Revista da Cerveja

Palavra de Burgomestr­e, por Sady Homrich

- Beba cerveja com elegância e moderação

Após ultrapassa­r a marca de 100 perguntas respondida­s na Palavra de Burgomestr­e, começamos a responder ÀS MESMAS questões, revendo muitos dos conceitos que, afinal, evoluíram bastante nos últimos sete anos. Essa introdução vale a pena repetir, pois cada vez mais estilos vêm sendo difundidos: “2015 está trazendo um sem número de novos rótulos, nacionais e importados, com muita qualidade. Num bate-papo com o mestre Pete Slosberg (EUA), falamos sobre ‘ficar perdido’ no meio de tantas ofertas. Das várias questões que surgiram, trouxe três para refletirmo­s juntos”.

151) Minha mulher e eu adoramos cervejas artesanais, mas não somos especialis­tas nem pretendemo­s ficar estudando. Como fazer a escolha em um local com diversas opções de cerveja?

Ninguém vai a um restaurant­e e pede “uma comida”. Mas muitos chegam e pedem “uma cerveja”. Isso já mudou muito, mas, às vezes, os atendentes não sabem ajudar. Se houver uma carta — em cardápio ou numa lousa —, imagine o que iria ser agradável para o momento e perca alguns minutos tentando encontrar. Seja curioso e pergunte. Procure começar com as de teor alcoólico mais baixo. Esse exercício já vai ser a primeira conversa, seja com o companheir­o de mesa ou com o garçom/garçonete. Se a sugestão para começar for uma RIS (Russian Imperial Stout), peça para conhecer as demais opções, porque se abrir a noite com uma bebida tão cheia de sabor e álcool, será difícil perceber nuanças em outros estilos depois. Deixe-a para o final, até porque poderá harmonizar com a sobremesa! São apenas sugestões e não um conjunto de regras.

152) Qual seria uma sequência adequada, então?

Isso não mudou. Continuo buscando, em primeiro lugar, as cervejas regionais tiradas de barril e sempre pergunto as que estão mais frescas. Wit ou Weizen, Belgian Blonde, Session IPA, Bohemian Pilsner, Vienna ou APA locais estão valendo. Depois de algum lúpulo, já mais calmo, procuro novidades com um pouco mais de complexida­de. Pode ser Kveik, Sour com ou sem frutas, Brett, Brut... Italian Grape pode ser uma boa surpresa, dependendo do prato. Em dupla fica ainda mais interativo se houver muitas opções e um pouco de intimidade para dividir o copo: cada um pede uma e trocam ideias. Se quiser uma carga extra de lúpulo, vá de New England, uma IPA refrescant­e e aromática, English ou American IPA. Outro caminho pode passar por Old Ale, Belgian Tripel, Barley Wine e pelas Imperial, sejam elas Red, Porter, Stout ou IPA, até chegar às envelhecid­as em barril... Claro, há muito mais estilos do que podemos beber em uma noite.

153) Essa sequência é sempre a mesma?

Não! Assim como cada noite reserva um estado de espírito diferente, a escolha das cervejas também. A primeira pedida pode ser para matar a sede com sabor e nada impede de eleger um estilo e seguir com ele toda a refeição, se for do seu agrado. Não caia na tentação de SEMPRE ficar a avaliar criticamen­te o que está bebendo. Relaxe, afinal, importante é o prazer. Gosto de interativi­dade e isso depende com quem estiver sentado. Às vezes é divertido dividir a cena com hipsters cervejeiro­s em um desfile de estilos incomuns, mas não sempre. Aproveite se houver um sommelier de cervejas ou algum atendente que estude o tema e peça uma opinião para o próximo pint ou taça. Só tenha cuidado para não virar cobaia de uma “mala cervejeira sem alça”.

Ou se transforma­r em um temível “cervechato”.

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Sady Homrich é baterista da banda Nenhum de Nós e engenheiro químico

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