Ser­faty, do con­se­lho do BB, vai pa­ra o BNDES

O Estado de S. Paulo - - Economia - COM LUCIANA COLLET

Ocon­se­lhei­ro in­de­pen­den­te do Ban­co do Bra­sil in­di­ca­do pe­lo Mi­nis­té­rio da Eco­no­mia, Marcelo Ser­faty, es­tá de ma­las pron­tas pa­ra ir pa­ra ou­tro co­le­gi­a­do: o do Ban­co Na­ci­o­nal de De­sen­vol­vi­men­to Econô­mi­co e So­ci­al (BNDES). Só­cio-fun­da­dor do fun­do de pri­va­te equity (que com­pra par­ti­ci­pa­ção de com­pa­nhi­as) G5 Part­ners, Ser­faty che­ga­rá ao ban­co de fo­men­to com uma mis­são à fren­te: aju­dar – e ace­le­rar – a ven­da de ati­vos, que até aqui tem dei­xa­do a de­se­jar. A ex­pec­ta­ti­va é al­ta des­de a chegada de Gus­ta­vo Mon­te­za­no pa­ra a pre­si­dên­cia do BNDES, que foi se­gui­do por An­dré La­lo­ni, que dei­xou a Cai­xa Econô­mi­ca Fe­de­ral pa­ra as­su­mir a di­re­to­ria de In­ves­ti­men­tos, Mer­ca­do de Ca­pi­tais e Cré­di­to In­di­re­to. Os ban­cos de in­ves­ti­men­to aguar­dam, com an­si­e­da­de, o en­vio dos pri­mei­ros RFPs, os pe­di­dos de pro­pos­tas, fa­to que se­rá o si­nal de lar­ga­da pa­ra o iní­cio da ven­da de mais de R$ 100 bi­lhões em ati­vos de­ti­dos na car­tei­ra de ren­da va­riá­vel do BNDES. » Ba­ru­lho. Quan­do Ser­faty foi in­di­ca­do ao Con­se­lho do BB, a Associação Na­ci­o­nal dos Fun­ci­o­ná­ri­os do Ban­co do Bra­sil (Anabb) en­trou com uma re­pre­sen­ta­ção na Co­mis­são de Va­lo­res Mo­bi­liá­ri­os (CVM), ale­gan­do que seu no­me re­pre­sen­ta­va con­fli­to de in­te­res­se. Pro­cu­ra­dos, BB e BNDES não co­men­ta­ram. » Ir­man­da­de. A va­re­jis­ta C&A quer se co­lar ao his­tó­ri­co das Lo­jas Ren­ner na Bol­sa, em sua tri­lha pa­ra abertura de capital na B3, mar­ca­da pa­ra ocor­rer ain­da nes­te mês. Há qua­se 15 anos, a Ren­ner – que­ri­di­nha no mer­ca­do – re­a­li­zou sua ofer­ta ini­ci­al de ações (IPO, na si­gla em inglês), quan­do a re­de va­re­jis­ta de de­par­ta­men­to ame­ri­ca­na JCPen­ney, até ali con­tro­la­do­ra da em­pre­sa, ven­deu sua par­ti­ci­pa­ção na com­pa­nhia. O mo­vi­men­tou dei­xou uma im­por­tan­te mar­ca no mer­ca­do bra­si­lei­ro, ao se tor­nar a pri­mei­ra com­pa­nhia no País a ter seu capital pul­ve­ri­za­do, ou se­ja, sem con­tro­le de­fi­ni­do. Uma “re­al cor­po­ra­ti­on”, no jar­gão do mer­ca­do. De­pois dis­so, a ope­ra­ção “vo­ou” e o pre­ço da ação foi jun­to.

» Abu­se e use. No ca­so da C&A, qu­em es­tá por trás é a Co­fra Hol­ding da fa­mí­lia Bren­nink­mei­jer, dos ir­mãos Cle­mens e Au­gust, cu­jas ini­ci­as ba­ti­za­ram a va­re­jis­ta. Na ofer­ta, que po­de­rá gi­rar até R$ 2,2 bi­lhões na Bol­sa bra­si­lei­ra, a hol­ding ven­de­rá par­te de sua par­ti­ci­pa­ção, mas se­gui­rá con­tro­lan­do a em­pre­sa após o IPO. A pro­mes­sa, con­tu­do, é de que a hol­ding da­rá mais au­to­no­mia à ope­ra­ção lo­cal, que de­ve ace­le­rar o rit­mo de re­for­mas de lo­jas, uti­li­zan­do, pa­ra is­so, tan­to os re­cur­sos da ofer­ta quan­to sua pró­pria ge­ra­ção de cai­xa. Da ofer­ta prin­ci­pal, 60% é pri­má­ria, o que ga­ran­ti­rá no­vos re­cur­sos à em­pre­sa.

» From top to bot­tom. A C&A che­ga­rá à Bol­sa com um va­lor de mer­ca­do en­tre R$ 5 bi­lhões e R$ 6 bi­lhões, con­si­de­ran­do a fai­xa in­di­ca­ti­va de pre­ço dis­po­ni­bi­li­za­da em seu pros­pec­to, de R$ 16,50 a R$ 20. No pi­so, há des­con­to em re­la­ção a ou­tra con­cor­ren­te já lis­ta­da, a Gu­a­ra­ra­pes, do­na da Ri­a­chu­e­lo. A mar­gem Ebit­da da C&A, que na­da mais é do que uma mé­tri­ca de ren­ta­bi­li­da­de ope­ra­ci­o­nal, foi de 7,4% no fim de ju­nho. No ca­so da Ren­ner, a mar­gem Ebit­da foi de 21,7%, e da Gu­a­ra­ra­pes, de 12,6%. Em nú­me­ro de lo­jas no Bra­sil, C&A, Ren­ner e Ri­a­chu­e­lo pos­su­em, res­pec­ti­va­men­te, 282, 360 e 315.

» União. As pro­pos­tas de fu­sões e aqui­si­ções mo­vi­men­ta­ram US$ 21 bi­lhões no Bra­sil en­tre ja­nei­ro e ju­nho des­te ano, que­da de 9% em re­la­ção ao mes­mo pe­río­do do ano pas­sa­do. Fo­ram, no pe­río­do, 196 acor­dos, in­cluin­do aque­les que não che­ga­ram a ser con­cre­ti­za­dos. O le­van­ta­men­to é do Bos­ton Con­sul­ting Group (BCG), que iden­ti­fi­cou que ne­nhum acor­do en­vol­veu vo­lu­me su­pe­ri­or a US$ 10 bi­lhões nes­se in­ter­va­lo. A mai­or tran­sa­ção foi do gru­po fran­cês En­gie, que ar­re­ma­tou a Trans­por­ta­do­ra As­so­ci­a­da de Gás S.A. (TAG), da Pe­tro­brás, por US$ 8,6 bi­lhões. Fo­ra es­te, ne­nhum ou­tro acor­do ul­tra­pas­sou os US$ 2 bi­lhões, ava­li­ou a pes­qui­sa. A que­da em ter­mos fi­nan­cei­ros re­fle­te a ba­se com­pa­ra­ti­va mai­or, mar­ca­da pe­la fu­são da Su­za­no e Fi­bria no pri­mei­ro se­mes­tre de 2018.

» Ge­ral. Glo­bal­men­te, nos pri­mei­ros seis me­ses do ano, foi re­gis­tra­da que­da de 19% das ope­ra­ções de M&A na com­pa­ra­ção com o mes­mo pe­río­do do ano pas­sa­do, pa­ra US$ 1,5 tri­lhão. » Nas ru­as. A En­gie avan­ça em sua di­ver­si­fi­ca­ção, em par­ti­cu­lar na ex­pan­são do for­ne­ci­men­to de ser­vi­ços den­tro do con­cei­to de ci­da­des in­te­li­gen­tes. A em­pre­sa acer­tou um con­tra­to com Blu­me­nau (SC) pa­ra for­ne­cer uma so­lu­ção de ges­tão do trân­si­to lo­cal. Com is­so, a ci­da­de ca­ta­ri­nen­se se tor­na a se­gun­da do País a usar tec­no­lo­gia de mo­bi­li­da­de ur­ba­na ofer­ta­da pe­la em­pre­sa, já uti­li­za­da em Ni­te­rói (RJ). O Cen­tro de Con­tro­le Ope­ra­ci­o­nal de Blu­me­nau te­rá uma pla­ta­for­ma úni­ca de in­te­gra­ção, res­pon­sá­vel, por exem­plo, pe­los sis­te­mas de se­gu­ran­ça viá­ria.

WILTON JU­NI­OR / ES­TA­DÃO-19/6/2019

STEPHANE MAHE/REUTERS-3/10/2017

GABRIELA BILO / ESTADAO-6/2/2018

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