Fun­da­da no cen­tro de SP, Vi­va­ra po­de ar­re­ca­dar R$ 2,4 bi ao che­gar à Bol­sa

Lu­xo aces­sí­vel. Re­de de jo­a­lhei­ras cri­a­da pe­la fa­mí­lia Kauf­man abriu a pri­mei­ra uni­da­de no cen­tro de São Pau­lo, em 1962, e ace­le­rou ex­pan­são com lo­jas em shop­pings a par­tir dos anos 1980; com 230 pon­tos de ven­da, fa­tu­rou R$ 523,7 mi­lhões no 1º se­mes­tre de

O Estado de S. Paulo - - Economia Negócios - / FER­NAN­DA GUI­MA­RÃES, FER­NAN­DO SCHELLER e MÔNICA SCARAMUZZO

A fa­mí­lia Kauf­man, que veio pa­ra o Bra­sil após a Se­gun­da Guer­ra, inau­gu­rou em 1962 a pri­mei­ra lo­ja da Vi­va­ra no cen­tro de São Pau­lo, on­de se con­cen­tram até ho­je vá­ri­os ne­gó­ci­os do ra­mo. Qua­se 60 anos mais tar­de, po­rém, a em­pre­sa cres­ceu bem mais do que su­as con­cor­ren­tes: com 230 lo­jas, es­pe­ci­a­li­zou-se no “lu­xo aces­sí­vel” e es­tá pres­tes a abrir o ca­pi­tal, com a pre­vi­são de cap­tar até R$ 2,4 bi­lhões, quan­do con­si­de­ra­dos os lo­tes adi­ci­o­nais de ações. Se­rá a pri­mei­ra re­de de jo­a­lhei­ras bra­si­lei­ra a ser lis­ta­da na B3, a Bol­sa pau­lis­ta.

A Vi­va­ra vai es­tre­ar no mer­ca­do de ações na­ci­o­nal na quin­ta­fei­ra. O pro­ces­so de ex­pan­são da re­de co­me­çou so­bre­tu­do a par­tir dos anos 80, quan­do a em­pre­sa em­pre­en­deu uma ex­pan­são que se­guiu de per­to a aber­tu­ra de shopping cen­ters. Des­de 1992, a fa­mí­lia Kauf­man – que es­tá até ho­je à fren­te do ne­gó­cio – pro­duz su­as joi­as em uma fá­bri­ca em Ma­naus. O va­lor de mer­ca­do es­ti­ma­do pa­ra a re­de, ca­so o pre­ço da ação saia no te­to das pre­vi­sões, a R$ 25,40, é R$ 6 bi­lhões.

Co­mo a ofer­ta é pri­o­ri­ta­ri­a­men­te se­cun­dá­ria, a mai­or par­te do di­nhei­ro ar­re­ca­da­do – cer­ca de R$ 500 mi­lhões – de­ve ir pa­ra o cai­xa pa­ra ban­car a ex­pan­são da em­pre­sa. Is­so quer di­zer que os aci­o­nis­tas atu­ais po­dem em­bol­sar qua­se R$ 2 bi­lhões com a ope­ra­ção. Uma das es­pe­cu­la­ções do mer­ca­do é que o di­nhei­ro do IPO (ofer­ta ini­ci­al de ações, na si­gla em in­glês) se­ria usa­do pa­ra a com­pra da ri­val H. Stern, con­si­de­ra­da uma mar­ca de “lu­xo pu­ro” e que ven­de joi­as de va­lo­res mais al­tos.

O di­re­tor da Vi­va­ra, Nel­son Kauf­man, é des­cri­to por fontes do mer­ca­do fi­nan­cei­ro co­mo um em­pre­sá­rio “in­tui­ti­vo”, que “sa­be o que o con­su­mi­dor quer”. Tam­bém é um ne­go­ci­a­dor na­to e cos­tu­ma aper­tar o for­ne­ce­dor pa­ra a com­pra de ma­té­ria-pri­ma.

Ele tam­bém é só­cio da Et­na, de mó­veis e de­co­ra­ção, que che­gou a ser co­lo­ca­da à ven­da no mer­ca­do anos atrás – foi ofe­re­ci­da pa­ra a con­cor­ren­te Tok Stok, mas o acor­do não foi adi­an­te. Pro­cu­ra­da, a Vi­va­ra não quis dar en­tre­vis­ta.

Clas­ses B e C. Se­gun­do um es­pe­ci­a­lis­ta em bran­ding, em­bo­ra a Vi­va­ra não se­ja uma mar­ca de lu­xo, ela tem ele­men­tos “as­pi­ra­ci­o­nais” pa­ra cer­tos con­su­mi­do­res das clas­ses B e C. “Nes­se sen­ti­do, pa­ra a clas­se mé­dia, a Vi­va­ra po­de ser con­si­de­ra­da lu­xo”, dis­se. Uma even­tu­al com­pra da H.Stern po­de­ria, por­tan­to, trans­for­mar a Vi­va­ra em do­na de um gru­po com mar­cas vol­ta­das pa­ra di­fe­ren­tes pú­bli­cos.

Em reu­niões com in­ves­ti­do­res, a Vi­va­ra afir­mou que o di­nhei­ro da aber­tu­ra de ca­pi­tal po­de ser usa­do pa­ra aqui­si­ções “me­no­res”. “Além das ini­ci­a­ti­vas vi­san­do ao cres­ci­men­to or­gâ­ni­co, ava­li­a­mos ex­pan­dir nos­sa área de atu­a­ção por meio de aqui­si­ções e par­ce­ri­as es­tra­té­gi­cas. O se­tor de jo­a­lhe­ria no Bra­sil é mui­to frag­men­ta­do, com re­des de pe­que­no e mé­dio por­tes”, diz o pros­pec­to da Vi­va­ra.

Do to­tal a ser le­van­ta­do na ofer­ta pri­má­ria, 65% se­ri­am usa­dos pa­ra aber­tu­ra de lo­jas. Se­gun­do a Vi­va­ra, R$ 260 mi­lhões são ne­ces­sá­ri­os pa­ra es­se fim. Ou­tros 15% dos re­cur­sos, ou cer­ca de R$ 60 mi­lhões, iri­am pa­ra a ex­pan­são do par­que fa­bril, com au­men­to da pro­du­ção.

Na apre­sen­ta­ção de sua te­se de in­ves­ti­men­tos, a Vi­va­ra afir­mou que, du­ran­te o pe­río­do de re­ces­são no Bra­sil, en­tre 2015 e 2016, op­tou por au­men­tar a pro­du­ção de itens con­fec­ci­o­na­dos em pra­ta em de­tri­men­to dos pro­du­tos com ou­ro.

O lu­cro lí­qui­do da Vi­va­ra no

pri­mei­ro se­mes­tre foi de R$ 186 mi­lhões, au­men­to de 142% em re­la­ção ao mes­mo in­ter­va­lo de 2018. A re­cei­ta lí­qui­da foi de R$ 523,7 mi­lhões, al­ta de 12,8%.

Os ban­cos Itaú BBA, Bank of Ame­ri­ca Mer­rill Lyn­ch, XP In­ves­ti­men­tos e JP Mor­gan co­or­de­nam a ofer­ta.

ALEX SIL­VA /ESTADÃO

Pla­nos. Vi­va­ra de­ve­rá fa­zer aqui­si­ções de pe­que­no por­te com di­nhei­ro ar­re­ca­da­do em IPO

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