Não ca­be dis­cus­são so­bre a cor­re­ta anu­la­ção pe­lo VAR do gol do Palmeiras, por mais frus­tran­te que pos­sa ser.

O Estado de S. Paulo - - Primeira página - Mau­ro Ce­zar Pe­rei­ra

As queixas do téc­ni­co Ma­no Menezes e do pre­si­den­te do Palmeiras, Mau­rí­cio Ga­li­ot­te, de­vi­do ao gol de Bru­no Hen­ri­que, que da­ria a vi­tó­ria so­bre o In­ter­na­ci­o­nal e foi anu­la­do com a par­ti­ci­pa­ção do ár­bi­tro de ví­deo, en­con­tra­ram eco em se­to­res da im­pren­sa de São Pau­lo. Co­mo se fos­sem per­ti­nen­tes as reclamaçõe­s. Pa­ra qu­em não viu o lan­ce, em dis­pu­ta de bo­la com o za­guei­ro Klaus, do In­ter­na­ci­o­nal, o pal­mei­ren­se Wil­li­an ar­ras­tou a bo­la com a mão di­rei­ta e, na sequên­cia, o vo­lan­te man­dou a pe­lo­ta às re­des.

O ár­bi­tro Brau­lio da Sil­va Ma­cha­do, de San­ta Ca­ta­ri­na, anu­lou o gol no Bei­ra-Rio após par­ti­ci­pa­ção de Wil­ton Pe­rei­ra Sam­paio (Fifa), o ho­mem do VAR, de Goiás. Es­tá na re­gra que pra­ti­ca­rá a in­fra­ção o jo­ga­dor que: “re­cu­pe­rar a pos­se da bo­la de­pois de to­cá-la na mão ou no bra­ço pa­ra, em se­gui­da, marcar um gol ou cri­ar uma si­tu­a­ção de gol”. No ca­so es­pe­cí­fi­co, o Palmeiras mar­cou um ten­to de­pois que a pe­lo­ta to­cou no bra­ço de Wil­li­an. Faria sen­ti­do a rei­vin­di­ca­ção de fal­ta co­me­ti­da por Klaus no pal­mei­ren­se, mas ja­mais a va­li­da­ção do gol.

Não ca­be dis­cus­são so­bre a cor­re­ta anu­la­ção, por mais frus­tran­te que pos­sa ser. Mas é per­ti­nen­te, cla­ro, dis­cu­tir a re­gra do fu­te­bol e a (in)jus­ti­ça even­tu­al­men­te em­bu­ti­da em tal de­ter­mi­na­ção. O pre­si­den­te do Palmeiras, em seu dis­cur­so re­ple­to de equí­vo­cos, che­gou a di­zer que o VAR não tem atu­a­do em jo­gos do Flamengo, ci­tan­do a par­ti­da con­tra o In­ter­na­ci­o­nal no Ma­ra­ca­nã. Mas na ver­da­de o ár­bi­tro de ví­deo tam­bém não en­trou em ação na rodada an­te­ri­or, quan­do um pê­nal­ti ine­xis­ten­te foi da­do con­tra o lí­der do cam­pe­o­na­to, a fa­vor do Cru­zei­ro.

No pri­mei­ro tur­no, no mes­mo Bei­ra-Rio que re­ce­beu a par­ti­da des­te do­min­go, o In­ter­na­ci­o­nal ven­cia o Flamengo, que fez um gol (que se­ria de em­pa­te). Mas a bo­la ba­teu an­tes no co­to­ve­lo de Rho­dol­fo, en­tão so­brou pa­ra Bru­no Hen­ri­que, que fi­na­li­zou. No re­bo­te do go­lei­ro Mar­ce­lo Lom­ba, o pró­prio za­guei­ro ro­lou pa­ra as re­des. Co­mo nes­te do­min­go, quan­do a bo­la foi to­ca­da pe­la mão de Wil­li­an, o ten­to foi anu­la­do. Ao fi­nal, vi­tó­ria co­lo­ra­da por 2 a 1. Por­tan­to, dois acer­tos da ar­bi­tra­gem com uso do VAR, am­bos evi­tan­do gols ile­gais con­tra o ti­me de Por­to Ale­gre.

“A gen­te vem a pú­bli­co pe­dir uma ar­bi­tra­gem que api­te igual pa­ra to­dos”, dis­se o pre­si­den­te pal­mei­ren­se. No­bre. Mas não pe­ga bem a in­ter­pre­ta­ção das re­gras do jo­go à ma­nei­ra de ca­da um. In­sis­to, evi­den­te­men­te tais mo­di­fi­ca­ções re­cen­te­men­te co­lo­ca­das em prá­ti­ca po­dem ser ques­ti­o­na­das, mas, en­quan­to es­ti­ve­rem va­len­do, não faz sen­ti­do se quei­xar com es­se ti­po de argumento. Pa­re­ce um pou­co com a fi­nal do Cam­pe­o­na­to Pau­lis­ta de 2018, quan­do um pê­nal­ti con­tra o Co­rinthi­ans foi mar­ca­do no es­tá­dio do Palmeiras e de­pois a ar­bi­tra­gem vol­tou atrás.

Na opor­tu­ni­da­de, hou­ve sus­pei­ta, e cer­te­za pa­ra al­guns, de in­ter­fe­rên­cia ex­ter­na no que ain­da era o fu­te­bol sem VAR. Con­tro­ver­so. Mas por li­nhas tor­tas, o ár­bi­tro acer­tou, pois não hou­ve a in­fra­ção ini­ci­al­men­te as­si­na­la­da con­tra os co­rin­ti­a­nos, que fi­ca­ram com o bi­cam­pe­o­na­to pau­lis­ta. As queixas do Palmeiras a par­tir daí ex­pu­se­ram uma si­tu­a­ção con­tro­ver­sa, afi­nal, qual era a rei­vin­di­ca­ção de seus di­ri­gen­tes? Que­ri­am ba­ter uma pe­na­li­da­de má­xi­ma que não exis­tiu? E ago­ra, o que de­se­ja­va téc­ni­co e pre­si­den­te, a va­li­da­ção de um gol ir­re­gu­lar?

Tu­do is­so é pés­si­mo pa­ra o fu­te­bol, ain­da mais quan­do par­te da im­pren­sa, ávi­da por au­di­ên­cia e mo­vi­da por bair­ris­mo, es­ti­mu­la a dis­cus­são sem in­for­ma­ção. Dão eco a vo­zes de clu­bes em cla­ro des­ser­vi­ço ao jor­na­lis­mo e ao fu­te­bol. Que tal ex­pli­car o que diz a re­gra e a par­tir daí ques­ti­o­nar qu­em se quei­xa sem ra­zão?

Não pe­ga bem a in­ter­pre­ta­ção das re­gras do jo­go à ma­nei­ra de ca­da um

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