EUA e Chi­na acer­tam tré­gua e po­dem pôr fim à guer­ra co­mer­ci­al

Ne­go­ci­a­ções en­vol­vem exportaçõe­s, pro­pri­e­da­de in­te­lec­tu­al e fim de so­bre­ta­xas

O Estado de S. Paulo - - Primeira página - Be­a­triz Bul­la COR­RES­PON­DEN­TE/ WASHING­TON

Es­ta­dos Uni­dos e Chi­na che­ga­ram on­tem a acor­do que po­de le­var ao fim da guer­ra co­mer­ci­al que os dois paí­ses vêm tra­van­do no úl­ti­mo ano e meio. Após dois di­as de ne­go­ci­a­ções, os EUA sus­pen­de­ram a im­po­si­ção de no­vas ta­ri­fas so­bre pro­du­tos chineses, que ocor­re­ria na pró­xi­ma se­ma­na. Se­gun­do o presidente Do­nald Trump, es­ta é

a “fa­se um” do acor­do, que ain­da le­va­rá se­ma­nas pa­ra ser for­ma­li­za­do e po­de ser as­si­na­do em no­vem­bro por ele e por Xi Jin­ping. A Chi­na con­cor­da em ele­var pa­ra va­lo­res en­tre US$ 40 bi­lhões e US$ 50 bi­lhões as com­pras de pro­du­tos agrí­co­las dos EUA. O acor­do tam­bém te­rá dis­po­si­ções so­bre pro­pri­e­da­de in­te­lec­tu­al. Do ou­tro la­do, os EUA sus­pen­dem a im­po­si­ção de ta­ri­fas de 30% so­bre US$ 250 bi­lhões de pro­du­tos chineses.

O presidente dos Es­ta­dos Uni­dos, Do­nald Trump, anun­ci­ou on­tem que os ne­go­ci­a­do­res ame­ri­ca­nos che­ga­ram a um “subs­tan­ci­al” acor­do com a Chi­na. Com is­so, os dois paí­ses con­cor­da­ram em uma tré­gua temporária na guer­ra co­mer­ci­al tra­va­da en­tre as du­as po­tên­ci­as econô­mi­cas no úl­ti­mo ano e meio e os EUA sus­pen­de­ram a im­po­si­ção de no­vas ta­ri­fas so­bre pro­du­tos chineses, agen­da­da pa­ra o pró­xi­mo dia 15.

Nos úl­ti­mos dois di­as, a de­le­ga­ção chi­ne­sa, li­de­ra­da pe­lo vi­ce-pre­miê Liu He, es­te­ve em Washing­ton. Se­gun­do o presidente dos EUA, es­ta é a “fa­se um” do acor­do, que ain­da le­va­rá se­ma­nas pa­ra ser co­lo­ca­da no pa­pel e po­de ser as­si­na­da em no­vem­bro por ele e o presidente chi­nês, Xi Jin­ping, no Chi­le.

A Chi­na con­cor­da em ele­var pa­ra va­lo­res en­tre US$ 40 bi­lhões e US$ 50 bi­lhões as com­pras de pro­du­tos agrí­co­las dos EUA. O acor­do tam­bém te­rá dis­po­si­ções so­bre pro­pri­e­da­de in­te­lec­tu­al – ame­ri­ca­nos ale­gam que os chineses for­çam trans­fe­rên­cia de tec­no­lo­gia pa­ra o país. Do ou­tro la­do, os EUA sus­pen­dem a im­po­si­ção de ta­ri­fas na ca­sa de 30% so­bre US$ 250 bi­lhões de pro­du­tos chineses.

Não hou­ve mais de­ta­lha­men­to, o que fez com que as al­tas ex­pec­ta­ti­vas do mercado do iní­cio do dia es­fri­as­sem. O ín­di­ce S&P 500 en­cer­rou o dia em al­ta de 1,1%. O se­cre­tá­rio do Te­sou­ro, Ste­ven Mnu­chin, afir­mou que há um “acor­do fun­da­men­tal em pon­tos-cha­ve”, mas dis­se que “ain­da há uma quan­ti­da­de de tra­ba­lho sig­ni­fi­ca­ti­va a ser fei­ta”. No Bra­sil, o Ibo­ves­pa re­gis­trou va­lo­ri­za­ção de 1,98%.

A pró­xi­ma fa­se das ne­go­ci­a­ções deve co­me­çar “em bre­ve”, se­gun­do Trump. “É um gran­de acor­do, que es­tá sen­do feito em par­tes.” Se­gun­do o presidente dos EUA, a pre­vi­são é de que ha­ja du­as ou três eta­pas. A di­vi­são em fa­ses per­mi­te que os dois paí­ses adi­em de­ba­tes so­bre ques­tões con­si­de­ra­das de mai­or com­ple­xi­da­de. Os ame­ri­ca­nos adi­an­ta­ram, por exemplo, que a dis­cus­são so­bre a em­pre­sa Hu­awei não se­rá fei­ta ago­ra.

A que­da de bra­ço in­cluiu fre­quen­tes im­po­si­ções de ta­ri­fas ame­ri­ca­nas so­bre os pro­du­tos chineses, com re­a­ção do país asiá­ti­co, além de ten­ta­ti­vas de

“Ain­da que a pau­sa na atu­al guer­ra co­mer­ci­al se­ja boa no­tí­cia (...), ain­da há uma lon­ga es­tra­da pe­la fren­te.” Da­vid A. We­mer

DI­RE­TOR AS­SO­CI­A­DO DO THINK TANK

ATLANTIC COUNCIL ne­go­ci­a­ção mui­tas ve­zes frus­tra­das. Por is­so, par­te dos ana­lis­tas du­vi­da que o acor­do pos­sa pro­mo­ver mu­dan­ças es­tru­tu­rais nas prá­ti­cas co­mer­ci­ais chi­ne­sas, como os ame­ri­ca­nos têm bus­ca­do con­se­guir.

Chad P. Bown, pes­qui­sa­dor do Pe­ter­son Ins­ti­tu­te for In­ter­na­ti­o­nal Eco­no­mics, ques­ti­o­nou se ha­ve­rá um co­mu­ni­ca­do con­jun­to, com de­ta­lhes dos com­pro­mis­sos fir­ma­dos. “Es­se ele­men­to im­por­tan­te faltou na tré­gua de Trump e Xi de de­zem­bro de 2018, as­sim como nas sub­se­quen­tes mi­ni­tré­guas”, es­cre­veu o es­pe­ci­a­lis­ta em co­mér­cio ex­te­ri­or no Twit­ter. Bown des­ta­cou que se as ta­ri­fas já im­pos­tas não fo­rem re­vis­tas, o ce­ná­rio glo­bal se­gui­rá bem di­fe­ren­te do anterior à guer­ra co­mer­ci­al. Se­gun­do ele, a ta­ri­fa mé­dia dos EUA so­bre pro­du­tos da Chi­na é de 21% – an­te 3% de an­tes da es­ca­la­da da dis­pu­ta.

Os EUA ar­gu­men­tam que a Chi­na es­tá en­vol­vi­da em inú­me­ras prá­ti­cas in­jus­tas re­la­ci­o­na­das a tec­no­lo­gia e pro­pri­e­da­de in­te­lec­tu­al nos EUA. A pra­ti­ca­men­te um ano das elei­ções pre­si­den­ci­ais, Trump ten­ta che­gar a um acor­do sem abrir mão de sua pro­mes­sa de pres­são so­bre a po­tên­cia asiática. Par­te da ba­se elei­to­ral do re­pu­bli­ca­no so­freu o im­pac­to pe­la im­po­si­ção de ta­ri­fas às im­por­ta­ções chineses, como os pro­du­to­res de so­ja.

En­quan­to apoi­a­do­res de Trump co­me­mo­ra­ram como um avan­ço re­le­van­te a ne­go­ci­a­ção da pri­mei­ra eta­pa do acor­do, crí­ti­cos o acu­sam de ten­tar cri­ar uma pau­ta po­si­ti­va em meio às no­tí­ci­as so­bre o pro­ces­so de im­pe­a­ch­ment con­tra ele.

“Ain­da que a pau­sa na atu­al guer­ra co­mer­ci­al se­ja boa no­tí­cia (...), ain­da há uma lon­ga es­tra­da pe­la fren­te”, ava­li­ou Da­vid A. We­mer, di­re­tor as­so­ci­a­do do think tank Atlantic Council.

Di­vór­cio econô­mi­co en­tre EUA e Chi­na é im­pos­sí­vel

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