Se­tor de ser­vi­ços re­cua 0,2% de ju­lho pa­ra agos­to, apon­ta IBGE

De ja­nei­ro a agos­to, seg­men­to, de mai­or pe­so no PIB, fi­cou positivo em ape­nas 3 me­ses, re­cu­an­do nos de­mais 5

O Estado de S. Paulo - - Economia - Daniela Amo­rim / RIO / CO­LA­BO­ROU CÍ­CE­RO CO­TRIM

O se­tor de ser­vi­ços, que tem o mai­or pe­so na ati­vi­da­de econô­mi­ca, per­ma­ne­ce en­tre al­tos e bai­xos. O vo­lu­me de ser­vi­ços pres­ta­dos en­co­lheu 0,2% na pas­sa­gem de ju­lho pa­ra agos­to, au­men­tan­do a dis­tân­cia a ser per­cor­ri­da pa­ra que vol­te ao pa­ta­mar pré-cri­se. Os da­dos são da Pes­qui­sa Men­sal de Ser­vi­ços, di­vul­ga­da on­tem pe­lo Ins­ti­tu­to Bra­si­lei­ro de Ge­o­gra­fia e Es­ta­tís­ti­ca (IBGE).

O vo­lu­me de ser­vi­ços pres­ta­dos ope­ra 12,1% abai­xo do pon­to mais al­to da sé­rie his­tó­ri­ca, re­gis­tra­do em no­vem­bro de 2014. De ja­nei­ro a agos­to des­te ano, o seg­men­to fi­cou positivo em ape­nas três me­ses, re­cu­an­do nos cin­co de­mais. O sal­do é ne­ga­ti­vo: o se­tor ope­ra 1,5% aquém do pa­ta­mar que en­cer­rou 2018.

As mai­o­res pressões ne­ga­ti­vas são das ati­vi­da­des de trans­por­tes – es­pe­ci­al­men­te de car­gas – e de ser­vi­ços pres­ta­dos às fa­mí­li­as, apon­tou Rodrigo Lo­bo, ge­ren­te da pes­qui­sa no IBGE. “A re­du­ção do de­sem­pre­go acon­te­ce com au­men­to da ocu­pa­ção in­for­mal. Is­so se reflete nu­ma mas­sa de rendimento es­tá­vel. As fa­mí­li­as não têm ren­da su­fi­ci­en­te pa­ra re­ver­ter em bens de con­su­mo du­rá­veis e ser­vi­ços não es­sen­ci­ais. Es­sa ren­da adi­ci­o­nal (do tra­ba­lho) é mais di­re­ci­o­na­da pa­ra ali­men­ta­ção e trans­por­tes, que é o que pe­sa na ces­ta de con­su­mo das fa­mí­li­as bra­si­lei­ras.”

Se­gun­do o pes­qui­sa­dor do IBGE, a par­te de tec­no­lo­gia de in­for­ma­ção vem com bom de­sem­pe­nho no ano, mas ser­vi­ços de­pen­den­tes de um di­na­mis­mo mai­or da eco­no­mia, como os ser­vi­ços pro­fis­si­o­nais e com­ple­men­ta­res, ain­da mos­tram di­fi­cul­da­des na re­cu­pe­ra­ção.

Em agos­to, três das cin­co ati­vi­da­des pes­qui­sa­das re­gis­tra­ram que­da em re­la­ção a ju­lho: trans­por­tes (-0,9%), ou­tros ser­vi­ços (-2,7%) e ser­vi­ços pres­ta­dos às fa­mí­li­as (-1,7%). Os avan­ços ocor­re­ram nos ser­vi­ços pro­fis­si­o­nais (0,5%) e in­for­ma­ção e co­mu­ni­ca­ção (0,4%). O agre­ga­do es­pe­ci­al de ati­vi­da­des tu­rís­ti­cas en­co­lheu 4,2%.

Pa­ra o eco­no­mis­ta Hél­cio Ta­ke­da, da con­sul­to­ria Pez­co Eco­no­mics, o ce­ná­rio é de es­tag­na­ção pa­ra o se­tor de ser­vi­ços como um to­do. “Com es­sa os­ci­la­ção de agos­to, pa­re­ce que ba­te­mos o fun­do do po­ço. A lei­tu­ra é que es­tá co­me­çan­do a pa­rar de pi­o­rar”, dis­se Ta­ke­da. Ele es­pe­ra que as medidas de es­tí­mu­lo anun­ci­a­das pe­lo go­ver­no, es­pe­ci­al­men­te o sa­que do FGTS, ali­a­das à que­da na ta­xa de ju­ros, cri­em um am­bi­en­te mais favorável pa­ra o seg­men­to nos pró­xi­mos me­ses. “Não que vá ha­ver uma al­ta ro­bus­ta, mas po­de­mos pa­rar de ob­ser­var nú­me­ros ne­ga­ti­vos.”

A Con­fe­de­ra­ção Na­ci­o­nal do Co­mér­cio de Bens, Ser­vi­ços e Tu­ris­mo (CNC) es­ti­ma que os tra­ba­lha­do­res gas­tem R$ 3,5 bi­lhões sa­ca­dos do FGTS no con­su­mo de ser­vi­ços até o fim do ano.

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