Bol­so­na­ris­mo do­mi­na con­fe­rên­cia de di­rei­ta

Even­to re­a­li­za­do ho­je e ama­nhã em São Pau­lo é fi­nan­ci­a­do pe­lo ins­ti­tu­to In­di­go, a fun­da­ção do PSL, que re­ce­be re­cur­sos pú­bli­cos

O Estado de S. Paulo - - Política - Ri­car­do Ga­lhar­do

O Bra­sil en­tra no cir­cui­to mun­di­al da di­rei­ta com a re­a­li­za­ção da CPAC (Con­ser­va­ti­ve Po­li­ti­cal Ac­ti­on Con­fe­ren­ce), o mai­or even­to con­ser­va­dor dos EUA, pe­la pri­mei­ra vez no País, ho­je e ama­nhã, em São Pau­lo. Di­fe­ren­te da ma­triz, que abre es­pa­ço pa­ra di­ver­sos se­to­res da di­rei­ta, a ver­são bra­si­lei­ra se­rá cir­cuns­cri­ta ao bol­so­na­ris­mo. O pro­ta­go­nis­mo se­rá da cha­ma­da “ala ide­o­ló­gi­ca” li­ga­da ao es­cri­tor Ola­vo de Car­va­lho. Pos­sí­veis ad­ver­sá­ri­os do pre­si­den­te Jair Bol­so­na­ro no cam­po con­ser­va­dor, co­mo os go­ver­na­do­res de São Pau­lo, João Do­ria (PSDB), e do Rio de Ja­nei­ro, Wil­son Wit­zel (PSC), não vão par­ti­ci­par. A pes­so­as pró­xi­mas, Do­ria che­gou a de­mons­trar in­te­res­se, mas não foi con­vi­da­do. Wit­zel, se­gun­do a or­ga­ni­za­ção do even­to, ale­gou di­fi­cul­da­des de agen­da. Am­bos são vis­tos pe­lo Pla­nal­to co­mo pos­sí­veis ad­ver­sá­ri­os de Bol­so­na­ro na elei­ção de 2022.

O pre­si­den­te é es­pe­ra­do na aber­tu­ra do even­to. As­ses­so­res di­zem que ele de­ve usar a con­fe­rên­cia pa­ra di­a­lo­gar com seu elei­to­ra­do mais fi­el e po­de ra­di­ca­li­zar o dis­cur­so. O pre­si­den­te do PSL, Luciano Bi­var, te­ve o no­me ex­cluí­do da lis­ta de par­ti­ci­pan­tes an­te­on­tem, em meio à dis­pu­ta com Bol­so­na­ro pe­lo con­tro­le do par­ti­do.

Dos qua­tro mi­nis­tros que vão par­ti­ci­par das me­sas, ape­nas Onyx Lo­zen­zo­ni (Ca­sa Ci­vil) não foi in­di­ca­do por Ola­vo. Os ou­tros são Er­nes­to Araújo (Re­la­ções Ex­te­ri­o­res), Da­ma­res Al­ves (Mu­lher, Fa­mí­lia e Di­rei­tos Hu­ma­nos) e Abraham Wein­traub (Edu­ca­ção).

A re­a­li­za­ção da con­fe­rên­cia no Bra­sil é par­te de uma ten­ta­ti­va de ex­pan­são glo­bal da ação po­lí­ti­ca con­ser­va­do­ra. An­tes res­tri­ta aos EUA, on­de é fei­ta des­de 1973, es­te ano a CPAC te­rá ver­sões tam­bém na Aus­trá­lia, Co­reia do Sul, Ja­pão e Ir­lan­da.

Ao to­do a con­fe­rên­cia te­rá 27 pa­les­tran­tes, no­ve de­les es­tran­gei­ros. Os des­ta­ques são Matt Schalpp, pre­si­den­te da Ame­ri­can Con­ser­va­ti­ve Uni­on (ACU, União Con­ser­va­do­ra Ame­ri­ca­na em in­glês); e o se­na­dor re­pu­bli­ca­no Mi­ke Lee, que já foi cha­ma­do de “o se­na­dor mais con­ser­va­dor dos EUA”.

Co­fres pú­bli­cos. A ex­pec­ta­ti­va dos or­ga­ni­za­do­res bra­si­lei­ros, li­de­ra­dos por Edu­ar­do Bol­so­na­ro (PSL-SP), é reu­nir cer­ca de 1.200 pes­so­as nos dois di­as de even­to. No Bra­sil a par­ti­ci­pa­ção é gra­tui­ta, ao con­trá­rio dos EUA, on­de os in­gres­sos cus­tam de US$ 55 (R$ 226) a US$ 5.750 (R$ 23,6 mil).

A or­ga­ni­za­ção é da ACU e da fun­da­ção Ins­ti­tu­to de Ino­va­ção e Go­ver­nan­ça (In­di­go). Vin­cu­la­do ao PSL, o ins­ti­tu­to vai ar­car com to­dos os cus­tos, sem pa­tro­ci­na­do­res. O In­di­go é fi­nan­ci­a­do com ver­bas do Fun­do Par­ti­dá­rio, ou se­ja, dos co­fres pú­bli­cos. No ano pas­sa­do re­ce­beu cer­ca de R$ 1,8 mi­lhão. Es­te ano, com o cres­ci­men­to do PSL, a ex­pec­ta­ti­va é que o In­di­go re­ce­ba R$ 16 mi­lhões. O pre­si­den­te do ins­ti­tu­to é Sergio Bi­var, fi­lho de Luciano. Se­gun­do a as­ses­so­ria da CPAC Bra­sil, ele não par­ti­ci­pa da or­ga­ni­za­ção. Sergio foi pro­cu­ra­do mas não res­pon­deu. A or­ga­ni­za­ção não di­vul­gou o cus­to do even­to mas in­for­mou que “ha­ve­rá trans­pa­rên­cia to­tal tão lo­go fi­na­li­za­das to­das as des­pe­sas”.

ALAN SAN­TOS/PR–18/3/2019

Ceia. Matt Schalpp dis­cur­sa em jan­tar nos EUA, em mar­ço

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