Di­vi­são do pré-sal po­de com­pro­me­ter me­ta fis­cal

Atra­so em de­fi­ni­ção da for­ma de par­ti­lha de re­cur­sos de me­ga­lei­lão do pe­tró­leo po­de co­lo­car em ris­co re­gra das con­tas pú­bli­cas em 2020

O Estado de S. Paulo - - Economia - Adri­a­na Fer­nan­des Ca­mil­la Tur­tel­li / BRASÍLIA

Um atra­so na de­fi­ni­ção da for­ma de par­ti­lha dos re­cur­sos ar­re­ca­da­dos com o me­ga­lei­lão do pe­tró­leo po­de pro­vo­car um ver­da­dei­ro des­com­pas­so en­tre re­cei­tas e des­pe­sas no Or­ça­men­to do go­ver­no fe­de­ral e atra­pa­lhar o cum­pri­men­to da me­ta fis­cal em 2020.

O ris­co en­trou no ra­dar da equi­pe econô­mi­ca por cau­sa da dis­pu­ta no Con­gres­so da di­vi­são dos re­cur­sos en­tre Es­ta­dos, mu­ni­cí­pi­os e União. De­pu­ta­dos que­rem al­te­rar a di­vi­são da ar­re­ca­da­ção do lei­lão que se­ria re­pas­sa­da pa­ra Es­ta­dos (15%) e mu­ni­cí­pi­os (15%), au­men­tan­do a par­ce­la pa­ra os pre­fei­tos. Co­mo mos­trou o Es­ta­do na edi­ção de sá­ba­do, há li­de­ran­ças tam­bém que que­rem di­mi­nuir a fa­tia da re­cei­ta que fi­ca­rá com a União.

O acir­ra­men­to da dis­pu­ta pe­los re­cur­sos, com a pro­xi­mi­da­de do lei­lão, mar­ca­do pa­ra no­vem­bro, po­de re­tar­dar a apro­va­ção da Pro­pos­ta de Emen­da à Cons­ti­tui­ção (PEC) que tra­ta do te­ma. O as­sun­to é tão sen­sí­vel que se­na­do­res ame­a­çam pa­rar a vo­ta­ção da re­for­ma da Pre­vi­dên­cia após 1.º tur­no pe­lo ris­co de a di­vi­são ser al­te­ra­da. Go­ver­na­do­res pres­si­o­nam pe­lo cum­pri­men­to do acor­do.

Se o lei­lão for re­a­li­za­do no dia 6 de no­vem­bro, co­mo o pre­vis­to, mas a par­ti­lha não ti­ver de­fi­ni­da até 27 de de­zem­bro, quan­do o di­nhei­ro te­rá de en­trar no cai­xa, os re­cur­sos que se­ri­am des­ti­na­dos aos Es­ta­dos e mu­ni­cí­pi­os se­rão com­pu­ta­dos co­mo re­cei­tas da União, di­mi­nuin­do o rom­bo de 2019. Nes­se ce­ná­rio, o dé­fi­cit des­te ano cai­ria pa­ra cer­ca de R$ 50 bi­lhões.

Mas, por ou­tro la­do, em 2020, o go­ver­no te­ria de ar­car com o re­pas­se dos re­cur­sos pa­ra Es­ta­dos e mu­ni­cí­pi­os, o que “ar­re­ben­ta­ria” com o Or­ça­men­to de 2020, se­gun­do a área econô­mi­ca, já que o re­pas­se é com­pu­ta­do co­mo des­pe­sa.

Ce­ná­ri­os. Se­gun­do um in­te­gran­te da equi­pe econô­mi­ca, o me­lhor ce­ná­rio pa­ra as con­tas pú­bli­cas é a ex­pec­ta­ti­va de ágio (va­lor aci­ma do mí­ni­mo exi­gi­do pe­lo go­ver­no). Nes­se ca­so, o con­sór­cio ga­nha­dor te­rá o di­rei­to de par­ce­lar o va­lor a ser pa­go em du­as ve­zes. O par­ce­la­men­to aju­da a de­sa­fo­gar o re­sul­ta­do fis­cal des­te ano e tam­bém o de 2020. Além dis­so, evi­ta uma ins­cri­ção gran­de de des­pe­sas no cha­ma­do “res­tos a pa­gar” (trans­fe­ri­das de um ano pa­ra o ou­tro), o que po­de acon­te­cer já que o di­nhei­ro só en­tra no cai­xa no fim de de­zem­bro sem tem­po pa­ra a exe­cu­ção de gas­tos que es­ta­vam blo­que­a­dos.

Na se­ma­na pas­sa­da, foi fe­cha­do um acor­do en­tre o mi­nis­tro da Eco­no­mia, Pau­lo Gu­e­des, e os pre­si­den­tes Da­vi Al­co­lum­bre (Se­na­do) e Ro­dri­go Maia (Câ­ma­ra) pa­ra ga­ran­tir o lei­lão com a pro­mul­ga­ção da PEC. Pe­lo acor­do, dos R$ 106,5 bi­lhões do bô­nus de as­si­na­tu­ra do lei­lão, a Pe­tro­brás fi­ca­rá com R$ 33,6 bi­lhões. Ou­tros R$ 10,95 bi­lhões (15%) se­ri­am re­pas­sa­dos a Es­ta­dos; R$ 10,95 bi­lhões (15%) pa­ra os mu­ni­cí­pi­os e R$ 2,19 bi­lhões (3%) se­ri­am dis­tri­buí­dos pa­ra o Rio. A União fi­ca­ria com a fa­tia de R$ 48,9 bi­lhões. A equi­pe econô­mi­ca es­pe­ra o cum­pri­men­to do acor­do.

O Tri­bu­nal de Con­tas da União (TCU) ain­da te­rá de dar o aval pa­ra o lei­lão. A ses­são es­ta­va mar­ca­da pa­ra es­ta quar­ta-fei­ra, mas foi adi­a­da pa­ra a pró­xi­ma se­ma­na.

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