Go­ver­no quer usar Em­gea pa­ra de­so­var imó­veis

O Estado de S. Paulo - - Economia - COM CRISTIANE BARBIERI

Ogo­ver­no de Jair Bol­so­na­ro con­si­de­ra uti­li­zar sua ges­to­ra de recuperaçã­o cré­di­tos, a Em­gea, co­mo um con­duí­te pa­ra de­so­var os imó­veis da União no mer­ca­do pri­va­do. A em­pre­sa, in­cluí­da na lis­ta do Pro­gra­ma de Par­ce­ri­as de In­ves­ti­men­tos (PPI) sob o co­man­do do se­cre­tá­rio Sa­lim Mat­tar (fo­to), já tem au­to­ri­za­ção pa­ra exer­cer tal ati­vi­da­de e po­de­ria sim­pli­fi­car o pro­ces­so sob o pon­to de vis­ta dos ór­gãos co­mo o Tri­bu­nal de Con­tas da União (TCU). A União con­ta com um pa­trimô­nio de cer­ca de R$ 1 tri­lhão em um to­tal de 750 mil imó­veis sob ges­tão da Se­cre­ta­ria de Pa­trimô­nio da União (SPU). A trans­fe­rên­cia des­ses ati­vos pa­ra a Em­gea tur­bi­na­ria e mui­to seu ba­lan­ço. A em­pre­sa so­ma pou­co mais de 3 mil imó­veis em sua car­tei­ra, ava­li­a­dos em tor­no de R$ 660 mi­lhões. » Em pa­ra­le­lo... O Go­ver­no man­tém con­ver­sas com players do mer­ca­do de ges­to­ras de em­prés­ti­mos ven­ci­dos, co­nhe­ci­do co­mo ‘cré­di­tos po­dres’, no in­tui­to de ven­der a Em­gea. Co­mo o ape­ti­te do se­tor es­tá cen­tra­do nos imó­veis e nas car­tei­ras, de mais de R$ 40 bi­lhões em ope­ra­ções com em­pre­sas e mais de R$ 22 bi­lhões com pes­so­as fí­si­cas, a ten­dên­cia é a de que seus ati­vos e não a Em­gea em si se­ja ven­di­da.

» Bad bank. Ti­da co­mo o “bad bank” da Cai­xa, a em­pre­sa foi usa­da pa­ra lim­par os cré­di­tos que de­ram pro­ble­ma no ban­co pú­bli­co. O pro­ces­so foi bar­ra­do pe­lo TCU em me­a­dos de 2016 após pro­ble­mas iden­ti­fi­ca­dos no re­pas­se das car­tei­ras jun­to à Em­gea. Re­cen­te­men­te, o ór­gão li­be­rou a Cai­xa a vol­tar a ce­der car­tei­ras.

» Com a pa­la­vra. Pro­cu­ra­da, a Em­gea não co­men­tou. O Mi­nis­té­rio da Eco­no­mia in­for­mou que “a Em­gea foi in­cluí­da no Pro­gra­ma Na­ci­o­nal de De­ses­ta­ti­za­ção (PND) e que o Ban­co Na­ci­o­nal de De­sen­vol­vi­men­to Econô­mi­co e So­ci­al (BNDES) es­tá tra­ba­lhan­do na ela­bo­ra­ção de es­tu­dos de ava­li­a­ção de ce­ná­ri­os e es­tra­té­gi­as de de­ses­ta­ti­za­ção”.

» Céu de bri­ga­dei­ro. Os ban­cos de in­ves­ti­men­to pro­je­tam um úl­ti­mo tri­mes­tre de ano bas­tan­te ro­bus­to pa­ra as emis­sões de ações. A es­ti­ma­ti­va é de que o vo­lu­me, en­tre as ofer­tas ini­ci­ais de ações (IPOs, na si­gla em in­glês) e sub­se­quen­tes (fol­low on), che­gue a R$ 30 bi­lhões, sem con­tar a ven­da mul­ti­bi­li­o­ná­ria por par­te do BNDES. A Vi­va­ra deu a lar­ga­da com um IPO de R$ 2,3 bi­lhões.

» Vai dar jo­go. O BNDES tem ho­je qua­tro po­si­ções que se­ri­am res­pon­sá­veis por gran­de par­te des­sa mo­vi­men­ta­ção: Pe­tro­brás, Va­le, Su­za­no e JBS, além de ou­tras. Se o ban­co de fo­men­to tri­lhar o mes­mo ca­mi­nho da Cai­xa, que ven­deu o que não era pri­o­ri­tá­rio, há mui­to ne­gó­cio a ser fei­to pe­la fren­te. » Li­ve. De olho no pro­ces­so de po­pu­la­ri­za­ção do in­ves­ti­men­to do brasileiro em ações, a B3 trans­mi­tiu ao vi­vo, em su­as re­des so­ci­ais, a ce­rimô­nia de comemoraçã­o da estreia da re­de de jo­a­lhe­ria Vi­va­ra na bol­sa. Ho­je, a B3 tem 1,4 mi­lhão de pes­so­as fí­si­cas que in­ves­tem em ações.

» Efei­to se­lic. O rit­mo de che­ga­da de no­vos in­ves­ti­do­res de­ve fa­zer com que a Bol­sa en­cer­re o ano com o do­bro do que co­me­çou 2019, quan­do o nú­me­ro era de apro­xi­ma­da­men­te 800 mil. No IPO da Vi­va­ra, uma fa­tia de 13% veio do va­re­jo.

» Low cost. A Bra­des­co Au­to/RE ade­riu ao mer­ca­do de bai­xo cus­to. Ho­je, lan­ça o pri­mei­ro se­gu­ro de au­to­mó­vel des­ta li­nha, que pro­me­te ser até 30% mais ba­ra­to que as apó­li­ces tra­di­ci­o­nais. A se­gu­ra­do­ra de­sem­bar­ca no seg­men­to após mais de dois anos do se­gu­ro po­pu­lar ser lan­ça­do no País, com fo­co em ex­pan­dir o aces­so do pro­du­to à po­pu­la­ção bra­si­lei­ra.

» De­pois da tem­pes­ta­de. O in­gres­so da Bra­des­co Au­to/RE na mo­da­li­da­de, com uma fro­ta de mais de 1,4 mi­lhão de au­to­mó­veis se­gu­ra­dos, ocor­re ain­da após a com­pa­nhia ter fei­to uma re­vi­ra­vol­ta na sua car­tei­ra de se­gu­ro de au­to­mó­vel. Ao ser mais se­le­ti­va, bai­xou sua sinistrali­dade pa­ra ní­veis re­cor­des.

» No­va era. De­pois de 48 anos de ope­ra­ção, a Es­co­la Na­ci­o­nal de Se­gu­ros, que fi­cou co­nhe­ci­da co­mo Fu­nen­seg, pas­sou por um re­po­si­ci­o­na­men­to com fo­co em ne­gó­ci­os. Nes­se pro­ces­so, foi re­ba­ti­za­da e pas­sa a se cha­mar Es­co­la de Ne­gó­ci­os e Se­gu­ros (ENS). O no­vo mo­de­lo de ope­ra­ção se­rá anun­ci­a­do ho­je, no Con­gres­so Brasileiro dos Cor­re­to­res de Se­gu­ros, na Cos­ta do Sauí­pe (BA).

» Clã. O Ins­ti­tu­to Brasileiro de Ar­bi­tra­gem Tri­bu­tá­ria (IBAT) se­rá lan­ça­do no Bra­sil no fim do mês. A en­ti­da­de reu­ni­rá no­mes de pe­so do se­tor co­mo o ad­vo­ga­do Ro­ber­to Pas­qua­lin, que ocu­pa­rá a pre­si­dên­cia. A ar­bi­tra­gem tem ga­nha­do es­pa­ço ca­da vez mai­or no País pa­ra a so­lu­ção de dis­pu­tas, já que, além do tem­po, mui­tas ve­zes reduz cus­tos em re­la­ção a pro­ces­sos que se mo­vi­men­ta­ri­am na Jus­ti­ça. O lan­ça­men­to do IBAT acon­te­ce du­ran­te a The São Pau­lo Ar­bi­tra­ti­on Week (SPAW), que de­ba­te­rá te­mas tri­bu­tá­ri­os, en­tre os di­as 21 e 27 de ou­tu­bro.

AMAN­DA PEROBELLI/REU­TERS

FER­NAN­DA GUI­MA­RÃES/ESTADÃO

DA­NI­EL TEI­XEI­RA/ESTADÃO - 4/9/2019

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