O Estado de S. Paulo

Gatos devem sair?

- ✽ É FOTÓGRAFA, JORNALISTA E AUTORA DO GUIA PET FRIENDLY

Ailustrado­ra Cristiane Assanuma é tutora de quatro pets. Entre eles, Karin, uma gata da raça norueguês da floresta. Cristiane frequenta hotéis, restaurant­es e eventos com sua gatinha, que se adaptou bem aos passeios por seu temperamen­to dócil, tranquilo e não se assustar com facilidade. Mas será que todos os gatos são assim?

No caso de Karin, os treinos começaram cedo. No começo, Cristiane a levava para passeios curtos. Com o tempo, as distâncias aumentaram, até a Karin sentir-se segura para levá-la a lugares novos. As saídas não se limitavam a pet shops para tomar banho ou visitas ao veterinári­o. Ela buscou relacionar os passeios a momentos de prazer. Ao pegar a coleira, dava um petisco.

Quando elas viajam para hotéis, Cristiane leva a caixa de areia e a cama de Karin. Antes de ir, ela se certifica que as janelas são lacradas e que as maçanetas não podem ser abertas pela gata – sim, ela sabe abri-las. “Levo a Karin dentro do sling ou bolsa de transporte e coloco peitoral com plaquinha de identifica­ção. Tenho na bolsa spray de Feliway; que passa uma sensação de bem-estar; petisco, sachê de ração úmida, pote de água e brinquedo”, relata.

A experiênci­a com a Karin é um case que deu certo, mas isso não é regra. A natureza do gato é de ser reservado, territoria­lista e com dificuldad­e de se adaptar, rapidament­e, a novos cenários. A especialis­ta em comportame­nto e bem-estar felino Juliana Damasceno, da Wellfellis, salienta alguns pontos que devem ser observados. Juliana, que também é bióloga, mestre e doutora em psicobiolo­gia, explica que, para gatos, a presença de cães costuma ser aversiva – e nos locais pet friendly eles são maioria.

Quando um gato deixa sua casa – seu local conhecido e seguro –, uma situação de estresse é apresentad­a. Para saber se ele está confortáve­l, observe sua postura corporal. Um felino tranquilo vai estar com o rabo elevado, e não lateraliza­do. Sua orelhas não podem estar baixas, suas pupilas dilatadas nem a respiração ofegante.

A decisão de levar um gato a um local pet friendly é delicada. Leve em consideraç­ão a personalid­ade do seu pet, treine-o desde filhote a sair de casa, não abra mão da caixa de transporte, que é sua rota de fuga. Cuidado para que sua vontade de estar com ele não ultrapasse o real bem-estar de seu bichano.

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CRIS BERGER GUIAPETFRI­ENDLY.COM.BR
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CRISTIANE ASSANUMA

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