Se­na­do apro­va tex­to-ba­se da Pre­vi­dên­cia e re­duz eco­no­mia

Ne­go­ci­a­ção. Se­na­do­res der­ru­bam res­tri­ção em abo­no e ame­a­çam tra­var vo­ta­ção em 2º tur­no até que o go­ver­no cum­pra acor­dos fir­ma­dos pa­ra a apro­va­ção da re­for­ma, co­mo li­be­ra­ção de emen­das e ga­ran­tia de mais re­cur­sos pa­ra Es­ta­dos no me­ga­lei­lão do pré-sal

O Estado de S. Paulo - - Primeira Página - / DA­NI­EL WE­TER­MAN, IDIANA TOMAZELLI, AMANDA PUPO E EDU­AR­DO RO­DRI­GUES

O Se­na­do apro­vou em 1.º tur­no o tex­to-ba­se da re­for­ma da Pre­vi­dên­cia. Na vo­ta­ção dos des­ta­ques, foi der­ru­ba­da a res­tri­ção ao pa­ga­men­to do abo­no a quem ga­nha até R$ 1,4 mil. Com is­so, a eco­no­mia pre­vis­ta em dez anos caiu R$ 76,4 bi­lhões, pa­ra R$ 800,3 bi­lhões. A re­for­ma te­rá de pas­sar por um 2.º tur­no, mas os se­na­do­res ame­a­çam tra­var a vo­ta­ção até que o Pla­nal­to cum­pra acor­dos fir­ma­dos.

Com uma se­ma­na de atra­so, o ple­ná­rio do Se­na­do Fe­de­ral apro­vou, por 56 vo­tos a 19, o tex­to-ba­se da re­for­ma da Pre­vi­dên­cia em pri­mei­ro tur­no. O ei­xo cen­tral da pro­pos­ta é a cri­a­ção de ida­des mí­ni­mas de apo­sen­ta­do­ria no País, com re­gras de tran­si­ção pa­ra quem já es­tá no mer­ca­do de tra­ba­lho. Em uma der­ro­ta pa­ra o go­ver­no, os se­na­do­res der­ru­ba­ram o ar­ti­go que res­trin­gia o pa­ga­men­to do abo­no sa­la­ri­al a quem ga­nha até R$ 1,4 mil, o que fez com que a eco­no­mia es­pe­ra­da em dez anos com as me­di­das fos­se de­si­dra­ta­da em R$ 76,4 bi­lhões, pa­ra R$ 800,3 bi­lhões.

Com is­so, a re­gra atu­al foi man­ti­da: re­ce­be o be­ne­fí­cio – uma es­pé­cie de 14.º sa­lá­rio pa­go pe­lo go­ver­no a tra­ba­lha­do­res for­mais de bai­xa ren­da – quem ga­nha até dois sa­lá­ri­os.

Fo­ram vo­ta­dos on­tem 3 de 10 des­ta­ques (ve­ja mais na pág. B3). Após es­sa eta­pa, a re­for­ma ain­da pre­ci­sa­rá pas­sar por um se­gun­do tur­no de vo­ta­ção no ple­ná­rio. A pre­vi­são era de que es­se pas­so fi­nal fos­se da­do em 10 de ou­tu­bro, mas o cro­no­gra­ma se tor­nou in­cer­to pe­la pres­são dos se­na­do­res.

Os par­la­men­ta­res ame­a­çam tra­var a vo­ta­ção fi­nal até que o go­ver­no cum­pra os com­pro­mis­sos fir­ma­dos pa­ra a apro­va­ção da re­for­ma. O mai­or te­mor é que a di­vi­são dos re­cur­sos do me­ga­lei­lão de pe­tró­leo do pré­sal se­ja al­te­ra­da na Câ­ma­ra de for­ma a di­mi­nuir o mon­tan­te des­ti­na­do a Es­ta­dos. Os se­na­do­res tam­bém pe­dem a li­be­ra­ção de emen­das par­la­men­ta­res, por meio das quais po­dem di­re­ci­o­nar re­cur­sos pa­ra su­as ba­ses elei­to­rais.

No­vo tex­to. Ape­sar de um his­tó­ri­co de me­di­ção de for­ças en­tre Câ­ma­ra e Se­na­do, o pre­si­den­te do Se­na­do, Da­vi Al­co­lum­bre (DEM-AP), não vo­tou pe­la re­for­ma, ao con­trá­rio do pre­si­den­te da Câ­ma­ra, Ro­dri­go Maia (DEM-RJ), que dis­pen­sou a prer­ro­ga­ti­va no car­go pa­ra apoi­ar a pro­pos­ta.

A vo­ta­ção no ple­ná­rio ocor­reu no mes­mo dia da apre­ci­a­ção na Co­mis­são de Cons­ti­tui­ção e Jus­ti­ça (CCJ). Da for­ma co­mo foi apro­va­da na co­mis­são, a pro­pos­ta di­mi­nuiu em R$ 56,8 bi­lhões a eco­no­mia es­pe­ra­da em uma dé­ca­da na com­pa­ra­ção com o tex­to apro­va­do na Câ­ma­ra em agos­to, se­gun­do cál­cu­los da equi­pe econô­mi­ca.

A re­for­ma cria a ida­de mí­ni­ma de 62 anos pa­ra mu­lhe­res e de 65 pa­ra ho­mens, tan­to pa­ra a ini­ci­a­ti­va pri­va­da quan­to pa­ra ser­vi­do­res. Ao fi­nal do tem­po de tran­si­ção, dei­xa de ha­ver a pos­si­bi­li­da­de de apo­sen­ta­do­ria por tem­po de con­tri­bui­ção.

Na no­va re­gra dos se­gu­ra­dos do INSS, o tem­po mí­ni­mo de con­tri­bui­ção se­rá de 15 anos pa­ra mu­lhe­res e 20 pa­ra ho­mens. Pa­ra quem já es­tá no mer­ca­do de tra­ba­lho, po­rém, o tem­po mí­ni­mo de con­tri­bui­ção se­rá de 15 anos pa­ra ho­mens e mu­lhe­res, se­gun­do as mu­dan­ças apro­va­das pe­lo ple­ná­rio da Câ­ma­ra.

Pa­ra os ser­vi­do­res, o tem­po de con­tri­bui­ção mí­ni­mo se­rá de 25 anos, com 10 de ser­vi­ço pú­bli­co e 5 no car­go em que for con­ce­di­da a apo­sen­ta­do­ria.

Além de au­men­tar o tem­po pa­ra se apo­sen­tar, a re­for­ma tam­bém ele­va as alí­quo­tas de con­tri­bui­ção pa­ra quem ga­nha aci­ma do te­to do INSS e es­ta­be­le­ce re­gras de tran­si­ção pa­ra os atu­ais as­sa­la­ri­a­dos.

Pro­fes­so­res do en­si­no bá­si­co, po­li­ci­ais fe­de­rais, le­gis­la­ti­vos e agen­tes pe­ni­ten­ciá­ri­os e educativos te­rão re­gras di­fe­ren­ci­a­das. As no­vas nor­mas não va­le­rão pa­ra os ser­vi­do­res es­ta­du­ais e dos mu­ni­cí­pi­os com re­gi­me pró­prio de Pre­vi­dên­cia, uma vez que o pro­je­to apro­va­do pe­la Co­mis­são Es­pe­ci­al ti­rou a ex­ten­são das re­gras da re­for­ma pa­ra Es­ta­dos e mu­ni­cí­pi­os.

Aler­ta. An­tes da ses­são no ple­ná­rio, par­la­men­ta­res de­ram o re­ca­do ao go­ver­no. “Ago­ra, a água pas­sou do um­bi­go por­que não foi uma ame­a­ça, foi um aler­ta da mai­o­ria dos se­na­do­res di­zen­do: nós va­mos vo­tar ho­je (on­tem) pe­lo Bra­sil, mas se não acon­te­ce­rem os com­pro­mis­sos as­su­mi­dos pe­lo go­ver­no, não ha­ve­rá a vo­ta­ção no dia 10”, dis­se o lí­der do PSL no Se­na­do, Ma­jor Olím­pio (SP).

O lí­der do go­ver­no no Se­na­do, Fer­nan­do Be­zer­ra Co­e­lho (MDB-PE), ga­ran­tiu em­pe­nho pa­ra que o pacto fe­de­ra­ti­vo – con­jun­to de pro­je­tos que dão mais re­cur­sos pa­ra Es­ta­dos e mu­ni­cí­pi­os – avan­ce na Ca­sa.

Di­an­te da ame­a­ça, Al­co­lum­bre pro­me­teu bus­car uma so­lu­ção com o go­ver­no pa­ra fe­char um ca­len­dá­rio pa­ra con­cluir a vo­ta­ção da re­for­ma da Pre­vi­dên­cia até 15 de ou­tu­bro. O pra­zo an­te­ri­or era o dia 10.

Se­na­do x Câ­ma­ra. Al­co­lum­bre dis­se que vai ter uma no­va ro­da­da de con­ver­sas pa­ra que o go­ver­no edi­te uma me­di­da pro­vi­só­ria es­ta­be­le­cen­do a di­vi­são do me­ga­lei­lão dos re­cur­sos do pré-sal de­fi­ni­da pe­lo Se­na­do, que se­gue cri­té­ri­os do Fun­do de Par­ti­ci­pa­ção dos Es­ta­dos (FPE) e do Fun­do de Par­ti­ci­pa­ção dos Mu­ni­cí­pi­os (FPM) (ler mais na pág. B4) .

Na Câ­ma­ra, de­pu­ta­dos de­fen­dem cri­té­ri­os di­fe­ren­tes. O se­na­dor Cid Go­mes (PDT-CE) che­gou a ata­car o lí­der do PP na Câ­ma­ra, Arthur Li­ra (AL), em dis­cur­so no ple­ná­rio do Se­na­do. O pe­de­tis­ta cha­mou Li­ra de “acha­ca­dor” e dis­se que o Se­na­do não po­de vi­rar re­fém das de­ci­sões da ou­tra Ca­sa le­gis­la­ti­va so­bre a des­ti­na­ção do di­nhei­ro.

“Ago­ra, a água pas­sou do um­bi­go por­que não foi uma ame­a­ça, foi um aler­ta da mai­o­ria dos se­na­do­res di­zen­do: nós va­mos vo­tar ho­je (on­tem) pe­lo Bra­sil, mas se não acon­te­ce­rem os com­pro­mis­sos as­su­mi­dos pe­lo go­ver­no, não ha­ve­rá a vo­ta­ção no dia 10.” Ma­jor Olím­pio (PSL-SP)

LÍ­DER DO PSL NO SE­NA­DO

DIDA SAM­PAIO/ESTADÃO

Pla­car. Tex­to foi apro­va­do pe­lo ple­ná­rio do Se­na­do, em 1º tur­no, por 56 vo­tos a 19

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