Fó­rum dos Lei­to­res

O Estado de S. Paulo - - Espaço Aberto -

PERS­PEC­TI­VAS Nos­so fu­tu­ro

Os go­ver­nos, com al­gu­mas ex­ce­ções, vêm mos­tran­do de­sem­pe­nho de­fi­ci­en­te no mun­do to­do. Te­nho até ou­vi­do pre­vi­sões so­bre o de­sa­pa­re­ci­men­to dos go­ver­nos em seus mo­de­los atu­ais, vin­do o mun­do a ser go­ver­na­do por 30 ou 40 gigantes mul­ti­na­ci­o­nais, que já es­ta­ri­am en­sai­an­do no­vos ru­mos pa­ra a economia, até com no­vos ti­pos de mo­e­da e no­vas formas de distribuiç­ão dos bens e serviços. Se­rá que te­re­mos uma re­for­ma social gi­gan­te nas pró­xi­mas dé­ca­das, com um sis­te­ma que, an­co­ra­do no gran­de de­sen­vol­vi­men­to tec­no­ló­gi­co, ve­nha a su­prir as necessidad­es da so­ci­e­da­de, des­de as pri­má­ri­as e es­sen­ci­ais até os de­se­jos mais efê­me­ros? Po­de ser um so­nho ou um pe­sa­de­lo. Mas tem ve­ros­si­mi­lhan­ça!

LUIZ AU­GUS­TO CASSEB NAHUZ [email protected]

São Pau­lo

Ter­ra em tran­se

En­tre go­ver­nos de es­quer­da es­ta­ti­zan­te e di­rei­ta pri­va­ti­zan­te, so­mos um país re­fém de ide­o­lo­gi­as im­por­ta­das que não se im­por­tam com a re­a­li­da­de econô­mi­ca da Na­ção bra­si­lei­ra, cin­di­da pe­la in­jus­ti­ça social. Há um cin­tu­rão de mi­sé­ria no en­tor­no de to­das as ci­da­des des­te nos­so Bra­sil, tão ri­co e tão mal ad­mi­nis­tra­do. A ca­rên­cia de edu­ca­ção, saúde e in­fra­es­tru­tu­ra nas pe­ri­fe­ri­as se re­fle­te na vi­o­lên­cia que nos des­trói, de­su­ne e de­sa­ni­ma. Uma na­ção em per­ma­nen­te tran­se exis­ten­ci­al.

PAU­LO SERGIO ARISI pau­[email protected]

Por­to Ale­gre

Pa­ra re­fle­tir

Igual­da­de de opor­tu­ni­da­des? A mé­dia sa­la­ri­al no Ju­di­ciá­rio é de R$ 28 mil; no Le­gis­la­ti­vo, R$ 18 mil; e no Exe­cu­ti­vo, R$ 12 mil. A mé­dia sa­la­ri­al do res­to dos brasileiro­s, na ini­ci­a­ti­va pri­va­da, é de R$ 1.700; 40 milhões de apo­sen­ta­dos re­ce­bem em mé­dia R$ 1.370 e des­tes, 25 milhões le­vam um sa­lá­rio mí­ni­mo, R$ 998. A re­for­ma da Previdênci­a re­sol­ve o pro­ble­ma econô­mi­co, mas não o social. E as ca­te­go­ri­as já pri­vi­le­gi­a­das (os três Po­de­res) de­se­jam ain­da mais au­men­tos, além de in­cor­po­ra­ções a seus ven­ci­men­tos, que já são imo­rais! VALDOMIRO TRENTO val­do­mi­ro­tren­[email protected]­mail.com San­tos

SACRILÉGIO Ir­mã Dul­ce

Ir­mã Dul­ce, com to­da a jus­ti­ça, vai ser ca­no­ni­za­da dia 13 no Va­ti­ca­no. Foi uma mu­lher que sem­pre de­fen­deu os mais ne­ces­si­ta­dos. Li em al­gum lu­gar uma pas­sa­gem que re­ve­la quem foi Ir­mã Dul­ce. Cer­ta vez ela pe­diu do­na­ti­vos a um em­pre­sá­rio que em res­pos­ta lhe deu uma cus­pa­ra­da. Nos­sa fu­tu­ra san­ta en­tão lhe dis­se: “Is­so é pa­ra mim, mas o que o se­nhor tem a do­ar aos meus po­bres?”. Uma pes­soa com ca­rá­ter tão no­bre, de­cen­te e su­pe­ri­or não me­re­ce ser “re­ve­ren­ci­a­da” por um ban­do de po­lí­ti­cos que vi­a­ja­rão à nos­sa cus­ta, com to­das as mor­do­mi­as. Ir­mã Dul­ce re­pre­sen­ta e sem­pre de­fen­deu os que mais pre­ci­sa­vam, e não es­sa laia de apro­vei­ta­do­res ines­cru­pu­lo­sos. Se­ria de es­pe­rar que, em res­pei­to à hu­mil­da­de e bon­da­de da nos­sa san­ta, S. Exas. pa­gas­sem do pró­prio bol­so as despesas da vi­a­gem. LEÃO MA­CHA­DO NE­TO lne­[email protected]

São Pau­lo

COR­RUP­ÇÃO Ain­da de­la­tor e de­la­ta­do

Des­con­si­de­rar que o de­la­tor não acu­sa, ape­nas de­nun­cia ter­cei­ros por (su­pos­tos) cri­mes, é um er­ro. Pe­ran­te o Ju­di­ciá­rio o de­la­tor é, pa­ra efei­to dos cri­mes co­me­ti­dos, só um acu­sa­do e em sua de­fe­sa de­ve ter os mes­mos di­rei­tos dos de­mais acu­sa­dos. Quem acu­sa é o Ministério Pú­bli­co (MP) e os ele­men­tos de pro­va/acu­sa­ção de­vem cons­tar do pro­ces­so en­ca­mi­nha­do ao juiz, subs­cri­tos por um pro­mo­tor, nun­ca pe­lo de­la­tor. Qu­an­do um acu­sa­do ne­go­cia com o MP a re­du­ção da pe­na, tor­nan­do-se de­la­tor, en­tre­ga os ele­men­tos de que dis­põe pa­ra com­pro­var sua de­nún­cia, ca­ben­do ao MP ave­ri­guar a va­li­da­de pa­ra sub­si­di­ar pro­ces­sos con­tra ter­cei­ros que, se for o ca­so, acu­sa­rá. A fi­gu­ra do de­la­tor de­sa­pa­re­ce an­tes do jul­ga­men­to e seu papel co­mo “tes­te­mu­nha de acu­sa­ção” não se con­fun­de com o fa­to de ele ser um acu­sa­do. A de­la­ção mi­ni­mi­za a pe­na do acu­sa­do que a faz, mas não a cul­pa, não po­den­do ele usar em sua de­fe­sa a cul­pa dos de­mais. Es­sa a ló­gi­ca do le­gis­la­dor que o STF sub­ver­te. JOR­GE R. S. AL­VES jor­ger­sal­[email protected]

Jaú

Segunda ins­tân­cia

Es­tá mar­ca­do pa­ra es­te mês, pe­lo STF, jul­ga­men­to que po­de re­pre­sen­tar o funeral da Ope­ra­ção Lava Jato, a mai­or vi­tó­ria da Jus­ti­ça do Bra­sil con­tra a cor­rup­ção, con­de­nan­do gen­te que sem­pre es­te­ve im­pu­ne. Não me­re­ce­mos es­se re­tro­ces­so. Ain­da es­pe­ro a re­fle­xão de al­guns mi­nis­tros so­bre a gra­vi­da­de e im­por­tân­cia de sua de­ci­são.

LUIZ FRID [email protected]­bo­mail.com

São Pau­lo

Ode­bre­cht no breu

Com cer­ca de uma cen­te­na de bi­lhões de re­ais de cré­di­tos não li­qui­da­dos, a em­prei­tei­ra Ode­bre­cht, uma das pro­ta­go­nis­tas do mai­or rou­bo já co­me­ti­do na His­tó­ria do Bra­sil, ago­ra pre­ten­de uma tá­ti­ca con­tá­bil, que o go­ver­no não acei­ta. Pa­ra os maiores cre­do­res – Ban­co do Bra­sil e

Cai­xa Econô­mi­ca Fe­de­ral –, só a de­cre­ta­ção de fa­lên­cia po­de dar iní­cio aos en­ten­di­men­tos. A Lava Jato te­ve seus di­as de gló­ria exa­ta­men­te na épo­ca de com­ba­te ao pe­tis­mo fa­mé­li­co dos co­fres públicos, sem­pre es­cu­da­do pe­las em­prei­tei­ras. E es­tas ago­ra que­rem uma in­dul­gên­cia, pa­ra lá de im­pos­sí­vel?!

JAIR CO­E­LHO

jairg­co­e­[email protected] Vas­sou­ras (RJ)

No­vo pa­ri­si­en­se

A pre­fei­tu­ra de Pa­ris con­ce­deu a Lu­la da Sil­va o título de ci­da­dão ho­no­rá­rio da ci­da­de. A jus­ti­fi­ca­ti­va ale­ga­da pa­ra a ho­me­na­gem é a de que ele te­ria si­do o res­pon­sá­vel por re­du­zir a de­si­gual­da­de social no Bra­sil e ti­ra­do da si­tu­a­ção de ex­tre­ma po­bre­za cer­ca de 30 milhões de brasileiro­s. Cer­ta­men­te os re­pre­sen­tan­tes pa­ri­si­en­ses que ra­ti­fi­ca­ram o título há mui­to não vi­si­tam o nos­so país. Se o fi­zes­sem com mais frequên­cia e acom­pa­nhas­sem a mar­cha dos acon­te­ci­men­tos por aqui, sa­be­ri­am que os 30 milhões ci­ta­dos, ilu­di­dos por no­ci­vo po­pu­lis­mo que ca­rac­te­ri­zou a atu­a­ção do lau­re­a­do du­ran­te o pe­río­do em que es­te­ve no po­der, vol­ta­ram à si­tu­a­ção an­te­ri­or, com la­men­tá­veis acrés­ci­mos. E que as di­fe­ren­ças so­ci­ais su­pos­ta­men­te su­pri­mi­das fo­ram res­ta­be­le­ci­das pe­lo es­fa­ce­la­men­to da economia que so­bre­veio dos des­go­ver­nos pe­tis­tas, pro­du­zin­do, en­tre ou­tras ma­ze­las, o tris­te pa­no­ra­ma de mais de 13 milhões de de­sem­pre­ga­dos. La­men­tá­vel mi­o­pia. PAU­LO RO­BER­TO GOTAÇ pgo­[email protected]

Rio de Ja­nei­ro

Bi­jou

Se­rá que o Lu­la vai re­ce­ber o título em Pa­ris com tor­no­ze­lei­ra? EUGÊNIO JOSÉ ALATI eu­ge­ni­o­a­la­[email protected] Cam­pi­nas “Di­vi­dir recursos do pré-sal com o Con­gres­so? O Con­gres­so es­tá pre­ci­san­do de di­nhei­ro? Não es­ta­ria aí, por aca­so, in­ten­ção es­can­ca­ra­da de li­be­rar a in­di­ca­ção do fi­lho de Bol­so­na­ro pa­ra a em­bai­xa­da dos EUA?”

MA­RIA DO CAR­MO ZAFFALON LE­ME CAR­DO­SO / BAURU, SO­BRE A VOL­TA DO ‘TO­MA LÁ DÁ CÁ’ [email protected]

“En­quan­to os no­bres con­gres­sis­tas agi­rem com cor­po­ra­ti­vis­mo e pen­sa­rem só no pró­prio bol­so, o Bra­sil não pre­ci­sa de ini­mi­gos. Da­ne-se o po­vo!”

MILTON BULACH / CAM­PI­NAS, IDEM mbu­la­[email protected]

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