‘The Wal­king De­ad’ ten­ta re­cu­pe­rar an­ti­go vi­gor

O Estado de S. Paulo - - Caderno 2 - Matheus Mans

Há 10 anos no ar, The Wal­king De­ad co­me­ça a sen­tir os si­nais da ida­de. Per­deu o seu pro­ta­go­nis­ta, in­ter­pre­ta­do por Rick Gri­mes, e a tra­ma já não agra­da de ma­nei­ra unâ­ni­me a le­gião de fãs da produção. Por is­so, a 10.ª tem­po­ra­da, que es­treia nes­te do­min­go, 6, na Fox, ten­ta dar um cha­co­a­lhão na for­ma co­mo a his­tó­ria de humanos e zum­bis é co­nhe­ci­da até aqui.

No pri­mei­ro episódio da no­va tem­po­ra­da con­fe­ri­do pe­lo

Es­ta­do, fi­ca cla­ro que os pro­du­to­res de The Wal­king De­ad vi­ram que ape­nas bri­gas en­tre clãs e ame­a­ças zum­bis não bas­tam. Por is­so, con­ti­nu­a­ram a de­sen­vol­ver al­gu­mas das mu­dan­ças que fo­ram vis­tas du­ran­te a exe­cu­ção da con­tro­ver­sa 9.ª tem­po­ra­da.

Gri­mes já é car­ta fo­ra do baralho, en­quan­to Da­nai Gu­ri­ra (Pan­te­ra Ne­gra) se des­pe­de de sua per­so­na­gem Mi­chon­ne. O fo­co, ago­ra, é fortalecer as re­la­ções hu­ma­nas, fa­zer com que os zum­bis se tor­nem ape­nas dis­tra­ções e co­lo­car os Sus­sur­ra­do­res, que se com­por­tam

co­mo mor­tos-vi­vos, a ser o obs­tá­cu­lo a ser su­pe­ra­do.

Na­da mais de so­bre­vi­vên­cia in­di­vi­du­al. A dú­vi­da, ago­ra, é se a ci­vi­li­za­ção con­se­gui­rá se man­ter mes­mo ten­do um po­vo bár­ba­ro à es­prei­ta. Co­mo man­ter a hu­ma­ni­da­de?

Da­do o rit­mo de mu­dan­ças apre­sen­ta­do no fi­nal da tem­po­ra­da an­te­ri­or, era de se es­pe­rar que es­te 10.º ano da produção co­me­ças­se em rit­mo ace­le­ra­do. Afi­nal, The Wal­king De­ad es­tá na UTI, res­pi­ran­do por

apa­re­lhos. É pre­ci­so um mo­vi­men­to rá­pi­do. Mas não é is­so, in­fe­liz­men­te, que mos­tra es­te no­vo pri­mei­ro episódio.

Há uma apa­ren­te mis­tu­ra en­tre Ga­me of Th­ro­nes com al­gu­ma fic­ção ci­en­tí­fi­ca que se avi­zi­nha na sé­rie. Mas na­da que tra­ga o sen­ti­men­to de que a produção es­tá vol­tan­do à boa for­ma de an­ti­ga­men­te, com dra­mas emo­ci­o­nais e ba­ta­lhas aca­lo­ra­das.

A per­da de par­te con­si­de­rá­vel do elen­co, a queda de au­di­ên­cia cons­tan­te e até a fal­ta de fo­co dos pro­du­to­res, que cri­a­ram uma sé­rie pa­ra­le­la e uma mis­te­ri­o­sa tri­lo­gia de fil­mes, mais atra­pa­lham do que aju­dam nes­sa re­no­va­ção. A sen­sa­ção é de que es­tão ati­ran­do pa­ra to­dos os la­dos até que al­go acer­te de no­vo o co­ra­ção dos fãs.

Há po­ten­ci­al, po­rém. Se sou­be­rem apro­vei­tar, a sé­rie po­de ga­nhar a for­ça que es­tá procurando. Ain­da es­tá lon­ge do apo­ca­lip­se zum­bi es­pe­ra­do. Mas uma no­va for­ma de en­ca­rar a produção po­de ser for­ma­da nes­ses dez anos de sé­rie. Só fal­ta mais vi­ta­li­da­de do que o que foi vis­to no ano an­te­ri­or. Uma re­vi­ra­vol­ta, tal­vez, po­de dar uma in­je­ção de âni­mo e des­per­tar no­vo in­te­res­se.

Por is­so, é pre­ci­so cau­te­la nos pri­mei­ros pas­sos da 10.ª tem­po­ra­da de The Wal­king De­ad. A si­tu­a­ção é de­li­ca­da. É pre­ci­so mais vi­gor do que foi vis­to nes­se co­me­ço pa­ra a produção, en­fim, se re­cu­pe­rar. Se mais er­ros fo­ram co­me­ti­dos, a sé­rie es­tá fa­da­da a ter o destino de seus per­so­na­gens. Ela vai ba­ta­lhar e ten­tar so­bre­vi­ver pa­ra, no fim, ser só mais um zum­bi.

FOX

10ª tem­po­ra­da. Mu­dan­ças pa­ra vol­tar a agra­dar ao pú­bli­co

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