Ban­co ca­na­den­se am­plia port­fó­lio e cria área de Fu­sões e Aqui­si­ções (M&A)

Sco­ti­a­bank, que atua no ata­ca­do no País, es­tá de olho em uma fa­tia de mer­ca­do que mo­vi­men­tou R$ 177,2 bi­lhões em 2018

O Estado de S. Paulo - - Economia Negócios -

Oca­na­den­se Sco­ti­a­bank ini­ci­ou sua atu­a­ção no Bra­sil co­mo um ban­co de ata­ca­do, em 2011, ao com­prar as ope­ra­ções lo­cais do Dresd­ner Bank. Atu­an­do co­mo um ban­co múl­ti­plo, na emis­são de bonds, em­prés­ti­mos sin­di­ca­li­za­dos, de­ri­va­ti­vos de câm­bio, ta­xa de juros pa­ra pro­ver “hed­ge” aos cli­en­tes so­bre su­as receitas e obri­ga­ções em moeda es­tran­gei­ra, o Sco­ti­a­bank ele­vou em 12 ve­zes os ati­vos no Bra­sil, de C$ 600 mi­lhões (dó­la­res ca­na­den­ses) pa­ra C$ 7,5 bi­lhões (US$ 5,64 bi­lhões) em oi­to anos. O ban­co en­tra ago­ra em uma no­va fa­se com a cri­a­ção do de­par­ta­men­to de Fu­sões e Aqui­si­ções (M&A, na si­gla em in­glês). “Não é uma mu­dan­ça es­tra­té­gi­ca, mas um mo­vi­men­to im­por­tan­te que com­ple­ta o port­fó­lio oferecido aos cli­en­tes”, ex­pli­ca o CEO do Sco­ti­a­bank, Pau­lo André Cam­pos Bernardo.

O ban­co es­tá de olho em uma fa­tia de um mer­ca­do que mo­vi­men­tou R$ 177,2 bi­lhões no ano pas­sa­do. Da­dos da Associação Bra­si­lei­ra das En­ti­da­des dos Mer­ca­dos Fi­nan­cei­ro e de Ca­pi­tais (An­bi­ma) apon­tam que os anún­ci­os de M&A cres­ce­ram em vo­lu­me 28% so­bre 2017, com 140 ope­ra­ções. Um dos se­to­res em que o Sco­ti­a­bank tem ex­per­ti­se e cli­en­tes no Bra­sil, o de ener­gia elé­tri­ca, foi o se­gun­do com mais M&A, re­pre­sen­tan­do 11,6%. Em pri­mei­ro, fi­cou pa­pel e ce­lu­lo­se com 26,9%, de­sem­pe­nho in­flu­en­ci­a­do pe­lo acor­do en­tre as gi­gan­tes Su­za­no e Fi­bria. O ban­co tra­ba­lhou na ope­ra­ção, co­mo um dos lí­de­res

Anún­ci­os de fu­sões e aqui­si­ções cres­ce­ram 28% em vo­lu­me no ano pas­sa­do

na emis­são de bonds co­mo par­te do acor­do. Além de ener­gia, o Sco­ti­a­bank atua pri­o­ri­ta­ri­a­men­te nos se­to­res de óleo e gás, in­fra­es­tru­tu­ra lo­gís­ti­ca (es­tra­das e fer­ro­vi­as), mi­ne­ra­ção e ma­qui­ná­rio pa­ra o agro­ne­gó­cio. No Canadá, o Sco­ti­a­bank é o ter­cei­ro mai­or ban­co.

O CEO da ins­ti­tui­ção ci­ta ou­tros fa­to­res que tam­bém es­ti­mu­la­ram a cri­a­ção do de­par­ta­men­to de M&A, co­mo a ne­ces­si­da­de de o Bra­sil in­ves­tir em in­fra­es­tru­tu­ra, com no­vas con­ces­sões, e o flu­xo de re­cur­sos em di­re­ção ao Bra­sil, que de­ve crescer. “Os ca­na­den­ses co­nhe­cem bem o País e fi­ze­ram al­guns apor­tes pon­tu­ais. Ob­ser­va­mos o in­te­res­se de fun­dos de pen­são co­mo Te­a­chers’ e CPPIB”, co­men­ta Bernardo. Es­te ano, ou­tro fun­do de pen­são ca­na­den­se, o CDPQ, com­prou 90% da TAG, trans­por­ta­do­ra de gás na­tu­ral da Pe­tro­bras, em par­ce­ria com a Engie, por R$ 8,6 bi­lhões. O Sco­ti­a­bank é o úni­co ban­co ca­na­den­se atu­an­do no Bra­sil. “Há po­ten­ci­al tan­to pa­ra es­tran­gei­ros ad­qui­ri­rem par­ti­ci­pa­ção em em­pre­sas no Bra­sil quan­to de com­pa­nhi­as lo­cais fa­zen­do apor­tes no ex­te­ri­or, di­ver­si­fi­can­do seus mer­ca­dos, re­du­zin­do o ris­co de uma ex­po­si­ção con­cen­tra­da na eco­no­mia bra­si­lei­ra”, acres­cen­ta o CEO. Os da­dos da An­bi­ma cor­ro­bo­ram a vi­são do exe­cu­ti­vo. No ano pas­sa­do, 53% do vo­lu­me de M&A foi de es­tran­gei­ras in­gres­san­do em em­pre­sas bra­si­lei­ras. So­ma­do a is­so, o Sco­ti­a­bank tem uma pre­sen­ça no con­ti­nen­te que “é única” nas pa­la­vras do CEO, com uni­da­des nos Es­ta­dos Uni­dos, Mé­xi­co, Chi­le, Colôm­bia e Pe­ru, além de ope­ra­ções na Ásia e na Eu­ro­pa.

Ou­tros seg­men­tos do mer­ca­do tam­bém es­tão na mi­ra do Sco­ti­a­bank, co­mo equity (ações) e de­bên­tu­res. “São dois seg­men­tos que olha­mos com in­te­res­se e, ca­so se con­so­li­dem co­mo opor­tu­ni­da­de, po­de­mos fa­zer al­gum in­ves­ti­men­to.” Já a op­ção de atu­ar co­mo um ban­co de va­re­jo no País não es­tá nos pla­nos. “Foi uma es­co­lha da ma­triz. Uma aqui­si­ção aqui se­ria de­sa­fi­a­do­ra por vá­ri­os as­pec­tos, tan­to que o úni­co ban­co es­tran­gei­ro que con­se­guiu se es­ta­be­le­cer no va­re­jo foi o San­tan­der, via aqui­si­ção do Ba­nes­pa e do ABN”, ex­pli­ca.

No ano pas­sa­do, o Sco­ti­a­bank re­gis­trou um lu­cro no País de C$ 120 mi­lhões (US$ 90 mi­lhões). “Foi um dos me­lho­res anos aqui, mas nos impôs o de­sa­fio gran­de de re­pe­tir o bom re­sul­ta­do, o que es­tá di­fí­cil, da­do o de­sem­pe­nho da eco­no­mia pi­or do que o es­pe­ra­do”, ex­pli­ca o CEO. Per­to de 25% do re­sul­ta­do da pla­ta­for­ma de ata­ca­do do Sco­ti­a­bank na Amé­ri­ca La­ti­na vem da uni­da­de bra­si­lei­ra. Es­te ano, o ban­co fi­gu­rou co­mo o se­gun­do me­lhor en­tre os de ata­ca­do no ran­king Fi­nan­ças Mais, do Estadão, atrás ape­nas do Sa­fra.

Pau­lo Bernardo, CEO do Sco­ti­a­bank: “Há po­ten­ci­al tan­to pa­ra es­tran­gei­ros quan­to pa­ra com­pa­nhi­as lo­cais”

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