Au­men­tam os pe­di­dos de apo­sen­ta­do­ria

O Estado de S. Paulo - - Economia -

A ca­da mês, a di­vul­ga­ção do Re­sul­ta­do do Te­sou­ro Na­ci­o­nal (RTN) traz no­vas evi­dên­ci­as do grau de ur­gên­cia da re­for­ma da Previdênci­a e do cus­to in­cor­ri­do em ra­zão do adi­a­men­to das mu­dan­ças nas apo­sen­ta­do­ri­as e pen­sões. Se­gun­do o úl­ti­mo RTN (agos­to 2019), atin­giu 434,4 mil o nú­me­ro de be­ne­fí­ci­os pre­vi­den­ciá­ri­os emi­ti­dos em agos­to, su­pe­ran­do a quan­ti­da­de re­gis­tra­da em igual mês do ano passado.

An­te a imi­nên­cia da apro­va­ção da re­for­ma, tra­ba­lha­do­res que reú­nem as con­di­ções pa­ra se apo­sen­tar cor­rem pa­ra plei­te­ar o be­ne­fí­cio do Ins­ti­tu­to Na­ci­o­nal do Se­gu­ro Social (INSS). En­tre ju­lho de 2018 e ju­lho de 2019, hou­ve 372,8 mil no­vos be­ne­fi­ciá­ri­os (+1,2%), por­cen­tu­al de cres­ci­men­to que pas­sou pa­ra 1,5% en­tre os me­ses de agos­to de 2018 e de 2019, cor­res­pon­den­do a qua­se 62 mil pe­di­dos adi­ci­o­nais de be­ne­fí­ci­os.

A le­ve me­lho­ra do em­pre­go for­mal re­gis­tra­da nos úl­ti­mos me­ses mal foi no­ta­da nas con­tas do INSS. Em agos­to, a ar­re­ca­da­ção lí­qui­da da Previdênci­a Social de R$ 33 bi­lhões su­pe­rou a de igual mês de 2018 em 5,3% no­mi­nais e em 1,8% re­al. Se­ri­am por­cen­tu­ais sa­tis­fa­tó­ri­os, não fos­se o fa­to de que, ao mes­mo tem­po, a des­pe­sa com be­ne­fí­ci­os cres­ceu com mai­or ve­lo­ci­da­de. Man­tém-se, por­tan­to, a ten­dên­cia de as despesas au­men­ta­rem mais que a receita, o que re­sul­ta em agra­va­men­to do de­se­qui­lí­brio.

O dé­fi­cit pre­vi­den­ciá­rio de R$ 2,6 bi­lhões em agos­to só não foi mai­or, se­gun­do os ana­lis­tas do Te­sou­ro, por­que o va­lor mé­dio re­al dos be­ne­fí­ci­os pa­gos pe­la Previdênci­a cres­ceu pou­co (1,4%).

Nos pri­mei­ros oi­to me­ses de 2019, a Previdênci­a Social foi de­fi­ci­tá­ria em R$ 131,7 bi­lhões, aumento de 6,5% no­mi­nais, ou 2,4% re­ais, em re­la­ção a igual pe­río­do de 2018.

A pres­são exer­ci­da pe­las despesas do INSS so­bre as con­tas pú­bli­cas ten­de a per­sis­tir após a apro­va­ção da re­for­ma da Previdênci­a, co­mo tem ad­mi­ti­do o secretário do Te­sou­ro, Man­su­e­to Almeida. O que de­ve­rá ocor­rer é um cres­ci­men­to em rit­mo me­nor.

O nú­me­ro de be­ne­fí­ci­os pa­gos men­sal­men­te pe­la Previdênci­a já su­pe­ra os 35 milhões, dos quais cer­ca de 30,5 milhões re­fe­ren­tes a apo­sen­ta­do­ri­as e be­ne­fí­ci­os aci­den­tá­ri­os. A al­ta do nú­me­ro de be­ne­fi­ciá­ri­os agra­va um dé­fi­cit que tam­bém é vul­to­so nos re­gi­mes pró­pri­os dos ser­vi­do­res. Uma for­ma de en­fren­tá-lo se­rá es­ten­der a re­for­ma da Previdênci­a a Es­ta­dos e a mu­ni­cí­pi­os.

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