Cai­xa pe­de à Jus­ti­ça a fa­lên­cia da Ode­bre­cht

Ban­co pú­bli­co – que, ao con­trá­rio de seus pa­res, não tem cré­di­tos ga­ran­ti­dos por ações da pe­troquí­mi­ca Bras­kem – já ha­via pe­di­do a extinção da re­cu­pe­ra­ção ju­di­ci­al da em­prei­tei­ra, um dos pivôs da Lava Jato; dí­vi­da to­tal do gru­po é de cer­ca de R$ 100 bi­lhõ

O Estado de S. Paulo - - Primeira página -

O ban­co quer que a Jus­ti­ça per­mi­ta aos cre­do­res no­me­ar no­vos ad­mi­nis­tra­do­res pa­ra o con­glo­me­ra­do e su­as sub­si­diá­ri­as em uma as­sem­bleia. Com dí­vi­da de cer­ca de R$ 100 bi­lhões, a Ode­bre­cht pe­diu re­cu­pe­ra­ção ju­di­ci­al em ju­nho, após uma for­te pres­são da Cai­xa, que tam­bém ini­ci­ou uma cam­pa­nha pa­ra exe­cu­tar as ga­ran­ti­as das dí­vi­das do gru­po.

A Cai­xa Econô­mi­ca Fe­de­ral pe­diu on­tem a fa­lên­cia do con­glo­me­ra­do Ode­bre­cht. A Cai­xa quer que a Jus­ti­ça per­mi­ta aos cre­do­res no­me­ar no­vos ad­mi­nis­tra­do­res pa­ra o con­glo­me­ra­do e su­as sub­si­diá­ri­as em uma as­sem­bleia. A in­for­ma­ção, ini­ci­al­men­te di­vul­ga­da pe­la agên­cia Reu­ters, foi con­fir­ma­da pe­lo ‘Es­ta­do’.

Fon­tes li­ga­das ao ca­so lem­bram que, em pro­ces­sos de re­cu­pe­ra­ção ju­di­ci­al, é co­mum que cre­do­res pe­çam a fa­lên­cia. Se­gun­do um es­pe­ci­a­lis­ta no te­ma, um pe­di­do de fa­lên­cia du­ran­te es­se ti­po de pro­ces­so só avan­ça se for de um cre­dor no­vo, pos­te­ri­or à pro­te­ção ju­di­ci­al.

Com dí­vi­da de cer­ca de R$ 100 bi­lhões, a Ode­bre­cht pe­diu re­cu­pe­ra­ção ju­di­ci­al em ju­nho, após for­te pres­são da Cai­xa. A At­vos – em­pre­sa de açú­car e ál­co­ol da Ode­bre­cht – ha­via to­ma­do o mes­mo ca­mi­nho no mês an­te­ri­or. O ban­co ini­ci­ou uma cam­pa­nha pa­ra exe­cu­tar as ga­ran­ti­as das dí­vi­das do gru­po.

O ob­je­ti­vo da Cai­xa era con­se­guir ações da pe­troquí­mi­ca Bras­kem pa­ra re­du­zir sua ex­po­si­ção ao gru­po. En­tre to­dos os ban­cos cre­do­res, lis­ta que tam­bém in­clui Itaú, Bra­des­co e Ban­co do Bra­sil, ape­nas a Cai­xa e o Vo­to­ran­tim não ti­nham seus cré­di­tos co­ber­tos por ações da pe­troquí­mi­ca. A ex­po­si­ção da Cai­xa na Ode­bre­cht é da or­dem de R$ 2,2 bi­lhões.

Sem con­se­guir as mes­mas ga­ran­ti­as que os ou­tros ban­cos cre­do­res, a Cai­xa pe­diu a exe­cu­ção de uma dí­vi­da do Ita­que­rão (es­tá­dio do Co­rinthi­ans).

No úl­ti­mo dia 27 de se­tem­bro, •

Ex­po­si­ção

a Cai­xa ha­via so­li­ci­ta­do a extinção da re­cu­pe­ra­ção ju­di­ci­al da Ode­bre­cht, con­for­me re­ve­lou o Estadão/Bro­ad­cast.

No pe­di­do, os ad­vo­ga­dos da Cai­xa re­cla­ma­ram do fa­to de a Ode­bre­cht ter reu­ni­do em um úni­co pro­ces­so a re­cu­pe­ra­ção ju­di­ci­al de vá­ri­as em­pre­sas di­fe­ren­tes, o que se­ria ile­gal. Es­sa es­tra­té­gia é cha­ma­da de “con­so­li­da­ção subs­tan­ci­al” na lei. Fo­ram reu­ni­dos no mes­mo pro­ces­so o pe­di­do de 21 ne­gó­ci­os.

Nos au­tos, a Cai­xa res­sal­ta­va que a Ode­bre­cht jus­ti­fi­ca­va a jun­ção de to­dos os pe­di­dos co­mo me­di­da pa­ra pre­ser­var as ati­vi­da­des da em­pre­sa. Po­rém, no­ta­ram os ad­vo­ga­dos, a afir­ma­ção era ge­né­ri­ca sob o pon­to de vis­ta de si­ner­gia das em­pre­sas.

Pro­cu­ra­da, a Cai­xa dis­se ape­nas que não co­men­ta pro­ces­sos pen­den­tes de de­ci­são ju­di­ci­al.

A Ode­bre­cht afir­mou ser “na­tu­ral, em qual­quer re­cu­pe­ra­ção ju­di­ci­al, que os cre­do­res fa­çam ques­ti­o­na­men­tos. (...) A Ode­bre­cht es­tá em um pro­ces­so de ne­go­ci­a­ção cons­tru­ti­va com os seus prin­ci­pais cre­do­res e con­fia que seu pla­no de re­cu­pe­ra­ção se­rá apro­va­do pa­ra a pre­ser­va­ção de seus 40 mil em­pre­gos”. /

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