PRE­GÃO DA BOL­SA SE DES­PE­DE COM VIVARA, C&A E BMG

Es­pa­ço vai ser re­for­ma­do, com re­vi­ta­li­za­ção dos pré­di­os tom­ba­dos que são ocu­pa­dos pe­la B3

O Estado de S. Paulo - - Economia - Fer­nan­da Gui­ma­rães

Are­de de jo­a­lhe­ria Vivara, a va­re­jis­ta C&A e o ban­co BMG fe­cha­rão um ci­clo do pré­dio his­tó­ri­co da B3 no cen­tro de São Pau­lo, na Rua XV de No­vem­bro. O Es­pa­ço Ray­mun­do Ma­gli­a­no Fi­lho, o an­ti­go pre­gão da Bo­ves­pa, fe­cha­rá as por­tas, ain­da que tem­po­ra­ri­a­men­te. Até mar­ço, o lo­cal pas­sa­rá por uma gran­de re­for­ma, acom­pa­nhan­do a mo­der­ni­za­ção dos ou­tros pré­di­os da Bol­sa no cen­tro his­tó­ri­co pau­lis­ta, pou­co mais de dois anos após a união de BM&FBo­ves­pa e Ce­tip.

Com o mer­ca­do bra­si­lei­ro aque­ci­do, as pró­xi­mas em­pre­sas na fila pa­ra abrir capital te­rão um es­pa­ço pro­vi­só­rio de es­treia, que já co­me­çou a ser pre­pa­ra­do. Se­rá no hall de en­tra­da do pré­dio da B3 na Pra­ça Antô­nio Pra­do, an­ti­ga se­de da BM&F. Es­se es­pa­ço era atra­ves­sa­do di­a­ri­a­men­te por ope­ra­do­res apres­sa­dos pa­ra o pre­gão que foi pal­co das an­ti­gas ne­go­ci­a­ções vi­va-voz, nas quais os pro­fis­si­o­nais se aco­to­ve­la­vam pa­ra ga­ran­tir as me­lho­res com­pras e ven­das. Pa­ra o lo­cal se­rá le­va­do o púl­pi­to, ob­je­to sim­bó­li­co da abertura de capital de uma em­pre­sa. Após a re­for­ma, os lan­ça­men­tos de ações vol­tam ao es­pa­ço ori­gi­nal, que se­rá re­pa­gi­na­do.

His­tó­ria. A re­for­ma dos pré­di­os da an­ti­ga BM&FBo­ves­pa tem co­mo pa­no de fun­do a con­so­li­da­ção da mar­ca B3, que pa­ra fun­ci­o­ná­ri­os e mer­ca­do já é con­cre­ta, se­gun­do Ana Bu­chaim, di­re­to­ra de Re­cur­sos Hu­ma­nos da B3. To­do o “re­tro­fit” dos edi­fí­ci­os, tom­ba­dos co­mo pa­trimô­nio his­tó­ri­co, cus­ta­rá R$ 150 mi­lhões. A re­for­ma es­tá pre­vis­ta pa­ra ter­mi­nar no fim de 2020.

Além dos dois pré­di­os, tam­bém se­rá re­for­ma­do um edi­fí­cio re­cém-ad­qui­ri­do, que faz di­vi­sa com sua se­de, na Pra­ça Antô­nio Pra­do. O pré­dio é co­nhe­ci­do por es­tam­par em sua fa­cha­da 13 mo­e­das dou­ra­das gi­gan­tes, de réis e cru­zei­ros, que re­me­tem da épo­ca do Im­pé­rio até a Re­pú­bli­ca.

Co­mo o pré­dio “das mo­e­das” é co­la­do à se­de, al­guns an­da­res po­de­rão ser uni­dos. Com mais es­pa­ço, a B3 pre­ten­de tra­zer seus fun­ci­o­ná­ri­os que ain­da es­tão em Alpha­vil­le, uma das he­ran­ças da an­ti­ga Ce­tip.

A in­ten­ção tam­bém é dar vi­da no­va à Rua João Brí­co­la. Ali fi­ca o Fa­rol San­tan­der, an­ti­go pré­dio do Ba­nes­pa e pon­to tu­rís­ti­co. De­pois da fu­são, em 2017, co­gi­tou-se a pos­si­bi­li­da­de de a no­va em­pre­sa dei­xar o cen­tro e mi­grar pa­ra um pré­dio que pu­des­se aco­mo­dar to­da a com­pa­nhia. A de­ci­são, no fim, foi man­ter a se­de por con­ta de sua his­tó­ria, po­rém re­for­mu­lan­do in­te­gral­men­te os pré­di­os.

Além de que­brar pa­re­des que di­vi­dem hi­e­rar­qui­as, não há lu­ga­res mar­ca­dos pa­ra os fun­ci­o­ná­ri­os. A B3 pos­sui ho­je 2,2 mil fun­ci­o­ná­ri­os, sen­do que 1,9 mil es­tão ap­tos ao tra­ba­lho re­mo­to.

A B3 tam­bém pre­ten­de tra­zer cli­en­tes e pú­bli­co pa­ra den­tro da com­pa­nhia, com es­pa­ços es­pe­cí­fi­cos pa­ra is­so. Pa­ra mar­car a des­pe­di­da do Es­pa­ço Ma­gli­a­no Fi­lho, a B3 lo­tou o lu­gar com fun­ci­o­ná­ri­os na se­gun­da-fei­ra. Além de ban­das, a B3 cha­mou oi­to ar­tis­tas que par­ti­ci­pam de um “Art-Bat­tle”: os fun­ci­o­ná­ri­os es­co­lhe­rão as obras que fi­ca­rão nas pa­re­des dos dois pré­di­os da B3.

Tan­to o pré­dio da XV quan­to o da pra­ça são da dé­ca­da de 40. O pri­mei­ro era do ex­tin­to Ban­co do Comércio da In­dús­tria (Co­mind), que per­deu o pré­dio na li­qui­da­ção ex­tra­ju­di­ci­al em 1985. A se­de, por sua vez, foi um dos pri­mei­ros pré­di­os de es­cri­tó­ri­os de São Pau­lo. Ba­ti­za­do de Pa­la­ce­te Mar­ti­ni­co Pra­do foi pro­je­ta­do por Ra­mos de Aze­ve­do, a pe­di­do do en­tão pre­fei­to, Antô­nio Pra­do. O lo­cal já foi se­de do Ci­ti­bank. An­tes ain­da, abri­ga­va a Igre­ja de Nos­sa Se­nho­ra do Ro­sá­rio dos Ho­mens Pre­tos.

ARQUIVO/ES­TA­DÃO - 28/4/1972

Gri­to. Ope­ra­ção em 1972, an­tes da pla­ta­for­ma tec­no­ló­gi­ca

PAU­LO LIEBERT/ES­TA­DÃO - 6/1/2003

Pre­gão. Até 2009, ne­go­ci­a­ção era vi­va-voz e ele­trô­ni­ca

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