Mer­ca­do ga­nha no­vas gra­du­a­ções em tecnologia

FGV e ESPM cri­am cur­sos, co­mo ciência de da­dos, pa­ra aju­dar a co­brir necessidad­es atu­ais de em­pre­sas

O Estado de S. Paulo - - Classifica­dos - Ma­teus Apud *

O se­tor de TI é um dos que mais cres­cem no Bra­sil. Ape­sar dis­so, o mer­ca­do en­fren­ta es­cas­sez de pro­fis­si­o­nais ca­pa­ci­ta­dos. Pa­ra pre­en­cher es­se gap, ins­ti­tui­ções co­mo a Fun­da­ção Ge­tú­lio Var­gas (FGV) e a Es­co­la Su­pe­ri­or de Pro­pa­gan­da e Mar­ke­ting (ESPM) lan­ça­ram gra­du­a­ções, em São Pau­lo e no Rio de Ja­nei­ro.

Ala­van­ca­do pe­la aber­tu­ra de star­tups e da cha­ma­da re­vo­lu­ção di­gi­tal em em­pre­sas tra­di­ci­o­nais, o mer­ca­do pre­vê a aber­tu­ra de 420 mil va­gas na área de tecnologia no País de 2019 a 2024, uma mé­dia de 70 mil por ano, se­gun­do da­dos da As­so­ci­a­ção Bra­si­lei­ra das Em­pre­sas de Tecnologia da Informa­ção e Co­mu­ni­ca­ção (Bras­s­com). Ape­sar dis­so, diz o pre­si­den­te exe­cu­ti­vo da as­so­ci­a­ção, Sér­gio Pau­lo Gal­lin­do, as uni­ver­si­da­des for­mam ape­nas 45 mil pro­fis­si­o­nais em áre­as li­ga­das a TI por ano.

Ins­ti­tui­ções tra­di­ci­o­nais, co­mo USP, Uni­camp, PUC e Mac­ken­zie, sem­pre con­ta­ram com gra­du­a­ções na área de tecnologia, co­mo ci­ên­ci­as da com­pu­ta­ção, engenharia da com­pu­ta­ção, aná­li­se e de­sen­vol­vi­men­to de sis­te­mas, além de sis­te­mas de informa­ção. Po­rém, se­gun­do es­pe­ci­a­lis­tas do mer­ca­do, mui­tos des­ses cur­sos não fo­ram atu­a­li­za­dos o cur­so de aná­li­se e de­sen­vol­vi­men­to de sis­te­mas da Uni­camp, por exem­plo, é de 1989. “Des­se to­tal de for­man­dos no País, a me­ta­de es­tá em cur­sos de­fa­sa­dos em re­la­ção ao que o mer­ca­do exi­ge ho­je”, pon­tua Gal­lin­do.

No Por­to Di­gi­tal, re­le­van­te par­que tec­no­ló­gi­co ur­ba­no do Bra­sil, fun­da­do há 20 anos em Re­ci­fe (PE) e que ho­je tem 328 em­pre­sas e fa­tu­ra­men­to de R$ 1,9 bi­lhão por ano, es­sa fal­ta de mão de obra é dri­bla­da pe­la qua­li­fi­ca­ção de pro­fis­si­o­nais de ou­tras áre­as. “O mer­ca­do de tecnologia no Bra­sil é pe­que­no e pouquís­si­mas pes­so­as se for­mam por ano. En­tão, con­tra­ta­mos mui­tas pes­so­as que não são da área de tecnologia e fa­ze­mos a con­ver­são. Te­mos mais de 100 en­ge­nhei­ros apren­den­do a pro­gra­mar”, diz Pi­er­re Lu­ce­na, pre­si­den­te do Por­to Di­gi­tal.

Na IBM Bra­sil, es­se pro­ble­ma tam­bém é per­ce­bi­do e so­lu­ci­o­na­do da mes­ma for­ma. “Os cur­sos de es­pe­ci­a­li­za­ção, pós-gra­du­a­ção e mes­tra­do são a saí­da ho­je pa­ra quem quer en­trar nes­se mer­ca­do”, afir­ma o ci­en­tis­ta de da­dos sênior da IBM Bra­sil, Claudio Pi­nhei­ro.

Se­gun­do ele, sua equipe é for­ma­da por gra­du­a­dos de “to­dos os ni­chos”. “A ca­mi­nha­da do ci­en­tis­ta de da­dos é di­fe­ren­ci­a­da, pois é uma car­rei­ra que até um tem­po atrás não exis­tia. Aqui te­mos pes­so­as des­de a área de com­pu­ta­ção e es­ta­tís­ti­ca até das áre­as bi­o­ló­gi­cas.”

No­vas gra­du­a­ções. Com ins­cri­ções pa­ra o ves­ti­bu­lar aber­tas até o dia 8, a Es­co­la de Ma­te­má­ti­ca Apli­ca­da da Fun­da­ção Ge­tú­lio Var­gas (FGV EMAp) ini­cia, em ja­nei­ro de 2020, no Rio de Ja­nei­ro, a pri­mei­ra tur­ma na gra­du­a­ção em ciência de da­dos. Se­gun­do o co­or­de­na­dor do cur­so, Yu­ri Sa­po­ri­to, ele nasceu “or­ga­ni­ca­men­te”.

“Te­mos na EMAp o cur­so de ma­te­má­ti­ca apli­ca­da e co­me­ça­mos a per­ce­ber que vá­ri­os dos alu­nos for­ma­dos es­ta­vam in­do tra­ba­lhar na área de ci­ên­ci­as de da­dos. En­tão, vi­mos es­sa opor­tu­ni­da­de pa­ra criar um pro­fis­si­o­nal mais com­ple­to em uma gra­du­a­ção”, afir­ma Sa­po­ri­to.

Ba­se­a­do em três pi­la­res (es­ta­tís­ti­ca e ma­te­má­ti­ca, com­pu­ta­ção e aná­li­se de da­dos), o cur­so quer aten­der a uma procura mais abran­gen­te do mer­ca­do. “Me per­gun­tam se não é me­lhor fa­zer um cur­so de ci­ên­ci­as da com­pu­ta­ção ou até de ma­te­má­ti­ca apli­ca­da. Mas o mer­ca­do vai pro­cu­rar o pro­fis­si­o­nal

com­ple­to. A gra­du­a­ção de ci­en­tis­ta de da­dos uni­fi­ca as com­pe­tên­ci­as de um ma­te­má­ti­co e de um pro­gra­ma­dor pen­san­do nas apli­ca­ções do mer­ca­do.”

Com au­las que va­ri­am de In­tro­du­ção à com­pu­ta­ção, In­fe­rên­cia es­ta­tís­ti­ca e Oti­mi­za­ção pa­ra ciência de da­dos, o alu­no po­de­rá tra­ba­lhar des­de star­tups a in­dús­tri­as tra­di­ci­o­nais que quei­ram mo­der­ni­zar seus pro­ces­sos, es­ti­ma Sa­po­ri­to.

Na ESPM, em São Pau­lo, a gra­du­a­ção te­ch foi lan­ça­da em 2014 a par­tir de uma re­es­tru­tu­ra­ção do cur­so sis­te­mas da informa­ção, com pri­mei­ra tur­ma for­ma­da no fim de 2017.

Com pi­la­res em de­sen­vol­vi­men­to

de ga­mes, de­sen­vol­vi­men­to web e mo­bi­le, big da­ta e inova­ção tec­no­ló­gi­ca, a ta­xa de in­ser­ção dos alu­nos no mer­ca­do de tra­ba­lho é de 95%, con­ta Flá­vio Aze­ve­do, co­or­de­na­dor do cur­so. “Da star­tup à empresa tra­di­ci­o­nal, to­dos pre­ci­sam de um pro­fis­si­o­nal de TI.”

For­ma­da na segunda tur­ma de te­ch, Isa­be­la As­sump­ção tra­ba­lha atu­al­men­te na equipe de go­od­da­ta da Totvs co­mo de­sen­vol­ve­do­ra de software. Se­gun­do ela, o mer­ca­do de TI busca pro­fis­si­o­nais que en­ten­dem de tecnologia e negócios. “Não adi­an­ta mais ser só pro­gra­ma­dor ou só en­ten­der de negócios. Tem que sa­ber os dois.”

Em re­la­ção às opor­tu­ni­da­des de tra­ba­lho, Isa­be­la ad­mi­te que ela e co­le­gas da tur­ma da ESPM não ti­ve­ram di­fi­cul­da­de em con­se­guir em­pre­go, ta­ma­nha a procura por es­ses pro­fis­si­o­nais. “As em­pre­sas nos pro­cu­ra­vam den­tro da ESPM. Pra­ti­ca­men­te es­co­lhe­mos on­de tra­ba­lhar. Até on­de eu sei, de­pois de for­ma­dos to­dos es­tão em em­pre­sas re­no­ma­das ou com seu pró­prio ne­gó­cio.”

* ES­TA­GIÁ­RIO SOB A SU­PER­VI­SÃO DO EDI­TOR DE ECONOMIA, ALE­XAN­DRE CALAIS

A CA­MI­NHA­DA DO CI­EN­TIS­TA DE DA­DOS É DI­FE­REN­CI­A­DA, POIS É UMA CAR­REI­RA QUE ATÉ UM TEM­PO ATRÁS NÃO EXIS­TIA. AQUI TE­MOS PES­SO­AS DES­DE A ÁREA DE COM­PU­TA­ÇÃO E ES­TA­TÍS­TI­CA ATÉ DAS ÁRE­AS BI­O­LÓ­GI­CAS Claudio Pi­nhei­ro CI­EN­TIS­TA DE DA­DOS SÊNIOR DA IBM BRA­SIL

FELIPE RAU/ES­TA­DÃO

Opor­tu­ni­da­de. Isa­be­la As­sump­ção encontrou mer­ca­do pu­jan­te com for­ma­ção em te­ch

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