­tlers, Zi­co fa­lou com Es­ta­do e co­men­tou que não gos­ta de fa­zer com­pa­ra­ções com ou­tros ti­mes ven­ce­do­res do Fla­men­go. “Não gos­to de ana­li­sar épo­cas di­fe­ren­tes. O ti­me é bom e tem to­das as con­di­ções de ser cam­peão Bra­si­lei­ro, da Li­ber­ta­do­res e Mun­di­al. O Fla­men­go tem um elen­co e não ape­nas um ti­me.”

O “Ga­li­nho de Quin­ti­no” tam­bém apro­va o tra­ba­lho do por­tu­guês Jor­ge Je­sus no co­man­do téc­ni­co da equi­pe. “To­dos sa­bía­mos que o Je­sus era um gran­de trei­na­dor. Eu já ha­via co­men­ta­do mui­tos jo­gos de­le na Li­ga dos Cam­peões, sem­pre com equi­pes mui­to bo­as em Por­tu­gal. Os jo­ga­do­res com­pra­ram a ideia de­le e ele es­tá ten­do re­sul­ta­do. O Fla­men­go es­tá di­fe­ren­te. To­ma­ra que ob­te­nha tí­tu­los.” O clu­be tam­bém ino­vou com a con­tra­ta­ção de um téc­ni­co

Zi­co

EX-JO­GA­DOR DO FLA­MEN­GO ‘O ti­me é bom e tem to­das as con­di­ções de ser cam­peão Bra­si­lei­ro, da Li­ber­ta­do­res e Mun­di­al’

es­tran­gei­ro, vin­do de lon­ge das ba­ses do Rio de Ja­nei­ro.

Ano de ou­ro. Em 1981, com Zi­co de 10, o Fla­men­go te­ve o ano mais vi­to­ri­o­so de sua his­tó­ria, quan­do con­quis­tou, em 21 di­as, o tí­tu­lo do Ca­ri­o­ca, ao su­pe­rar o Vas­co; da Li­ber­ta­do­res, ao ven­cer o Co­bre­loa, e o Mun­di­al, ao ba­ter o Li­ver­po­ol. Des­ta vez, o fei­to te­rá de ser re­a­li­za­do em um mês, pois a fi­nal do tor­neio sul-ame­ri­ca­no é dia 23 de no­vem­bro, a úl­ti­ma ro­da­da do Bra­si­lei­ro é 8 de de­zem­bro e a de­ci­são da com­pe­ti­ção in­ter­con­ti­nen­tal se­rá em 22 de de­zem­bro.

ACERVO ES­TA­DÃO - 25/4/1982

Ta­ça. Zi­co ce­le­bra após a con­quis­ta do Bra­si­lei­rão de 1982

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