Mundo digital en­tra na con­ta da inflação

A par­tir do ano que vem, ser­vi­ços como Spo­tify, Net­flix e Uber pas­sam a in­te­grar ces­ta de pro­du­tos pesquisado­s pa­ra o cál­cu­lo do IPCA

O Estado de S. Paulo - - Economia - Daniela Amo­rim / RIO

O em­pre­sá­rio Da­ni­el Tam­ba­rot­ti sem­pre gos­tou de ou­vir mú­si­ca e as­sis­tir a fil­mes, mas mu­dou, na úl­ti­ma dé­ca­da, a for­ma como tem des­fru­ta­do de su­as pre­fe­rên­ci­as cul­tu­rais. Ele tro­cou a ida ao ci­ne­ma e aqui­si­ções de CDs e DVDs por ses­sões ca­sei­ras via ser­vi­ços de stre­a­ming.

“Pa­go uns R$ 100,00 por mês ao to­do com es­sas pe­que­nas as­si­na­tu­ras. Elas ocu­pam tan­to do meu tem­po e são tão ba­ra­tas que é um di­nhei­ro que a gen­te acha mui­to bem gas­to. Ou­tro dia fui ao ci­ne­ma e gas­tei R$ 150,00. É a pi­po­ca, o trans­por­te, o in­gres­so. En­tão há du­as razões pa­ra as­sis­tir aos fil­mes em ca­sa: o va­lor que se gas­ta na rua es­tá um ab­sur­do; e a se­gun­da é a co­mo­di­da­de, ou­vir mú­si­ca o tem­po in­tei­ro, aces­sar vá­ri­os fil­mes, po­der co­mer a pró­pria pi­po­ca em ca­sa”, ex­pli­cou Tam­ba­rot­ti.

Ser­vi­ços como Spo­tify, Net­flix, Ama­zon e Uber já es­tão tão pre­sen­tes na vi­da dos bra­si­lei­ros que pas­sa­rão a in­te­grar a ces­ta de pro­du­tos pesquisado­s pa­ra o cál­cu­lo da inflação ofi­ci­al no País a par­tir do ano que vem, in­for­mou on­tem o Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Ge­o­gra­fia e Es­ta­tís­ti­ca (IBGE).

Avan­ços tec­no­ló­gi­cos, en­ve­lhe­ci­men­to po­pu­la­ci­o­nal e até a pre­fe­rên­cia por ali­men­tos pron­tos es­tão por trás das mu­dan­ças na des­ti­na­ção do or­ça­men­to das fa­mí­li­as nos úl­ti­mos anos. Dei­xa­ram o car­ri­nho de com­pras o apa­re­lho de DVD e má­qui­na fo­to­grá­fi­ca, por exemplo. Ao mes­mo tem­po, en­tra­ram ba­ca­lhau, vi­nho e pi­ca­nha.

A no­va pon­de­ra­ção ser­vi­rá como ba­se pa­ra o Ín­di­ce Na­ci­o­nal de Preços ao Con­su­mi­dor Am­plo (IPCA) na co­le­ta de preços de ja­nei­ro de 2020. As mu­dan­ças le­vam em con­si­de­ra­ção as des­pe­sas mo­ne­tá­ri­as das fa­mí­li­as bra­si­lei­ras cap­ta­das pe­la Pes­qui­sa de Or­ça­men­tos Fa­mi­li­a­res (POF) de 2017/2018.

Após a di­vul­ga­ção do IBGE, ana­lis­tas do mercado fi­nan­cei­ro re­du­zi­ram su­as pro­je­ções pa­ra a inflação em 2020. Pe­la pri­mei­ra vez, o gas­to com trans­por­tes se­rá mais re­le­van­te no IPCA do que o cus­to da ali­men­ta­ção. A inflação passa a in­ves­ti­gar 377 su­bi­tens an­te uma lis­ta de 383. No to­tal, o IPCA te­rá 56 novos su­bi­tens, ou se­ja, 62 itens exis­ten­tes até en­tão fo­ram subs­ti­tuí­dos ou re­ti­ra­dos da lis­ta.

En­tre as novidades, es­tão tam­bém con­ser­to de apa­re­lho ce­lu­lar e com­bo de te­le­fo­nia, in­ter­net e TV por as­si­na­tu­ra. O IPCA tam­bém passa a tra­zer ma­car­rão instantâne­o, pol­pa de fru­ta con­ge­la­da, pa­pi­nha in­fan­til em con­ser­va, além de con­ser­to de bi­ci­cle­ta e me­di­ca­men­tos neu­ro­ló­gi­cos e an­ti­di­a­bé­ti­co.

No ca­so de trans­por­te por apli­ca­ti­vo, que passa a in­te­grar a lis­ta, con­ta tan­to o ser­vi­ço de veí­cu­los par­ti­cu­la­res, como Uber, quan­to o de tá­xis, como o 99 Tá­xi.

“O con­ser­to de bi­ci­cle­ta é uma coi­sa que a gen­te não ti­nha an­tes, in­di­ca que as pes­so­as es­tão usan­do ca­da vez mais a bi­ci­cle­ta, tal­vez como la­zer”, no­tou Pe­dro Kis­la­nov, ana­lis­ta do Sis­te­ma de Ín­di­ces de Preços do IBGE.

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