Em­pre­sas de be­bi­das fa­zem pas­sei­os pa­ra agregar va­lor

Negócios de gim, co­mo Dra­co e Amáz­zo­ni, cri­am ‘ex­pe­ri­ên­ci­as’ nas fá­bri­cas pa­ra fi­de­li­zar clientes

O Estado de S. Paulo - - Oportunida­des & Leilões - Ma­ri­na Day­rell

Ao criar uma fá­bri­ca pró­pria pa­ra a produção de sua marca de gim, os só­ci­os Ro­dri­go Mar­cu­so e Pau­lo Mo­ran se de­pa­ra­ram com uma de­man­da de clientes que­ren­do co­nhe­cer co­mo as be­bi­das da Dra­co são cri­a­das. Às pres­sas, mon­ta­ram um pla­no de negócios pa­ra le­var os pri­mei­ros in­te­res­sa­dos, em se­tem­bro, a pas­sar um dia no lo­cal.

A es­tra­té­gia, co­nhe­ci­da co­mo economia de ex­pe­ri­ên­cia, não é no­va – há men­ções ao ter­mo des­de a dé­ca­da de 1980 –, mas a tecnologia e a se­de por com­par­ti­lha­men­to faz com que es­sa se­ja a aposta de negócios que que­rem se apro­xi­mar do cli­en­te e aumentar o va­lor das mar­cas.

“As ex­pe­ri­ên­ci­as ho­je va­lem mais por­que as ou­tras coisas aca­bam se tor­nan­do cor­ri­quei­ras. As pes­so­as bus­cam al­go a mais, um en­ten­di­men­to me­lhor do que es­tá por trás de um pro­du­to”, ex­pli­ca o co­or­de­na­dor do mes­tra­do pro­fis­si­o­nal em ad­mi­nis­tra­ção no Ins­per, Sil­vio La­ban.

Se­guin­do os mol­des das vi­ní­co­las – já co­nhe­ci­das por apre­sen­tar ao con­su­mi­dor o pro­ces­so de produção –, as vi­si­tas, que du­ram das 9h às 16h, em En­ge­nhei­ro Co­e­lho, no in­te­ri­or de São Pau­lo, ali­nham a von­ta­de dos só­ci­os de fa­lar so­bre a cul­tu­ra do gim à ex­pe­ri­ên­cia de criar um item per­so­na­li­za­do.

“As pes­so­as con­fi­am mui­to mais no pro­du­to que elas co­nhe­cem e na marca com que têm li­ga­ção. Que­ría­mos mos­trar o nos­so pro­ces­so de qualidade, mas fi­ze­mos um am­bi­en­te tão le­gal que vi­mos uma op­ção de tu­ris­mo de ex­pe­ri­ên­cia li­ga­do à des­ti­la­ria de gim”, diz Ro­dri­go.

Per­so­na­li­za­do. No pas­seio (R$ 480 por pes­soa), os clientes co­nhe­cem a uni­da­de pro­du­ti­va, par­ti­ci­pam de um pro­ces­so de des­ti­la­ção e apren­dem téc­ni­cas de drin­ques. Além de es­ta­rem in­clu­sos o ca­fé da ma­nhã e o al­mo­ço, quem par­ti­ci­pa da vi­si­ta le­va pa­ra ca­sa o gim que aju­dou a pro­du­zir, en­va­sa­do com ró­tu­los e lo­tes per­so­na­li­za­dos.

A marca apro­vei­ta di­as oci­o­sos da produção com as vi­si­tas, sem ain­da sa­ber qual im­pac­to es­sas ex­pe­ri­ên­ci­as te­rão no fa­tu­ra­men­to. Pa­ra es­te ano, a ex­pec­ta­ti­va

de fa­tu­ra­men­to to­tal da marca é de R$ 3 milhões.

Ain­da no ramo do gim, a ca­ri­o­ca Amáz­zo­ni ofe­re­ce, des­de 2017, a vi­si­ta à fá­bri­ca – no Rio Pa­raí­ba, cer­ca de 130 quilô­me­tros do Rio de Ja­nei­ro. “É a nos­sa fer­ra­men­ta co­mer­ci­al mais po­de­ro­sa e com a di­dá­ti­ca mais for­te, pois é on­de as pes­so­as con­se­guem ver co­mo se faz o gim”, ex­pli­ca um dos só­ci­os, o ita­li­a­no Ar­tu­ro Iso­la. As vi­si­tas acon­te­cem du­as ve­zes por mês e cus­tam, em mé­dia, R$ 500 por pes­soa, com al­mo­ço, produção de gim e show com DJ. Em dois anos, a marca já re­ce­beu cer­ca de 1.000 pes­so­as.

Mo­ti­va­dos pe­la aposta de que o con­su­mi­dor de­se­ja en­ten­der de on­de vem o pro­du­to que con­so­me, os só­ci­os Ju­nia Fal­cão e Fa­bri­cio Almeida, da cer­ve­ja­ria Za­laZ, tam­bém pas­sa­ram a ofe­re­cer a vi­si­ta à fá­bri­ca nes­te

ano. “Nós acre­di­ta­mos que es­sa é uma for­ma de agregar va­lor a nos­sa marca. A pro­pos­ta é apre­sen­tar ex­pe­ri­ên­cia a quem vai à Za­laZ. Co­me­ça­mos co­mo uma cer­ve­ja­ria, mas ho­je bus­ca­mos ser mais do que só um co­po de cer­ve­ja”, con­ta Ju­nia.

Nos se­te me­ses des­de que as vi­si­tas co­me­ça­ram, a fa­zen­da que abri­ga a cer­ve­ja­ria na Ser­ra da Man­ti­quei­ra, em Mi­nas Ge­rais, já re­ce­beu 200 pes­so­as pa­ra a vi­si­ta. Por R$ 120, es­tão in­cluí­dos jan­tar (com pro­du­tos da fa­zen­da e de pro­du­to­res lo­cais) e de­gus­ta­ção de cer­ve­jas.

“A ren­da do jan­tar so­ma­da às com­pras que as pes­so­as fa­zem na lo­ji­nha após a vi­si­ta re­pre­sen­tam cer­ca de 15% do nos­so fa­tu­ra­men­to to­tal”, diz Fa­bri­cio.

Mun­do do azei­te. Do­nos da marca de azei­te Oliq, cri­a­da em 2014 na Ser­ra da Man­ti­quei­ra,

Cris­ti­na Vi­cen­tin, Vera Ma­sa­gão e Antô­nio Go­mes en­con­tra­ram na economia de ex­pe­ri­ên­cia a chan­ce de fa­zer o em­pre­en­di­men­to pros­pe­rar. Por ser ar­te­sa­nal, o pro­du­to che­ga com um pre­ço ele­va­do ao con­su­mi­dor (R$ 44 a gar­ra­fa com 250ml), que, se­gun­do Vera, ain­da não co­nhe­ce exa­ta­men­te o que é um azei­te ex­tra­vir­gem.

“Fo­mos des­co­brin­do que o que faz o ne­gó­cio gi­rar é o con­ta­to di­re­to com o pú­bli­co. A úni­ca pos­si­bi­li­da­de de con­se­guir­mos tra­ba­lhar o azei­te no mer­ca­do do jei­to que fa­ze­mos é le­van­do a pes­soa pa­ra ver de perto a produção, co­nhe­cen­do a his­tó­ria de quem fez e co­mo fez”, diz.

O tour pe­la fá­bri­ca cus­ta R$ 15 por pes­soa, va­lor pra­ti­ca­men­te sim­bó­li­co, mas que cresce com o usu­al al­to va­lor gas­to pe­los clientes na lo­ja da fá­bri­ca ao fi­nal do pas­seio. Es­sas com­pras

– in­cluin­do azei­te, ge­leia, do­ces e cafés – são res­pon­sá­veis por me­ta­de do fa­tu­ra­men­to to­tal da Oliq. Só em 2019, 3.600 pes­so­as fi­ze­ram a vi­si­ta. “Pa­ra 2020, es­ta­mos cons­truin­do um res­tau­ran­te e pen­san­do no car­dá­pio pa­ra com­ple­tar o ro­tei­ro”, adi­an­ta Vera.

DA­NI­EL GIALLUCA

Co­mo é fei­to o gim. Fá­bri­ca da marca Dra­co, que fi­ca no in­te­ri­or de São Pau­lo e abriu pa­ra vi­si­ta­ção no úl­ti­mo mês

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