Com ágio re­cor­de, lei­lão de pe­tró­leo ren­de R$ 8,9 bi

O Estado de S. Paulo - - Primeira página - Da­vid Zyl­bersz­tajn e Fer­nan­da Del­ga­do ✽ PRO­FES­SOR DA PUC-RJ E EX-DI­RE­TOR GE­RAL DA ANP E PRO­FES­SO­RA DA FGV ENER­GIA

A União ar­re­ca­dou R$ 8,915 bi­lhões no lei­lão de pe­tró­leo e gás re­a­li­za­do on­tem pe­lo go­ver­no. O ágio de 322,74% é re­cor­de em lei­lões do pós-sal, mes­mo com a ven­da de ape­nas um ter­ço das áre­as ofer­ta­das. Gran­des pe­tro­lei­ras es­tran­gei­ras do­mi­na­ram a ro­da­da. Ao con­trá­rio do que ha­via ocor­ri­do em ou­tras li­ci­ta­ções, a Pe­tro­brás te­ve uma pos­tu­ra tí­mi­da: dis­pu­tou so­men­te dois blo­cos e le­vou um.

To­das as aten­ções do mer­ca­do na­ci­o­nal e in­ter­na­ci­o­nal de pe­tró­leo es­tão vol­ta­das pa­ra o Bra­sil a par­tir des­sa se­ma­na com a re­a­ber­tu­ra da tem­po­ra­da de lei­lões de áre­as de ex­plo­ra­ção, in­cluí­do o tão es­pe­ra­do me­ga­cer­ta­me dos ex­ce­den­tes da ces­são one­ro­sa. São três lei­lões em sequên­cia até no­vem­bro: uma ro­da­da de li­ci­ta­ções sob o re­gi­me de con­ces­são e ou­tras du­as do pré-sal. O lei­lão sob o re­gi­me de con­ces­sões, 16.ª ro­da­da de li­ci­ta­ções, re­cém-ocor­ri­do nes­ta úl­ti­ma quin­ta-fei­ra, foi um su­ces­so em ter­mos de ar­re­ca­da­ção (R$ 8,9 bi­lhões), ape­sar de um nú­me­ro de blo­cos ar­re­ma­ta­dos (12) aquém do es­pe­ra­do em re­la­ção aos blo­cos ofer­ta­dos (36).

As ro­da­das de pré-sal, por sua vez, são fei­tas pe­lo re­gi­me de par­ti­lha, on­de o va­lor de ar­re­ca­da­ção ini­ci­al é fi­xa­do pe­la União. Ven­ce a dis­pu­ta a em­pre­sa ou con­sór­cio que ofe­re­cer o mai­or por­cen­tu­al de pe­tró­leo a ser re­pas­sa­do pa­ra a União. Os lei­lões de par­ti­lha, in­cluin­do o de ces­são one­ro­sa, pla­ne­ja­do pa­ra o dia seis de no­vem­bro, ofe­re­cem po­ten­ci­ais de áre­as com mais pe­tró­leo do que to­das as re­ser­vas com­pro­va­das no Mé­xi­co ou da An­go­la, o que atraiu o in­te­res­se de al­guns dos mai­o­res pro­du­to­res do mun­do. O lei­lão se­rá o mai­or já re­a­li­za­do no se­tor em vo­lu­me de óleo e va­lo­res de bô­nus de as­si­na­tu­ra. Se to­das as áre­as fo­rem ar­re­ma­ta­das, a ar­re­ca­da­ção che­ga­rá a R$ 106,6 bi­lhões. Mui­tos ati­vos sen­do ofer­ta­dos, com di­fe­ren­tes po­ten­ci­ais, re­gi­mes e va­lo­res de bô­nus, pos­si­bi­li­tam um le­que gran­de de opor­tu­ni­da­des pa­ra em­pre­sas de vá­ri­os per­fis.

O su­ces­so das pró­xi­mas ro­da­das si­na­li­za­rá pa­ra a eco­no­mia o re­a­que­ci­men­to do se­tor pe­tro­lí­fe­ro, atra­vés de em­pre­gos, en­co­men­das de equi­pa­men­tos e ser­vi­ços, ar­re­ca­da­ção go­ver­na­men­tal fu­tu­ra com royal­ti­es e par­ti­ci­pa­ções es­pe­ci­ais, além de to­dos os im­pos­tos con­cer­nen­tes. Ou se­ja, aque­ci­men­to econô­mi­co e es­prai­a­men­to do oti­mis­mo (mes­mo que cau­te­lo­so ain­da) nas ope­ra­ções do se­tor nos Es­ta­dos pro­du­to­res e não pro­du­to­res, tam­bém be­ne­fi­ci­a­dos pe­la re­par­ti­ção das cha­ma­das par­ti­ci­pa­ções go­ver­na­men­tais.

Es­sa ape­li­da­da “ma­ra­to­na de lei­lões”, ca­pi­ta­ne­a­da pe­la ANP e MME, jun­ta­men­te com os es­tí­mu­los à mai­or aber­tu­ra do mer­ca­do de gás na­tu­ral e a po­lí­ti­ca de de­sin­ves­ti­men­tos da Pe­tro­brás, dão con­ti­nui­da­de ao pro­ces­so de aber­tu­ra do se­tor, ini­ci­a­do no fi­nal dos anos 1990, vol­ta­do ao in­cre­men­to da pro­du­ção e das re­ser­vas na­ci­o­nais de pe­tró­leo.

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