Bre­cht con­tra o au­to­ri­ta­ris­mo

O Estado de S. Paulo - - Caderno 2 - ARCÊNICO JOÃO WADY CURY E-MAIL: JO­[email protected] BLOG:CUL­TU­RA.ESTADAO.COM.BR/BLOGS/ARCENICO

Nos­sos oc­to­ge­ná­ri­os são o que há, in­can­sá­veis no ofí­cio, bus­ca per­ma­nen­te no te­a­tro. Po­de ser Eva Wil­ma ou Antô­nio Pe­trin, José Cel­so Mar­ti­nez Cor­rêa ou mes­mo Natha­lia Tim­berg, que em agos­to saiu do clu­be ao cra­var 90 anos. Ago­ra é vez de Renato Borghi. De­pois de sair da pe­ça Mo­liè­re e con­ti­nu­ar apre­sen­tan­do Ro­meu e Ju­li­e­ta 80 com Mi­ri­am Meh­ler (84!), es­treia no­vo es­pe­tá­cu­lo no Sesc Con­so­la­ção em 16 de no­vem­bro, ao la­do de Ge­or­get­te Fa­del e El­cio No­guei­ra Sei­xas. Tra­ta-se de O Que Man­tém um Ho­mem Vi­vo? – a par­tir de tex­tos de Ber­tolt Bre­cht e adap­ta­dos por ele e Esther Góes no anos 70, quan­do foi en­ce­na­da pe­la pri­mei­ra vez. Com Borghi, tam­bém di­re­tor da mon­ta­gem, não tem pra nin­guém. UMA VE­LHA OLIVETTI A pe­ça foi es­cri­ta pe­la du­pla Borghi-Góes, no iní­cio dos anos 70, em uma má­qui­na de es­cre­ver Olivetti – e fo­ram os ori­gi­nais des­te tex­to da­ti­lo­gra­fa­do que Borghi e El­cio en­con­tra­ram há pou­cos me­ses nos ar­qui­vos de sua com­pa­nhia, a Te­a­tro Pro­mís­cuo. De­ci­di­ram pe­la re­mon­ta­gem, man­ten­do in­clu­si­ve a tri­lha ori­gi­nal, com­pos­ta por mú­si­cas de Kurt Weill, Hanns Eis­ler, Paul Des­sau e Jards Ma­cal. Só mu­da­ram o ma­es­tro: an­tes era Paulo Her­cu­la­no, ago­ra é Gil­son Fu­kushi­ma. Es­sa é a ter­cei­ra vez que Borghi vol­ta com a pe­ça; a se­gun­da foi no iní­cio dos anos 80. Em tem­po. À per­gun­ta fei­ta pe­lo dra­ma­tur­go ale­mão – Afi­nal, o que man­tém um ho­mem vi­vo? – é o pró­prio Ber­tolt Bre­cht que res­pon­de de ba­te-pronto: “Um ho­mem é um ho­mem e ele é mui­to di­fí­cil de des­truir”. VE­LHA NO­VA ES­TREIA O Sesc Ave­ni­da Pau­lis­ta dá iní­cio a uma no­va sé­rie de pe­ças com um tem­pe­ro di­fe­ren­te: es­trei­as de ve­te­ra­nos no te­a­tro, mas em ou­tra fun­ção, ou se­ja, di­re­tor que vi­ra ator, dra­ma­tur­go que di­ri­ge seu pri­mei­ro es­pe­tá­cu­lo e por aí vai. A pri­mei­ra mon­ta­gem nes­ta li­nha é 45 Graus (aci­ma), que traz pe­la pri­mei­ra vez na di­re­ção do ator Mar­cos de An­dra­de, que in­te­grou o Cen­tro de Pes­qui­sa Te­a­tral do fa­le­ci­do An­tu­nes Filho. A pe­ça é ba­se­a­da na no­ve­la Dó­cil, de Fi­o­dor Dos­toiévs­ki. Com dra­ma­tur­gia de Ro­gé­rio Gu­a­ra­pi­ran, o elen­co tem Aní­sio Se­ra­fim, Antô­nio Car­los de Al­mei­da Cam­pos, Ca­ro­li­ne Ran­gel, Gus­ta­vo Tres­ti­ni, Gu­ta Mag­na­ni e Mar­ce­lo Vil­las Bo­as. Bom pro­je­to pa­ra no­vas ex­pe­ri­ên­ci­as ou pa­ra de­sis­tên­ci­as e vol­ta ao ru­mo an­te­ri­or.

IMPOSTORES NO RIO O Brasil após uma he­ca­tom­be nuclear é o tema do dra­ma­tur­go Gus­ta­vo Pi­nhei­ro em Os Impostores, pe­ça que es­treia no Rio de Ja­nei­ro em 31 de ou­tu­bro, no te­a­tro Gi­nás­ti­co. Com di­re­ção de Ro­dri­go Por­tel­la, fo­ca em uma fa­mí­lia abas­ta­da que fi­ca re­fém em um bun­ker. Es­tá ro­de­a­da de cham­pa­nhe Cris­tal e la­tas de ca­vi­ar Be­lu­ga. A si­tu­a­ção pro­me­te. No elen­co, Gui­lher­me Pi­va, Ca­ro­li­na Pis­mel, Su­za­na Nas­ci­men­to, Pri He­le­na, Tai­ro­ne Va­le, Murilo Sampaio.

LUISA BONIN

Trio. Com Weill e Ma­ca­lé

MAR­CE­LO VIL­LAS BO­AS

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