A ca­mi­nho do me­ga­lei­lão

O Estado de S. Paulo - - Notas e informaçõe­s -

Com a ar­re­ca­da­ção de R$ 8,915 bi­lhões, re­cor­de em lei­lões des­sa na­tu­re­za, o ágio to­tal de 323% so­bre o va­lor mí­ni­mo es­pe­ra­do pe­la Agên­cia Na­ci­o­nal do Pe­tró­leo, Gás e Bi­o­com­bus­tí­veis (BNP) e a par­ti­ci­pa­ção de gran­des companhias mun­di­ais (além da pre­sen­ça iné­di­ta de uma com­pa­nhia da Ma­lá­sia), a 16.ª Ro­da­da de Li­ci­ta­ções de áre­as de pro­du­ção de pe­tró­leo, re­a­li­za­da na quin­ta-fei­ra passada, te­ve re­sul­ta­dos aci­ma dos es­pe­ra­dos. “O bô­nus é o mai­or do re­gi­me de con­ces­são e su­pe­rou to­das as nos­sas ex­pec­ta­ti­vas”, re­co­nhe­ceu o mi­nis­tro de Mi­nas e Ener­gia, Ben­to Al­bu­quer­que. “Sem­pre acha­mos que se­ria um lei­lão exi­to­so, mas su­pe­rou as ex­pec­ta­ti­vas”, com­ple­tou o di­re­tor-ge­ral da ANP, De­cio Od­do­ne.

O di­nhei­ro ar­re­ca­da­do irá pa­ra o Te­sou­ro, o que con­tri­bui­rá pa­ra aliviar as pressões ime­di­a­tas so­bre a po­lí­ti­ca fis­cal do go­ver­no do presidente Jair Bolsonaro. Mas, pa­ra a eco­no­mia bra­si­lei­ra, a con­tri­bui­ção po­de­rá ter efei­to mais du­ra­dou­ro. “A en­tra­da de novos atores como a Pe­tro­nas (a em­pre­sa ma­la­si­a­na ci­ta­da aci­ma) mostra que o am­bi­en­te no Bra­sil es­tá atra­ti­vo”, ava­li­ou o se­cre­tá­rio de Ex­plo­ra­ção e Pro­du­ção do Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Pe­tró­leo, Gás e Bi­o­com­bus­tí­veis (IBP), An­to­nio Gui­ma­rães, que lem­brou ain­da a for­te par­ti­ci­pa­ção da Che­vron no lei­lão.

Tu­do is­so com­põe um qua­dro com in­di­ca­ções ani­ma­do­ras pa­ra o me­ga­lei­lão, des­ta vez de áre­as do pré-sal (a ro­da­da de quin­ta-fei­ra passada só ti­nha blo­cos do pós-sal), mar­ca­do pa­ra os di­as 6 e 7 de no­vem­bro. No dia 6 de no­vem­bro, se­rá re­a­li­za­da a Ro­da­da de Li­ci­ta­ções do Ex­ce­den­te da Ces­são One­ro­sa. Es­se ex­ce­den­te é for­ma­do pe­las re­ser­vas já des­co­ber­tas pe­la Pe­tro­brás que ex­ce­dem o vo­lu­me de 5 bi­lhões de bar­ris de óleo equi­va­len­te con­tra­ta­do pe­la es­ta­tal em 2010 pe­lo re­gi­me de ces­são one­ro­sa, por meio da qual a União ce­de o di­rei­to de ex­plo­ra­ção de um re­cur­so na­tu­ral de sua pro­pri­e­da­de em tro­ca de uma re­mu­ne­ra­ção pre­es­ta­be­le­ci­da. A ANP con­si­de­ra que es­te se­rá o mai­or lei­lão da his­tó­ria. Os in­ves­ti­men­tos ne­ces­sá­ri­os pa­ra es­sas áre­as es­tão es­ti­ma­dos em mais de R$ 1 tri­lhão.

No dia 7 de no­vem­bro, se­rá re­a­li­za­da a 6.ª Ro­da­da de Par­ti­lha de Pro­du­ção. O lei­lão ofer­ta­rá 5 blo­cos dis­tri­buí­dos pe­las Ba­ci­as de Santos e de Cam­pos.

São opor­tu­ni­da­des que de­vem in­te­res­sar a em­pre­sas com per­fis di­fe­ren­tes, o que po­de acir­rar a dis­pu­ta. A ex­pec­ta­ti­va do go­ver­no, re­fe­ren­da­da por es­ti­ma­ti­vas do se­tor pri­va­do, é de que, num in­ter­va­lo de me­nos de um mês, as li­ci­ta­ções de áre­as de ex­plo­ra­ção e pro­du­ção de pe­tró­leo e gás ge­rem receita de R$ 237 bi­lhões pa­ra o Te­sou­ro e pa­ra a Pe­tro­brás. Des­se to­tal, como mos­trou reportagem do Es­ta­do, R$ 120 bi­lhões de­vem ser pa­gos à Pe­tro­brás por in­ves­ti­men­tos fei­tos nas áre­as que vão a lei­lão, de acor­do com pro­je­ção do IBP. Os res­tan­tes R$ 117 bi­lhões vi­rão de bô­nus de as­si­na­tu­ra que as em­pre­sas ven­ce­do­ras das áre­as do pré-sal ven­di­das sob o re­gi­me de par­ti­lha de­ve­rão pa­gar pa­ra ob­ter o con­tra­to. Nes­se re­gi­me, a União é re­com­pen­sa­da com uma par­te da pro­du­ção de pe­tró­leo e gás.

Ao lon­go do tem­po (até 2030), mais cer­ca de R$ 300 bi­lhões en­gor­da­rão os co­fres da União, dos Es­ta­dos e dos mu­ni­cí­pi­os, a tí­tu­lo de com­pen­sa­ção pe­la ex­plo­ra­ção de re­cur­sos na­tu­rais, na for­ma de royal­ti­es, e tam­bém como Im­pos­to de Ren­da.

Na 16.ª Ro­da­da de Li­ci­ta­ções, na quin­ta-fei­ra passada, ven­ce­ram a dis­pu­ta os par­ti­ci­pan­tes que ofe­re­ce­ram os mai­o­res bô­nus. Eles ope­ra­rão no re­gi­me de con­ces­são, di­fe­ren­te do re­gi­me uti­li­za­do na ex­plo­ra­ção do pré-sal, no qual a dis­pu­ta con­sis­te no vo­lu­me de pe­tró­leo que se­rá des­ti­na­do ao go­ver­no.

A ne­ces­si­da­de de ace­le­ra­ção das li­ci­ta­ções de áre­as pro­mis­so­ras, como o pré-sal, foi mos­tra­da pe­lo se­na­dor Jo­sé Ser­ra (PSDB-SP) em ar­ti­go pu­bli­ca­do no Es­ta­do. Ser­ra ar­gu­men­ta que a de­man­da de pe­tró­leo cres­ce me­nos do que a eco­no­mia mun­di­al. “O pe­tró­leo é uma ri­que­za cu­jos di­as – ou dé­ca­das – es­tão con­ta­dos”, por is­so, “quan­to mais de­mo­rar­mos, me­nos bô­nus ex­trai­re­mos da ri­que­za-pe­tró­leo”, ad­ver­tiu o se­na­dor, que apre­sen­tou pro­je­to des­ti­na­do a ace­le­rar os lei­lões do pré-sal.

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