Tí­tu­los pú­bli­cos atra­em pe­que­nos in­ves­ti­do­res

O Estado de S. Paulo - - Economia -

Com a que­da da ta­xa bá­si­ca de ju­ros pa­ra 5,5% ao ano, a me­nor da his­tó­ria, ten­de a cres­cer a pro­cu­ra de tí­tu­los pú­bli­cos ofe­re­ci­dos a pe­que­nos apli­ca­do­res no pro­gra­ma Te­sou­ro Di­re­to. O mês de agos­to, com 20,7 mil no­vos in­ves­ti­do­res ati­vos e 224 mil no­vos in­ves­ti­do­res ca­das­tra­dos, mar­cou um no­vo re­cor­de na apli­ca­ção. Es­ta é uti­li­za­da por 1,13 mi­lhão de pes­so­as, che­gan­do a 4,8 mi­lhões o nú­me­ro de ca­das­tra­dos. Em­bo­ra seu im­pac­to se­ja pe­que­no pa­ra a ad­mi­nis­tra­ção da dí­vi­da – o va­lor to­tal apli­ca­do no Te­sou­ro Di­re­to é de R$ 58 bi­lhões, dos quais R$ 2 bi­lhões em agos­to –, tra­ta-se de uma li­nha im­por­tan­te pa­ra pro­mo­ver a edu­ca­ção fi­nan­cei­ra dos apli­ca­do­res e que ten­de a cres­cer mui­to no lon­go pra­zo.

Em agos­to, a dí­vi­da pú­bli­ca fe­de­ral au­men­tou R$ 81 bi­lhões (2,03%) em re­la­ção a ju­lho e atin­giu R$ 4,07 tri­lhões. A al­ta se de­veu a emis­sões de qua­se R$ 40 bi­lhões, em es­pe­ci­al em pre­fi­xa­dos e tí­tu­los cor­ri­gi­dos pe­la ta­xa Se­lic, à apro­pri­a­ção de ju­ros de R$ 27 bi­lhões e à va­lo­ri­za­ção do dó­lar.

A pro­cu­ra por pa­péis cres­ceu, in­di­can­do con­fi­an­ça dos in­ves­ti­do­res. Os fun­dos de in­ves­ti­men­to e as ins­ti­tui­ções fo­ram os gru­pos que mais am­pli­a­ram sua par­ti­ci­pa­ção en­tre os prin­ci­pais de­ten­to­res da dí­vi­da em agos­to, com acrés­ci­mos de R$ 90 bi­lhões e de R$ 23,4 bi­lhões, res­pec­ti­va­men­te, pa­ra 27,15% e 22,93% do to­tal, en­quan­to caía R$ 53,4 bi­lhões, pa­ra 24,16%, o es­to­que de­ti­do por en­ti­da­des de Pre­vi­dên­cia.

O cus­to mé­dio do es­to­que da dí­vi­da nos úl­ti­mos 12 me­ses mos­trou re­du­ção de 8,66% ao ano, em ju­lho, pa­ra 8,54% ao ano, em agos­to. Is­so sig­ni­fi­ca um alí­vio nos cus­tos do Te­sou­ro, em­bo­ra nas úl­ti­mas se­ma­nas, em ra­zão das in­cer­te­zas glo­bais, te­nha ha­vi­do al­gu­ma pres­são so­bre os ju­ros. Es­sa pres­são tam­bém apa­re­ce no por­cen­tu­al de ven­ci­men­tos pa­ra os pró­xi­mos 12 me­ses, que pas­sou, en­tre ju­lho e agos­to, de 16,97% pa­ra 18,26% do to­tal.

Se as con­di­ções econô­mi­cas per­mi­ti­rem que o Ban­co Cen­tral con­ti­nue a re­du­zir a ta­xa bá­si­ca, as con­tas pú­bli­cas se­rão be­ne­fi­ci­a­das e se­rá me­nos di­fí­cil de con­tro­lar a evo­lu­ção da dí­vi­da pú­bli­ca to­tal, ho­je de cer­ca de 77% do Pro­du­to In­ter­no Bru­to (PIB). Es­sa pro­por­ção é mui­to su­pe­ri­or à dí­vi­da mé­dia dos paí­ses emer­gen­tes, da or­dem de 50% do PIB.

A re­for­ma da Pre­vi­dên­cia, à es­pe­ra da apro­va­ção fi­nal pe­lo Se­na­do, aju­da­rá o pro­ces­so de con­tro­le e pos­te­ri­or re­du­ção da re­la­ção en­tre dí­vi­da e PIB.

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